Robôs no chão de fábrica: dona da Massey Ferguson anuncia teste de humanoides para 2027

Robôs no chão de fábrica: dona da Massey Ferguson anuncia teste de humanoides para 2027Enquanto fabricantes preparam testes, uma operadora logística relata mais de 100 mil movimentações de caixas realizadas pelo mesmo modelo de robô.

A AGCO, grupo de máquinas agrícolas que reúne marcas como Massey Ferguson e Valtra, anunciou em 20 de outubro um acordo com a Agility Robotics para testar o robô humanoide Digit. O projeto deverá começar em 2027, na fábrica de Hesston, no Kansas, nos Estados Unidos.

As primeiras atividades previstas são separar e empilhar peças, além de posicionar caixas para armazenamento. Segundo as empresas, a proposta é automatizar tarefas repetitivas e fisicamente exigentes, melhorar a ergonomia e permitir que funcionários se concentrem em atividades de maior qualificação.

O movimento ganhou outro anúncio em 26 de outubro. A operadora logística GXO informou que ampliará sua parceria com a Agility para levar o Digit a duas unidades americanas, em Statesville, na Carolina do Norte, e Lebanon, no Tennessee. O início dessas operações está previsto para os primeiros meses de 2027.

A GXO já utiliza o humanoide em Flowery Branch, na Geórgia, sob um acordo comercial firmado em junho de 2024. Segundo a companhia, o robô realizou mais de 100 mil movimentações de caixas nessa instalação, onde atua junto a outros equipamentos de automação e coloca recipientes em esteiras.

Também em 26 de outubro, a Agility informou que três outros clientes da indústria participam de programas pagos voltados a necessidades específicas de fabricação. A empresa descreveu os participantes como uma montadora, uma fabricante de tecnologias e componentes automotivos e uma companhia de bens de consumo. Os nomes foram mantidos em sigilo. A possibilidade de ampliar esses projetos depende das etapas de desenvolvimento e validação.

Para avaliar até onde a tecnologia consegue chegar, o instituto alemão Fraunhofer IPA desenvolveu um modelo de comparação independente de fabricantes. A ferramenta considera cinco níveis de maturidade e quatro áreas: mobilidade, manipulação de objetos, cognição e segurança. O objetivo é ajudar empresas a examinar a adequação técnica e econômica dos humanoides a tarefas industriais e logísticas.

A leitura desse modelo indica que a aparência humana, sozinha, oferece pouca informação sobre a utilidade de um robô. Para uma aplicação concreta, é preciso avaliar suas capacidades diante das exigências de cada tarefa.

Os anúncios empresariais consultados não apresentam um balanço de postos de trabalho criados ou eliminados pelos projetos. Dessa forma, não permitem quantificar o efeito dessas iniciativas sobre o emprego.

No caso da AGCO, o comunicado não informa quantos robôs participarão do piloto nem estabelece uma data para implantação no Brasil. Os resultados dependerão da realização do teste.