As novas filiações de Castro e Maia: dois terremotos à vista na política do Estado do Rio

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As novas filiações de Castro e Maia: dois terremotos à vista na política do Estado do Rio

PUBLICADA ORIGINALMENTE POR BERENICE SEARA – “EXTRA, EXTRA”

Com a política do Rio, ninguém morre mesmo de tédio. Houve uns dias em que até deu para ouvir uns bocejos, mas foram tão raros… Pois agora duas grandes placas tectônicas começaram a se movimentar e já dá para dizer que vêm aí dois terremotos. O primeiro é uma surpresa. Com a traição do seu próprio DEM na eleição da presidência da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia não tem outra saída a não ser mudar de partido. Mas, para qual?

Já se falou no PSL — que chegará à eleição de 2022 com o maior tempo de TV e o maior fundo partidário, mas que corre o risco a sair dela do tamanho da cabeça de um alfinete, já que só conseguiu o que tem graças a Jair Bolsonaro, o primeiro a sair da legenda. Em princípio, Maia significaria para o PSL a possibilidade de o partido ganhar alguma musculatura, já que o ex-presidente da Câmara promete levar com ele 40 políticos de mandato — embora ninguém acredite.

Já para Maia, o dinheiro do partido serviria de chamariz para ele atrair esses políticos. O problema é que o deputado quer se instalar numa legenda em que ele tenha poder de comando — e Luciano Bivar e Antonio de Rueda, os caciques do PSL, não estão dispostos a abrir mão de um pinguinho deste poder. Além de vários problemas regionais, como, por exemplo, o líder do partido no Senado, Major Olímpio, pré-candidato a governador em São Paulo — que é contra a filiação.

Há quem aposte no Cidadania, até porque este seria o partido escolhido pelo apresentador Luciano Huck para a sua candidatura a presidente — caso Huck seja mesmo candidato algum dia. Maia é um dos políticos que defende a candidatura do midiático apresentador. Mas, quem conhece bem o ex-presidente da Câmara jura que o Cidadania é pequeno demais para o tamanho de Maia — e, principalmente, para o tamanho de seu ego.

O MDB, que também foi cogitado, caminha, no Rio, para o governo de Cláudio Castro. O governador em exercício, inclusive, vai mexer em seu secretariado para levar de volta à Câmara dos Deputados o presidente estadual do MDB, Leonardo Picciani. E Castro está afinadinho com Jair Bolsonaro. Logo, o MDB não combina com o antibolsonarista Maia.

Por fim, tem o convite do governador de São Paulo, João Doria, para o PSDB. O paulista foi esperto, e convidou o ex-presidente da Câmara rapidamente como forma de reforçar e dar visibilidade à sua candidatura à presidência em 2022, justamente no momento em que Jair Bolsonaro tinha todos os holofotes. O convite foi um combo — juntamente com ele veio a proposta de expulsão de Aécio Neves, que, segundo Doria, ajudou a fazer com que parte dos tucanos votasse em Arthur Lira para a presidência da Câmara.

A proposta foi muito bem recebida pelo PSDB do Rio. O presidente estadual, Paulo Marinho, até disse que cede seu posto a Maia. Seria talvez uma possibilidade de pacificação, já que Marinho vem enfrentando problemas na condução do partido no estado praticamente desde que assumiu a legenda. Mas, na esfera nacional, provocou a desconfiança (para usar uma palavra branda) de vários tucanos graúdos e históricos, entre eles o presidente nacional Bruno Araújo e o ex-senador Aloysio Nunes.

O destino de Rodrigo Maia deve mexer com muita gente no Rio. É bom lembrar que, sob o seu comando, o DEM elegeu em dezembro a maior bancada (empatada com o Republicanos e o PSOL) na Câmara do Rio, o prefeito Eduardo Paes na capital e prefeitos nas cidades que somam, no total, o maior número de eleitores do Estado do Rio.

Já a saída de Cláudio Castro do PSC é mais do que esperada. Deve acontecer assim que o processo de afastamento de Wilson Witzel do governo do estado for tornado definitivo e que o hoje governador em exercício ganhe o título de comandante do Palácio Guanabara sem restrições. Pela velocidade da carruagem doimpeachment, os políticos do estado acreditam que não deve passar deste mês.

Hoje, as chances de Castro estão divididas entre dois partidos: 70% para o PSD e 30% para o PP.

Para entender o destino de Castro, é bom voltar ao passado. Em 2016, ele era chefe de gabinete do deputado estadual Márcio Pacheco, quando se candidatou, pela primeira vez, a vereador. Teve uma votação nada expressiva, mas suficiente para conquistar a vaga na Câmara do Rio. Quando o partido decidiu lançar um juiz aventureiro candidato a governador, precisava de um vice. Ninguém queria se arriscar a não disputar o mandato de deputado e ficar a ver navios com o juiz maluco. A saída foi colocar Castro, que não tinha nada a perder, já que era vereador e manteria o cargo, se desse tudo errado. Deu no que deu.

Castro e Márcio Pacheco começaram a carreira no gabinete de Hugo Leal, que na época era do PSC. Hoje deputado federal, Hugo é quem manda no PSD do Rio, e é um dos políticos mais próximos ao governador, uma espécie de conselheiro, não sai do Palácio Guanabara e já costura sua filiação há muito tempo.

Mas o governador em exercício se aproximou do PP também na campanha de Arthur Lira à presidência da Câmara, quando abriu o Palácio Guanabara para um encontro com a bancada do Rio, mostrando a força da candidatura. O PP, capitaneado por aqui pelos deputados federais Doutor Luizinho e Christino Áureo, está seduzindo Castro prometendo a ele uma dimensão nacional, coisa que ele nunca teve em sua carreira.

As escolhas de Maia e de Castro vão começar a desenhar as alianças para a eleição de 2022. Pode-se dizer que, no Rio, ao menos nos bastidores, a campanha já começou. E está a pleno vapor.

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