99 vai pedir ajuda de motoristas para definir áreas consideradas de risco | Tecnologia

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A empresa de transporte por aplicativo 99 anunciou nesta quarta-feira (26) que vai contar com motoristas para determinar as áreas consideradas de risco em todo o Brasil. As opiniões dos parceiros serão levadas em conta para o serviço apresentar um mapa dinâmico com regiões críticas.

A plataforma já utiliza estatísticas de secretarias de Segurança Pública e registros de outras corridas para indicar as áreas com menos segurança. Agora, as observações dos motoristas também têm peso para incluir alertas em certos locais.

No final de uma corrida, eles podem indicar se consideram ou não que há riscos no local de desembarque. O registro será cruzado com informações de órgãos de segurança e ocorrências no app para ajudar outros parceiros a decidirem se aceitam uma corrida na região.

Em 2019, o G1 mostrou as restrições dos aplicativos de transporte para moradores de bairros da periferia de São Paulo. Em teste realizado naquela ocasião, os serviços demoraram para oferecer um carro ou sequer estavam disponíveis em regiões como Brasilândia e Heliópolis.

Em 2019, G1 percorreu regiões em que moradores não têm acesso pleno a apps de transporte

Em 2019, G1 percorreu regiões em que moradores não têm acesso pleno a apps de transporte

Segundo a 99, o recurso começou a ser testado em abril e está sendo levado para todos. A empresa informou que, em um mês de testes, 382 mil motoristas enviaram suas contribuições. A plataforma conta, ao todo, com 750 mil condutores cadastrados.

“Estamos trazendo o motorista para compor junto com a gente quais são essas áreas de risco”, afirmou o diretor de segurança da 99, Thiago Hipólito. “A classificação vai se somar a todas as informações e estatísticas, e vai refletir no desenho final dessa solução”.

99 anunciou novos recursos de segurança para motoristas — Foto: Reprodução

Mapa dinâmico de áreas de risco

Junto com a colaboração dos motoristas, o serviço mudou a forma como classifica as áreas de risco. Agora, os parceiros serão apresentados a um mapa dinâmico, isto é, que classifica se um local é perigoso com base em critérios como o horário.

A avaliação da empresa é que uma região pode ter níveis de segurança diferentes de acordo com a situação. O objetivo é usar o conhecimento dos condutores sobre determinados locais para indicar com precisão se a área exige mais atenção.

“A informação do motorista nos ajuda a desenhar com bastante ênfase esse tipo de situação. Não existem mais áreas de risco tão estáticas como eram no passado. Uma região pode ser considerada área de risco, mas, em um horário de que está mais movimentada, pode não ser”, disse Hipólito.

Nas áreas consideradas de risco, a 99 permite que motoristas recusem corridas sem serem penalizados. A empresa afirma que não bloqueia regiões com base nas informações de segurança.

Validação de passageiros

Para confirmar a identidade dos passageiros, a 99 informou que vai ampliar sua validação. Em alguns casos, os clientes deverão responder a um questionário sobre informações pessoais para comprovar no aplicativo que são, de fato, quem indicam ser.

As perguntas serão elaboradas a partir da base de dados da empresa de análise de crédito Serasa Experian. Os passageiros poderão indicar, entre as alternativas apresentadas, qual o nome da mãe, a data de nascimento, o banco em que têm conta ou o vencimento do cartão de crédito, por exemplo.

Se as respostas estiverem corretas, a Serasa Experian vai liberar o acesso para o cliente iniciar uma corrida pela 99. A empresa de transporte afirmou que não terá acesso aos dados e que receberá apenas uma confirmação de que o passageiro foi aprovado no processo.

A companhia também passará a solicitar a digitalização de RG. Com ele, os passageiros terão que enviar uma foto do documento usando a câmera do celular. Em seguida, o sistema verifica se ele é autêntico e coleta os dados, dispensando a necessidade de digitar os números no cadastro.

As novas exigências fazem parte de uma iniciativa de segurança da 99. A empresa informou ter um investimento de R$ 35 milhões na área no último ano levou à redução de 29% na quantidade de ocorrências graves entre janeiro e dezembro de 2020.

A validação com perguntas a partir de bases de dados da Serasa Experian será implementada no aplicativo em junho. Já o recurso de digitalização do RG será liberado em julho.



Fonte: G1