‘A fase mais difícil a gente está vivendo nesse momento’, diz dona de rede de lavanderias | Economia

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Depois de um ano “difícil e assustador” como foi 2020, a empresária Cláudia Mendes, de 55 anos, evitou depositar grandes expectativas sobre o ano novo. Dona de uma rede de lavanderias na Zona Sul do Rio, ela se resignou diante da crise provocada pela pandemia do coronavírus. Porém, não imaginava que 2021 poderia ser ainda pior.

“Eu achei que já teria passado a fase mais difícil, mas, ao contrário, ela chegou agora. A fase mais difícil a gente está vivendo nesse momento”, disse a empresária às vésperas de completar um ano do início da crise sanitária mundial.

Dona de uma rede de lavanderias na Zona Sul do Rio, a empresária Cláudia Mendes diz enfrentar pior fase da crise um ano após começo da pandemia — Foto: Daniel Silveira/G1

O G1 acompanhou ao longo de um ano as histórias de empreendedores que tentaram sobreviver à crise provocada pela pandemia do coronavírus e pelo fechamento dos negócios necessário para conter a disseminação da doença. Veja aqui o que os mesmos empresários contaram em abril; em maio; em julho; em setembro, em dezembro, e os novos depoimentos este mês:

Veja também o que Cláudia Mendes contou ao G1 nos meses anteriores:

Segundo Cláudia, o que foi a salvação para o seu negócio no ano passado, agora virou ameaça. Começaram a chegar as contas da ajuda oferecida pelo governo federal aos micro e pequenos empresários para auxílio financeiro e preservação de empregos. Isso acontece no momento em que “a empresa está 100% no vermelho” e que a crise provocada pela pandemia segue sem dar sinais de acabar.

Do pacote de auxílios oferecido pelo governo, a empresária contratou dois empréstimos – um a partir de uma linha emergencial para financiar o pagamento de salários, outro pelo Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe). Além disso, inseriu seis dos 18 funcionários no programa que permitiu a redução de jornada e suspensão do contrato de trabalho, cujo prazo terminou em dezembro e não foi renovado pelo governo federal.

Com a volta de todos os funcionários em janeiro, a folha de pagamentos de fevereiro voltou ao mesmo patamar de antes da pandemia. Junto a isso, começaram a vencer as parcelas dos empréstimos.

“Então, isso aí ficou totalmente inviável, visto que nada voltou a ser bom como era antes em termos de movimento. Nosso movimento não recuperou, as pessoas estão bem retraídas em termos de gastos. Muita gente diz pra gente que está evitando, que está economizando o máximo que pode, e lavando o estritamente necessário”, apontou Cláudia.

Empresa ‘100% no vermelho’

Segundo a empresária, o acréscimo das duas despesas – o salário integral dos seis funcionários que haviam sido suspensos ou reduzidos e as parcelas dos empréstimos – aumentaram os gastos fixos da empresa em cerca de 20%. Em contrapartida, o faturamento segue em torno de 50% do que era antes da pandemia.

“A gente imaginou que quando chegasse a hora de pagar a pandemia já teria passado. Mas ter que começar a pagar desse jeito, sem caixa? A empresa está 100% no vermelho. Desde que os funcionários voltaram eu não posso tirar pró-labore [retirada mensal que os sócios fazem de uma empresa]. Como eu sobrevivo sem renda pessoal?”, reclamou Cláudia.

Para tentar reduzir minimamente os gastos, Cláudia decidiu fazer um rodízio com os funcionários – um grupo trabalho um dia, no outro fica em casa. Isso não altera o salário da equipe, que será pago integralmente, mas reduz o gasto com auxílio transporte e alimentação.

“É uma forma que a gente encontrou de ter uma economia, mesmo que mínima. Além disso, a gente não tem demanda de serviço para todos eles. Nosso movimento segue muito baixo”, enfatizou.

Lavanderia espelha a economia

Cláudia disse não ter a mínima perspectiva de aumentar o faturamento no contexto atual. Ela explicou que a demanda pelos serviços de lavagem de roupa é condicionada ao funcionamento de outros serviços e que o movimento das três lojas da rede demonstra o quanto a pandemia ainda dificulta a retomada da atividade econômica.

“Nós dependemos da movimentação das pessoas. Que tenha festa, que tenha trabalho, que tenha fórum funcionando, para que as pessoas usem roupas mais sociais”, disse.

Fachada de uma das três lojas da rede de lavanderias Laundry Express, em Copacabana, da empresária Cláudia Mendes — Foto: Daniel Silveira/G1

Outra atividade econômica que segue quase paralisada pela pandemia é o turismo, principal motor da rede de lavanderias localizada entre os cartões postais da cidade mais turística do Brasil.

“Carnaval, que era uma época em que a gente faturava muito, esse ano não teve nada”, destacou.

Segundo Cláudia, o turista brasileiro, que já começa a circular pelo Rio de Janeiro, não tem hábito de lavar roupas durante a viagem, ao contrário dos estrangeiros que têm essa cultura, sobretudo os europeus.

“A falta de viagens dos nossos clientes moradores do Rio também, foi sentida. Não estamos lavando casados, roupas de viagens em geral, que era uma coisa que a gente lavava muito”, ressaltou.

Diante do atual contexto da crise econômica e sanitária, Cláudia se diz apreensiva com o caminho a percorrer em 2021.

“O que me deixa preocupada é que não estamos vendo uma luz no fim do túnel. Vai ser um ano ainda de pandemia. Não sei como a gente vai segurar”.

A empresária diz só ver uma forma de conseguir tocar a empresa com menos sufoco financeiro: o governo oferecer novo pacote de ajuda aos micro e pequenos empresários.

“Só vejo uma forma de nós conseguirmos superar isso: se a política do governo tiver algum benefício para dar para os empresários. Porque só a nossa força de vontade, a nossa coragem, não está sendo suficiente para ultrapassar isso”, afirmou.



Fonte: G1

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