Abertura de empresas cai 72% em São Paulo com a pandemia do coronavírus

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Levantamento do Ipea contabiliza dados de 1º de abril a 5 de maio, comparados a mesmo período de 2019. RJ, 12/05/2020 Comércio tem portas fechadas na Tijuca, Zona Norte do Rio
Marcos Serra Lima/G1
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou nesta quinta-feira (21) um levantamento de abertura e fechamento de empresas ao longo do período de isolamento social, causado pela pandemia do novo coronavírus.
O destaque fica por conta da redução da abertura de empresas, que caiu 72% neste ano em relação a período semelhante de 2019. O levantamento do Ipea contabiliza dados de 1º de abril a 5 de maio, comparados a 2 de abril a 6 de maio do ano passado.
Foram abertas 1.265 empresas nesse intervalo contra 4.471 no ano passado, de acordo com a sondagem do Ipea em registros da Junta Comercial de São Paulo.
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Dividida em setores da Classificação Nacional de Atividades Econômicas, do IBGE, categorias com muito fluxo de abertura, como “Comércio; reparação de veículos automotores e motocicletas”, tiveram queda de 74%. Construção (-80%), Alojamento e alimentação (-79%) e Indústrias de transformação (-75%) também sofreram bastante.
Pensando em natureza das empresas, a constituição de micro e pequenas empresas sofreu mais que as demais, com redução de 73,6%. Firmas e sociedades limitadas caíram 57,6%.
Na Carta de Conjuntura, que traz a análise dos números, o Ipea diz que não é possível afirmar quanto da forte queda da abertura de empresas se transformará em um crescimento acelerado em um futuro próximo.
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Fechamentos
A pesquisa mostra também o número de fechamentos de empresas pela Jucesp nas sete semanas posteriores ao início da vigência das medidas de distanciamento social no estado. Ao contrário do que se espera para o momento de crise, os fechamentos também caíram, em 92,6%.
Mas o instituto avisa que os dados de fechamento devem ser “interpretados com cautela”. Tanto os custos de liquidação de negócios como a expectativa de fazê-lo sobreviver com estímulos do governo ou linhas de crédito pode estar represando os números.
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“O fechamento de uma empresa gera custos imediatos, sendo, portanto, inviável no momento, diante de um cenário absolutamente dramático de restrição de liquidez”, diz a nota técnica do Ipea. “Segundo, porque a expectativa de ajuda governamental (transferências diretas ou empréstimos a fundo perdido) pode levar empresas a postergar o fechamento.”
“Terceiro, porque a expectativa de mudanças institucionais e jurídicas que regulam procedimentos associados a execuções, cobranças, protestos, negativação, regime falimentar e renegociação de contratos em geral pode produzir algum alívio imediato por meio de forebearance (suspensão de execuções)”, explica o texto.
Saídas
Em primeira análise, o Ipea verifica por meio dos dados setoriais que a pandemia penaliza atividades de forma bastante diferente, penalizando muito os setores não essenciais ou que não são resilientes ao distanciamento social.
O desafio, portanto, é apoiar o ambiente de negócio para essas empresas com uma formulação de políticas que preserve o “dinamismo dos setores sustentáveis diante do novo ambiente”.
“Políticas setoriais devem resistir à tentação de, sob o pretexto da equidade e diante das necessidades fiscais em diferentes esferas de governo, estabelecer políticas “compensatórias”, que venham a produzir ônus desproporcional para tais atividades, sob pena de desperdiçarmos as principais oportunidades de transformação estrutural que a pandemia proporciona”, diz a nota técnica.
Falências e recuperações
Um levantamento mensal da Serasa Experian antecipado ao G1 na última terça-feira (19) mostra que os pedidos de falências e recuperações judiciais aumentaram em abril, na comparação com março. E a avaliação é que o volume de processos deverá disparar nos próximos meses
Os motivos são os mesmos apontados pelo Ipea: uma avalanche de pedidos deve vir diante da perspectiva de um forte tombo da economia brasileira e mundial em 2020 e das dificuldades financeiras das empresas em meio à pandemia de coronavírus.
No mês de abril foram registrados 120 pedidos de recuperação judicial no país, uma alta de 46,3% na comparação com março. Já os pedidos de falência somaram 75, um aumento de 25% frente ao mês anterior. Apesar do salto mensal, os números ainda ficaram abaixo dos observados em abril de 2019.


Fonte: G1