Bitcoin bate novos recordes; entenda o que é e os riscos de investir | Economia

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O bitcoin voltou a ser assunto central no universo de investimentos depois de uma valorização recorde nos últimos meses. Em meados de março, uma unidade valia cerca de US$ 5 mil. Em menos de um ano, chegou nesta semana aos US$ 46 mil, a mais alta cotação da sua história.

A principal moeda virtual do mundo entrou em um novo ciclo de valorização após um aporte de US$ 1,5 bilhão por parte da Tesla, empresa de Elon Musk, o homem mais rico do mundo. A empresa também indica que espera, no futuro, aceitar bitcoin como pagamento por seus carros elétricos.

Em 2021, a valorização em dólar do bitcoin é da ordem de 60%. E quem investiu nas criptomoedas ao longo de 2020 se deu bem. O bitcoin registrou ganhos de 300% enquanto o Ibovespa fechou o ano com alta de 3%.

A chance de retorno rápido não é novidade, tal como não seria uma rápida desvalorização destes ganhos. Em 2017, a cotação da moeda digital passou por esse efeito. A alta recorde até então veio em dezembro daquele ano, passando dos US$ 18 mil. Ao longo de todo o ano seguinte, desenhou-se uma curva de queda intensa, levando o preço do ativo aos US$ 3 mil.

Abaixo, saiba mais sobre o bitcoin e as criptomoedas.

As criptomoedas são ativos como real, dólar e euro, mas que circulam apenas em ambiente digital. O bitcoin é o mais importante modelo, mas há tantos outros, como Ethereum, Litecoin e Ripple. Para comprá-las, é necessário abrir uma conta em corretoras especializadas.

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As trocas são documentadas pela tecnologia blockchain, que registra todas as operações de forma sigilosa. A moeda deve ser tratada como investimento de risco.

Por que varia tanto o preço?

O que faz o bitcoin tão volátil é a busca por seu valor justo no mercado, já que não há lastro nem regulamentação por parte de bancos centrais. As operações são registradas por meio da tecnologia blockchain, que registra todas as quantias transferidas, quem transferiu para quem e qual o valor.

Se, por um lado, não há uma autoridade que dite regras ao mercado nem outra moeda que referencie seu preço, também não há uma proteção ao patrimônio. A segurança é calcada na tecnologia e na aceitação no mercado. Entra, portanto, na categoria de investimento de alto risco.

O que aconteceu até aqui?

O investimento da Tesla foi o último de uma série de entradas de grandes investidores, além de chancelas de empresas e fundos de investimento, ao bitcoin. É o que, hoje, dá segurança aos entusiastas de que a moeda digital não é uma bolha financeira.

Musk disse que o bitcoin está “prestes” a ser mais amplamente aceito entre os investidores em um bate-papo no aplicativo de mídia social Clubhouse, que atraiu milhares de ouvintes. Os comentários seguiram o uso da tag “#bitcoin” em seu perfil no Twitter.

Mas foi no ano passado que acumularam-se exemplos de grandes empresas dando voto de confiança ao bitcoin. Uma promessa antiga do PayPal se realizou e a empresa passou a aceitar transações com bitcoin e outras criptomoedas nos Estados Unidos.

A Square, empresa de pagamentos de Jack Dorsey, fundador do Twitter, investiu cerca de US$ 50 milhões em bitcoin no último mês de outubro. A empresa afirma que bitcoin é um instrumento de “autonomia econômica” e deve crescer em fluxo no futuro.

Outra gigante, a Fidelity Investments anunciou também em outubro a criação de um fundo para investidores institucionais focado em ativos digitais. A MicroStrategy foi além e montou, em dezembro, uma posição de US$ 1,1 bilhão em bitcoins.

“As emissões de dinheiro pelos bancos centrais e as políticas de afrouxamento monetário em todo o mundo criaram uma preocupação com a inflação. O bitcoin tem um aspecto deflacionário e passou a ser entendido como proteção”, afirma Bruno Diniz, especialista em negócios digitais.

Essa lógica teve um carimbo importante, de um dos mais importantes investidores do mundo. Ray Dalio, fundador da gestora de ativos Bridgewater Associates, disse em dezembro que o bitcoin seria uma alternativa “interessante” para o resguardo da carteira dos investidores por ter características de escassez “semelhantes ao ouro”.

“O mercado de criptomoedas está se tornando mainstream não só no varejo, mas no atacado, nos fundos de investimento. Isso dá outra dimensão”, conclui Diniz.

Segundo João Canhada, CEO da corretora Foxbit, alguma valorização era esperada pelo mercado por conta do halving, evento programado a cada quatro anos e que corta uma parcela de bitcoins emitidos, diminuindo sua oferta.

Mas, como ambiente de trocas financeiras, o especialista lembra que houve um grande avanço na gama de instrumentos financeiros para negociar o ativo. Nos últimos anos, as transações passaram a seguir modelos mais parecidos com o mercado de capitais, afastando desconfianças.

“Há mercado de futuros, derivativos, e instrumentos para fazer hedge [proteção] do preço mais facilitado. Foi o que fez o mercado financeiro abraçar esse novo ativo”, diz.

Para Canhada, a volatilidade do bitcoin é inescapável por algum tempo e o padrão de variação dos preços deve se manter por alguns anos. A tese, contudo, é otimista. Aos trancos, a estimativa da Foxbit é de que o bitcoin chegue a US$ 200 mil até o fim deste ano.

Ainda que pareça otimista, há players gigantes projetando alta ainda maior. Um relatório de um analista do banco Citibank que circulou por Wall Street projeta que o valor do bitcoin chegue a US$ 318 mil até o fim de dezembro.

Segundo Safiri Felix, diretor-executivo da Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto), os programas de incentivo para conter danos causados pela crise do novo coronavírus em todo o mundo montam um cenário de necessidade de ampliar o leque de investimentos para fora de moedas tradicionais.

“Como não existe perspectiva de pararem as políticas de expansão monetária, a tese de investimento se fortalece. O bitcoin deve dividir cada vez mais espaço com outros ativos de reserva de valor”, diz Felix.

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Mesmo depois de um ano difícil, o principal índice da bolsa de valores brasileira deve fechar o ano no azul.

Os números são chamativos e deixam atiçado qualquer investidor que esteja buscando aumentar seus rendimentos. Como qualquer investimento de renda variável, entretanto, o bitcoin tem riscos evidentes de perda do patrimônio investido.

Primeiro risco é tecnológico, em um cenário que se crie algum embaraço aos arcabouços de segurança das criptomoedas. Os analistas são confiantes que o blockchain não sofre esse risco em um cenário previsível.

Segundo, as grandes oscilações demandam que o investidor pense no bitcoin como reserva de valor a longo prazo. A necessidade de retirada em um momento ruim pode colocar a perder uma parte grande do que foi investido. Valem, assim, as regras básicas de se montar uma reserva de emergência em ativos de renda fixa e com liquidez diária para imprevistos, somada ao rescaldo em outros ativos mais arriscados.

Quem está com reserva pronta e quer partir para os criptoativos, a recomendação dos especialistas é que se chegue a cerca de 5% da fatia dos investimentos em algo de tamanho risco, caso o perfil do investidor seja mais agressivo.

Não menos importante, é preciso entender a dinâmica de funcionamento da moeda digital e o cenário futuro.

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Dólar teve a maior queda mensal em dois anos e fechou novembro em R$ 5,34, informa a comentarista.

O que posso comprar com bitcoin?

Hoje, é mais comum trocas e pagamentos entre usuários que possuem bitcoins em suas carteiras digitais.

O bitcoin ainda não é uma moeda de uso corriqueiro no varejo, mas há lojas digitais e carteiras virtuais que aceitam pagamentos e fazem conversão para possibilitar compras. Ainda são muito específicas, nativas digitais, e estão majoritariamente fora do país.

A entrada do PayPal nesse mercado, um dos maiores meios de pagamento digitais do mundo, promete expandir os usos do bitcoin no dia a dia. Por enquanto, a opção só está disponível nos Estados Unidos.

A Tesla não deu ainda uma previsão de data em que passará a aceitar pagamentos em bitcoin.

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Fonte: G1

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