Após dois meses em alta, setor de serviços cai 0,1% em janeiro | Economia

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Após acumular ganho de 4,7% nos dois últimos meses do ano passado, o volume de serviços prestados no Brasil recuou 0,1% em janeiro, na comparação com dezembro, mas permanece acima do patamar pré-pandemia, segundo divulgou nesta quarta-feira (16) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Trata-se do pior resultado mensal desde outubro de 2021 (-1,6%).

Na comparação com janeiro do ano passado, porém, o setor teve alta de 9,5%, assinalando a 11ª taxa positiva consecutiva.

Volume de serviços mês a mês — Foto: Economia g1

“Com o resultado de janeiro, o setor ficou 7% acima do patamar pré-pandemia, registrado em fevereiro de 2020, e está operando em nível pouco abaixo de agosto de 2015”, destacou o IBGE.

O resultado ficou abaixo do esperado. A expectativa em pesquisa da Reuters era de crescimento de ganho de 0,2% na comparação com dezembro.

O setor de serviços é o que possui o maior peso na economia brasileira e foi o principal destaque de recuperação em 2021, impulsionado pelo avanço da vacinação e pela flexibilização das medidas restritivas para conter a disseminação do coronavírus.

Avanço de 12,2% no acumulado em 12 meses

Em 12 meses, a alta acumulada passou de 10,9% em dezembro para 12,2% em janeiro, mantendo a trajetória ascendente iniciada em fevereiro de 2021. O gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, observou, entretanto, que nos últimos 5 meses o setor tem mostrado um menor ritmo de crescimento.

Segundo o pesquisador, ainda não é possível saber se a perda vista em janeiro seria um ponto de inflexão ou apenas uma tomada de fôlego.

“Nesse processo de recuperação que o setor de serviços vem apresentando desde junho de 2020, há um predomínio absoluto de taxas positivas: são 15 positivas contra 5 negativas, ou seja, uma larga base de comparação, o que faz com que, vez ou outra, o setor mostre algum tipo de acomodação”, avaliou.

Volume de serviços acumulado em 12 meses — Foto: Economia G1

Regionalmente, 12 das 27 unidades da federação tiveram retração no volume de serviços entre dezembro e janeiro, com impacto mais importante vindo do Distrito Federal (-9,1%), Rio de Janeiro (-1,2%) e Minas Gerais (-1,9%). Na outra ponta, São Paulo (0,6%) e Goiás (4,5%) registraram os principais avanços.

Já a receita nominal do setor (sem descontar a inflação) caiu 1,6% frente a janeiro e teve avanço de 15,3% na comparação interanual.

Veja o resultado em cada um dos segmentos

  • Serviços prestados às famílias: -1,4%
  • Serviços de alojamento e alimentação: -1,5%
  • Outros serviços prestados às famílias: -0,8%
  • Serviços de informação e comunicação: -4,7%
  • Serviços de tecnologia da informação e comunicação (TIC): -4,5%
  • Telecomunicações: -1,1%
  • Serviços de tecnologia da informação: -8,9%
  • Serviços audiovisuais: -3,5%
  • Serviços profissionais, administrativos e complementares: 0,6%
  • Serviços técnico-profissionais: 1,3%
  • Serviços administrativos e complementares: 1%
  • Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio: 1,4%
  • Transporte terrestre: 2,1%
  • Transporte aquaviário: 1%
  • Transporte aéreo: 0,7%
  • Armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio: 3,4%
  • Outros serviços: -1,1%

O que mais pesou em janeiro

A recuperação do setor de serviços tem se dado de maneira desigual. Das cinco grandes atividades do setor, 2 ainda não eliminaram perdas provocadas pela crise. Veja gráfico abaixo:

Distância (em %) do patamar pré-pandemia por atividade de serviços — Foto: Economia g1

Três das cinco atividades investigadas tiveram retração no mês de janeiro, com destaque para serviços de informação e comunicação (-4,7%), que recuaram pelo segundo mês consecutivo, e serviços prestados às famílias (-1,4%), que registraram a primeira queda após uma sequência de 9 altas, ficando 13,2% abaixo do nível e fevereiro de 2020.

“Apesar do da queda nos serviços prestados às famílias, o que determinou o resultado negativo de janeiro foi a queda dos serviços de informação e comunicação, puxado pelos serviços de tecnologia da informação que caíram 8,9%”, explicou Lobo.

O segmento de serviços de tecnologia da informação permanece, porém, como o grande destaque da economia brasileira depois da chegada do coronavírus, com um nível de atividade 35% acima do patamar pré-pandemia.

“Agora que a a situação [da pandemia] está mais sob controle, a demanda, por exemplo, de alimentação via aplicativo ou mesmo contratar uma internet mais rápida para fazer home office não faz muito sentido”, observou o economista-chefe da Necton, André perfeito.

Pelo lado das altas, o destaque de janeiro ficou com os transportes, que cresceram 1,4% frente ao mês anterior, terceiro resultado positivo seguido, acumulando aumento de 6,6%. A atividade está agora 13,1% acima de fevereiro de 2020.

“Esse crescimento vem do transporte rodoviário de carga e da parte de logística de transporte e armazenagem de mercadoria, muito por conta do boom do comércio eletrônico, trazendo o setor de transporte para o maior nível desde novembro de 2014”, destacou o pesquisador.

Atividades turísticas crescem 1,1% em janeiro

O índice de atividades turísticas cresceu 1,1% frente a dezembro. Apesar de manter a trajetória de recuperação, o segmento ainda se encontra 9,7% abaixo do patamar pré-pandemia.

O gerente da pesquisa explica que o índice tem um perfil semelhante ao dos serviços prestados às famílias, pois muitas das atividades que compõem o indicador vêm desse segmento. “Esse mês, no entanto, as atividades turísticas não seguiram o movimento de queda dos serviços prestados às famílias, devido ao crescimento do segmento de transporte aéreo, que mais que compensou as perdas vindas dos restaurantes”, observou.

O ritmo de atividade do setor de serviços segue prejudicada pela inflação persistente, perda do poder de compra da população, desemprego elevado e juros em alta.

“Ainda vemos potencial de crescimento nos serviços prestados às famílias ao compararmos com seu nível anterior a pandemia. Contudo, o cenário para o setor ainda é muito preocupante. A inflação alta, o aperto das condições monetárias e financeiras com alta dos juros e os desdobramentos do conflito geopolítico na Ucrânia são alguns dos desafios para os serviços”, escreveu Felipe Sichel, estrategista-chefe do banco Modalmais.

Em meio à guerra na Ucrânia e à disparada nos preços dos combustíveis, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil anuncia nesta quarta-feira, após as 18h, a nova Selic.

A expectativa da maior parte dos economistas do mercado financeiro é que a taxa de juros seja elevada dos atuais 10,75% para 11,75% ao ano, o maior patamar desde abril de 2017. Entretanto, alguns analistas apostam que a taxa possa subir ainda mais, ultrapassando o patamar de 12% ao ano.

Após o forte reajuste de combustíveis anunciado pela Petrobras na semana passada, os economistas do mercado financeiro elevaram estimativa de inflação em 2022 para 6,45%, segundo o último boletim Focus do Banco Central.

Os analistas também passaram a projetar uma alta maior para a Selic, para 12,75% ao ano no fechamento de 2022. Para o crescimento do PIB deste ano, a previsão é de alta de 0,49%.

Na semana passada, o IBGE mostrou que a produção industrial caiu 2,4% em janeiro e ficou 3,5% abaixo do patamar de antes do início da pandemia, em fevereiro de 2020.

Economista fala sobre expectativa para a Selic nesta quarta (16)



Fonte: G1