A Ásia virou o novo mapa do mundo

A Ásia virou o novo mapa do mundoTalvez você tenha aberto as redes sociais recentemente e notado um novo padrão nos roteiros de viagem: comidas diferentes, paisagens exóticas e uma passagem para o outro lado do mundo. O turismo asiático tem ganhado cada vez mais tração nos planos de férias ao redor do mundo, com países do Oriente se sobressaindo em comparação com destinos mais clássicos como Nova York, Orlando e capitais europeias.

Se você achou que essa enxurrada de vídeos nos mercados de Seul, templos de Kyoto ou muralhas chinesas era apenas uma coincidência do seu algoritmo, o mercado financeiro e os grandes relatórios de tendências mostram que vai além… O mapa do turismo global está sofrendo a sua maior transformação geopolítica em décadas.

Segundo um estudo, a Ásia-Pacífico já é o principal motor do turismo internacional — e a previsão é que a região ultrapasse a Europa tanto em volume de viajantes quanto em gastos totais.

Para isso acontecer, alguém precisa perder espaço. Os cinco gigantes tradicionais do setor — França, Espanha, EUA, Itália e Turquia — devem ver sua fatia de mercado encolher de 26% para 18% nos próximos anos. Antes, atravessar o planeta exigia tempo, dinheiro e uma logística que espantava qualquer um. Com a flexibilização de vistos e a reabertura acelerada de fronteiras, essa barreira diminuiu.

Ok… Mas qual o motivo real desse movimento?

Tem um nome para isso, e ele não tem nada a ver com pontos turísticos: soft power. O consumo em massa de conteúdo orientais criou o fenômeno do set-jetting — viagens inteiras planejadas a partir do que a pessoa assiste na tela. As buscas por experiências de viagem ligadas a animes e mangás subiram 195% no último ano, e 70% dos viajantes na Ásia hoje admitem escolher destino com base no que consomem em streaming.

Cada país joga essa carta de um jeito diferente

🇨🇳 China: O país segue como o mais visitado da Ásia em números absolutos, com mais de 60 milhões de turistas internacionais por ano. O truque chinês é vender dois extremos na mesma viagem, pontos históricos como a Muralha e a Cidade Proibida de um lado, cidades hipertecnológicas do outro. Com a economia do turismo avançando quase 10% e o gasto de estrangeiros subindo na casa dos dois dígitos, a China se posiciona para liderar o turismo mundial até o fim da década.

Coreia do Sul: Se o turismo asiático tem uma cara jovem, ela fala coreano. A Coreia do Sul enfrenta um verdadeiro boom de turismo impulsionado pela Onda Hallyu — a exportação massiva de sua cultura pop. O país bateu recordes históricos no volume de turistas brasileiros em 2025. As pessoas vão até a capital Seul para fazer peregrinações em locais de gravação de doramas, cafés temáticos de k-pop e conhecer produtos da indústria de beleza e cosméticos coreana — a K-Beauty.

Japão: O país bateu 3,62 milhões de turistas em um único mês (março), depois de fechar 2024 com 37 milhões de visitantes e estourar a meta de 40 milhões em 2025. A meta agora é 60 milhões até 2030. Parte disso vem da seichi junrei, as “peregrinações de anime”: a proporção de turistas estrangeiros que viajam ao Japão atrás de locais ligados a animes quase dobrou desde antes da pandemia.

O preço de ser um o local “cool” do momento

Toda essa movimentação gerou o inevitável: o turismo excessivo, chamado de overtourism. Cidades tradicionais e pontos de fazer aqueles stories começaram a sofrer com a superlotação, obrigando os governos locais a adotarem medidas de contenção para blindar suas infraestruturas e acalmar os moradores.

No Japão, por exemplo, o mercado começou a adotar sistemas de preço duplo, onde turistas estrangeiros pagam taxas mais salgadas em restaurantes, museus e templos do que os residentes locais. Além disso, locais hiper-saturados, como as trilhas do Monte Fuji, agora contam com limites diários estritos de visitantes e cobrança de bilheteria para frear o impacto ambiental.

Mesmo assim, o movimento prova que o turismo está mudando de direção. A Ásia deve se consolidar como a região de turismo mais dinâmica do planeta, com a contribuição direta do setor ao PIB asiático superando 7% em nove anos. Para se ter uma ideia do tamanho desse ecossistema, a Índia e a China sozinhas devem responder por mais de 25% de todas as viagens internacionais de saída até 2030.