Atravessada diariamente por milhares de moradores e visitantes, a Ponte Feliciano Sodré é muito mais do que uma ligação entre bairros de Cabo Frio. Próximo de completar 100 anos no dia 14 de julho, a estrutura que atravessa o Canal do Itajuru se consolida não apenas como uma obra de engenharia, mas como um dos maiores símbolos da identidade cabo-friense.
Ao longo desse caminho, a ponte acompanhou o crescimento da cidade, testemunhou transformações urbanas e econômicas e se tornou parte da paisagem afetiva de quem vive ou já viveu em Cabo Frio. Para o historiador Acioli Júnior, a importância da Ponte Feliciano Sodré vai muito além do concreto que sustenta sua estrutura. “Essa é uma ponte maravilhosa, que marca a história da cidade e representa um grande marco da engenharia nacional”, destaca.


Inaugurada em 14 de julho de 1926, a ponte foi construída em um momento em que Cabo Frio buscava fortalecer suas ligações e impulsionar a economia baseada principalmente na produção de sal. Na época, a obra chamou atenção em todo o país. O projeto foi executado pela empresa dinamarquesa Christiani & Nielsen, já que o Brasil ainda não possuía a tecnologia necessária para construir uma estrutura de concreto armado com um grande vão livre, sem pilares no meio do canal.
Segundo Acioli, a relevância da obra era comparável a outros grandes empreendimentos brasileiros da década de 1920. “Ela chegou a ser a maior ponte brasileira de vão livre até aquele momento, ficando atrás da Ponte da Amizade, que faz ligação entre o Brasil e o Paraguai. Era uma obra extremamente moderna para o seu tempo”, explica.


Uma cidade dividida por seis anos
Pouca gente sabe, mas antes da atual estrutura existia outra travessia no local. Conhecida como Ponte Miguel de Carvalho, Ponte Itajuru ou simplesmente Ponte de Ferro, ela foi inaugurada em 1898 e desempenhou papel fundamental na ligação entre as duas margens do canal. Em 1920, porém, parte da estrutura desabou, interrompendo a passagem e criando dificuldades para moradores e comerciantes.

Durante seis anos, a cidade conviveu com a ausência de uma ligação permanente entre os dois lados do canal, situação que só foi resolvida com a inauguração da Ponte Feliciano Sodré. “Até 1926, Cabo Frio ficou sem uma ponte para a travessia. A construção da Feliciano Sodré encerrou esse período e mudou definitivamente a dinâmica da cidade”, conta o historiador.
Uma ponte que cresceu junto com Cabo Frio
Quando foi inaugurada, a ponte possuía apenas uma pista. O trânsito era alternado entre os sentidos, algo difícil de imaginar para quem vê hoje o intenso fluxo diário de veículos. A duplicação só ocorreu em 1982, durante o primeiro mandato do então prefeito José Bonifácio (1945 – 2023), acompanhando o crescimento urbano e populacional de Cabo Frio.
Mesmo com as mudanças ao longo das décadas, a estrutura preserva características que a transformaram em um dos patrimônios mais reconhecidos do município. Não por acaso, ela segue sendo cenário para fotografias, cartões-postais e lembranças de diferentes gerações.
O nome da ponte homenageia Feliciano Sodré, presidente do Estado do Rio de Janeiro — cargo equivalente ao atual governador — entre 1923 e 1927. A homenagem foi concedida porque a obra foi realizada durante sua gestão.
Um centenário para celebrar a memória da cidade
As comemorações pelos 100 anos da Ponte Feliciano Sodré começam nesta sexta-feira (3), reunindo cultura, música e história em uma programação preparada para valorizar um dos principais patrimônios de Cabo Frio. A abertura será realizada no Largo do Canal do Itajuru, em frente à estátua do pescador, com apresentações de corais brasileiros e sul-americanos, além de intervenções históricas que vão relembrar a trajetória da ponte e sua importância para a cidade.
Programação
Local: Largo do Canal do Itajuru, em frente à estátua do pescador
Horário: A partir das 14h do dia 14 de julho, terça-feira
14h00 – Solenidade de abertura com autoridades e o historiador José Gonçalves;
14h30 – Apresentação do Hino de Cabo Frio com o Coral da Melhor Idade;
14h45 – Intervenção histórica com o historiador Guilherme Guaral;
15h00 – Apresentação do Coral Coro de la Ciudad de Posadas (Argentina);
15h20 – Intervenção histórica com Guilherme Guaral;
15h30 – Apresentação do Coro Municipal Ángel Mario Spoto (Argentina);
15h50 – Intervenção histórica;
16h00 – Apresentação do Grupo Vocal Teatral Murga Al fin y Al Cabo (Uruguai);
Fonte: Fonte Certa







