A habilidade-chave no trabalho que ainda é vista como tabu | Concursos e Emprego

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A mera ideia de autopromoção faz muita gente tremer nas bases.

Encher a própria bola não é algo simples para muitos de nós — e não é de se admirar, já que somos ensinados desde crianças que ‘ostentar’ não é uma qualidade atraente.

“Nós ficamos presos à ideia de que a autopromoção parece arrogante”, explica Stefanie Sword-Williams, autora do livro F*ck Being Humble: Why Self Promotion Isn’t a Dirty Word.

“Mas se você não for uma pessoa arrogante, não fará isso dessa maneira,” diz ela.

Na verdade, sentir orgulho das realizações profissionais deve ser considerado uma parte normal da vida, e não um tabu, segundo especialistas.

Destacar suas habilidades pode contribuir para o sucesso no ambiente de trabalho, e se você está mudando de emprego, quer ser promovido ou mostrar ao seu chefe o que você vem conquistando, ser capaz de se autopromover com eficácia é uma vantagem.

Atualmente, a necessidade de saber “se vender” é indiscutivelmente maior do que nunca, à medida que as empresas afetadas pela pandemia de covid-19 avaliam o que precisam — e não precisam — para seguir adiante.

Isso é verdade sobretudo para alguns grupos. As mulheres, que tradicionalmente têm dificuldade em se autopromover, foram particularmente afetadas pela recessão causada pelo novo coronavírus, por exemplo.

Profissionais que estão trabalhando de casa também podem se beneficiar. Pesquisas mostram que eles sofrem com a falta de tempo presencial com os gestores, o que impacta negativamente na evolução na carreira.

“Se não investirmos tempo para demonstrar nosso valor, corremos o risco de não sermos considerados ‘necessários'”, explica Sword-Williams.

“O conteúdo que você publica sobre você é o que o torna conhecido — portanto, é essencial que você controle essa narrativa.”

Após a pandemia, a forma como nos autopromovemos pode ajudar a determinar se prosperamos no ambiente de trabalho ou permanecemos esquecidos em segundo plano.

Isso significa deixar de ficar melindrado e aprender a explicar seu conjunto de habilidades corretamente. Felizmente, é algo que todos nós podemos dominar.

A desigualdade de gênero na autopromoção

Em sua forma mais simples, a autopromoção é o ato de chamar a atenção para o seu trabalho e realizações.

Seja um post compartilhado no LinkedIn, uma troca de e-mail com seu chefe ou uma conversa com um contato importante, a autopromoção destaca suas conquistas com o objetivo de desenvolver uma marca pessoal, promover uma carreira ou se afirmar em sua área de atuação.

É uma habilidade importante tanto para alguém que está começando quanto para um CEO.

Talvez não seja surpresa, mas as evidências mostram que os homens se engajam mais na autopromoção do que as mulheres.

Um estudo de 2019 conduzido por dois acadêmicos americanos identificou uma “grande disparidade de gênero” nessa área.

Os pesquisadores pediram aos participantes que fizessem um teste de matemática e ciências e, em seguida, avaliassem seu desempenho.

Eles foram informados de que sua autoavaliação seria comunicada a um empregador, que usaria apenas esses dados para decidir quem contratar e quanto pagar.

Embora homens e mulheres tenham se saído igualmente bem no teste, os homens deram a si mesmos uma nota média de 61 em 100, enquanto as mulheres se deram 46.

“Vários estudos distintos mostram que os homens tendem a se ‘vangloriar’ de suas realizações quando questionados, enquanto as mulheres tendem a subestimar suas realizações e habilidades”, diz Annabelle Williams, autora do livro Why Women Are Poorer Than Men (And What We Can Do About It).

“Quando estão crescendo, as meninas são penalizadas socialmente por se gabar ou se comportar de forma assertiva. Palavras como ‘agressiva’ e ‘mandona’ são usadas apenas para descrever mulheres, enquanto o mesmo comportamento em homens é visto como demonstração de confiança e habilidade de liderança.”

Parte do problema, explica Sword-Williams, é que faltam exemplos femininos em cargos de chefia para nos dizer que não há problema em comemorar nossas vitórias.

“Como resultado, as mulheres sentem a necessidade de ser altamente competentes em alguma coisa antes de poder botar a boca no mundo. As mulheres também têm a ‘doença de querer agradar’, então, em vez de superestimar e entregar menos, elas preferem subestimar e esperar serem capazes de atingir o padrão exigido.”

É claro que algumas mulheres têm um talento natural para promover suas realizações, enquanto alguns homens sentem mais dificuldade.

Uma pesquisa recente também mostrou que mulheres mais jovens se sentem mais confortáveis ​​nesse quesito do que as mais velhas.

Mas a autopromoção também pode ter desvantagens. Passar a mensagem da forma (ou na plataforma) errada, pode ser considerado uma ostentação irritante, eliminando possíveis benefícios. Também pode não impressionar seu empregador, dependendo do tipo de personalidade dele.

No entanto, como a autopromoção criteriosa pode render dividendos, vale a pena colocar em prática, principalmente agora que muitos estão trabalhando relativamente isolados de casa.

Entrar em contato com um cliente importante ou abordar seu chefe sobre uma promoção pode parecer estranho quando você está se preparando para fazer isso atrás da tela do computador, e não pessoalmente — mas há riscos inerentes em não fazer nada.

“Precisamos abrir um espaço para a autopromoção na nossa rotina de trabalho”, explica Harriet Minter, autora do livro Working From Home: How To Build A Career You Love When You’re Not In The Office.

“Se não fizermos isso, corremos o risco de não sermos vistos e lembrados. Se for mais fácil, pense nisso como manter as pessoas atualizadas sobre o que você está fazendo. Se você estivesse gerenciando alguém, gostaria de saber o que a pessoa está fazendo, certo?”

Sword-Williams concorda: “Converse com seus chefes sobre como eles gostariam de ser atualizados sobre seu progresso. Ser proativo e passar essas informações economiza tempo e também fornece um histórico para ser consultado em avaliações de desempenho, por exemplo.”

“A pior coisa é ficar sentado esperando que tenham notado seu trabalho árduo — então, em um momento em que eles não podem ver isso fisicamente, cabe a você lembrá-los.”

Assim como qualquer nova habilidade, você precisa aprender, desenvolver e praticar a autopromoção até se sentir confortável em colocá-la em prática.

“Crie o hábito de conversar com seu chefe sobre suas aspirações de carreira no longo prazo”, aconselha Minter. “Não desanime com a ideia de que ‘agora não é um bom momento’. Em vez disso, olhe para o valor que você agregou para a empresa e faça seu pedido nesses termos.”

Minter sugere que o e-mail é o modo preferencial para compartilhar sucessos com seus empregadores.

“Você pode reservar um tempo para formular da melhor maneira possível e se certificar de incluir todos os detalhes que deseja. Veja se consegue criar o hábito de enviar pelo menos um por semana — quanto mais você fizer isso, mais fácil vai ser.”

Se você preferir algo mais sutil, considere se oferecer como um mentor, seja para colegas mais jovens ou para colegas da mesma área.

Compartilhar seu conhecimento e agir como uma caixa de ressonância para quem está começando é uma ótima maneira de mostrar as habilidades e a experiência que você acumulou.

Vale a pena ainda anotar suas realizações — não só vai ajudar a te lembrar dos seus talentos, como também vai oferecer pontos de referência rápidos se surgir uma oportunidade de discuti-los no ambiente de trabalho.

Garantir que qualquer presença digital reflita suas habilidades e conhecimentos de forma atualizada é uma obrigação, enquanto ficar de olho nos ‘anúncios de conquistas’ de outras pessoas no LinkedIn e no Twitter pode ajudar a determinar o estilo de ‘compartilhamento’ que te agrada ou não.

“Apenas evite a linha ‘#humblebrag'” (que pode ser traduzido como “falsa modéstia”)”, diz Sword-Williams. “Isso compromete imediatamente o propósito da autopromoção.”

Se o pensamento da autopromoção ainda faz você querer sair correndo, reformular a ideia de “se vender” na sua cabeça pode ajudar a superar essa hesitação inicial.

“Eu explico para muitas pessoas que é apenas uma forma de contar histórias”, afirma Sword-Williams.

“Você só tem que decidir como deseja contar sua história. Quando explicamos como alcançamos algo, isso permite que outras pessoas se sintam parte do processo — ou como se pudessem alcançar algo semelhante.”

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Fonte: G1