BC começa a receber depósitos voluntários remunerados dos bancos na próxima segunda | Economia

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O Banco Central (BC) informou nesta sexta-feira (10) que começará a receber, a partir de segunda (13), depósitos voluntários remunerados de instituições financeiras. A lei que permitiu o recebimento foi sancionada em julho, após aprovação do Congresso, e regulamentada e testada em agosto.

Os depósitos voluntários remunerados são uma nova ferramenta para o Banco Central controlar a quantidade de dinheiro em circulação, retirando o excesso de recursos do mercado para que a taxa de juros das operações entre os bancos fique próxima à taxa básica de juros da economia – a Selic, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Com a mudança, as instituições financeiras poderão guardar voluntariamente dinheiro no Banco Central em troca de uma remuneração. Essa remuneração será definida pela autoridade monetária no momento da oferta, mas ficará próxima da Selic efetiva do dia.

Antes da nova regra, os bancos já mantinham “contas de reservas bancárias” junto ao BC – que funcionavam como depósitos voluntários, mas não rendiam contrapartida financeira às instituições.

Para recolher os depósitos voluntários, o Banco Central vai fazer leilões e abrir “janelas de negociação” com as instituições financeiras durante o dia. No caso das “janelas de negociação”, as instituições podem informar quanto querem depositar e o Banco Central informará qual a taxa de remuneração.

“O BC divulgará, diariamente, em sua página na internet e no portal do Selic, o valor financeiro total dos depósitos voluntários constituídos, bem como a taxa de remuneração e o prazo para o instrumento”, informou a autarquia.

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Atualmente, para retirar recursos do mercado para manter a taxa efetiva de juros próxima da Selic, o Banco Central usa as chamadas operações compromissadas, que são a venda de títulos públicos de curto prazo. Essas operações aumentam a dívida pública do país.

Os depósitos voluntários não terão lastro em títulos públicos e, por isso, não vão aumentar a dívida pública bruta – um dos principais indicadores de solvência acompanhado por investidores e agência de classificação de risco.

“Se houver diminuição das operações compromissadas e crescimento dos depósitos voluntários, esses depósitos voluntários não vão estar na dívida bruta e a dívida bruta vai cair”, explicou Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, quando a autoridade monetária regulou o procedimento.

O chefe do Departamento de Operações do Mercado, André de Oliveira Amante, ponderou que os depósitos voluntários serão um instrumento acessório, e as operações compromissadas continuam sendo majoritárias.

“Nossa perspectiva é que a adesão seja gradual, talvez o impacto no endividamento seja pequeno, até devido ao nível de endividamento que temos hoje”, disse, em agosto.

Os depósitos voluntários são vantajosos para os bancos porque não exigem lastro. O BC diz, ainda, que o instrumento tem sido utilizado com sucesso pelos bancos centrais de outros países.

“Com a nova ferramenta, o Banco Central aperfeiçoa a gestão da liquidez bancária e se equipara a outros importantes bancos centrais do mundo que já atuam com o instrumento”, disse a autarquia em nota divulgada em agosto.

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Além dos depósitos voluntários, hoje, o BC já recolhe depósitos compulsórios, ou seja, obrigatórios. Parte do dinheiro aplicado nos bancos pelos correntistas fica retida e, com isso, não pode ser disponibilizada para crédito.

O objetivo é ajudar no controle da moeda, além de garantir a segurança do sistema bancário.



Fonte:G1