Pesquisa inédita revela que cada brasileiro joga em média 16 kg de plástico no mar por ano

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O lixo plástico, encontrado com frequência nas praias brasileiras, ganhou destaque mundial na última semana após uma pesquisa inédita revelada durante a Conferência dos Oceanos das Nações Unidas (ONU) em Lisboa, Portugal, apontar que cada brasileiro joga em média 16 kg de plásticos no oceano ao ano.

Criado há quase um século, o plástico, um dos materiais mais utilizados no mundo, é fonte de um enorme problema ambiental.

A pesquisa ‘Oceano sem mistérios: a relação dos brasileiros com o mar’ revela que 3,44 milhões de toneladas do material não reutilizado são propensas ao escape para o ambiente, ou um terço do plástico produzido em todo o Brasil corre o risco de chegar ao oceano todos os anos.

O cálculo mundial é de 150 milhões de toneladas de plástico circulando hoje no oceano. Isso equivale a um caminhão de lixo cheio de plástico sendo jogado no mar por minuto. Em 2050, o número poderá dobrar.

Ainda segundo a pesquisa, apenas 34% dos brasileiros entendem que suas ações podem afetar os oceanos.

O estudo identificou que, na Região Sudeste, o problema é mais preocupante nas cidades de São Paulo, Praia Grande, Santos, Rio de Janeiro, Niterói e Vitória.

Região dos Lagos do Rio

O Projeto Mar Sem Lixo realiza um trabalho de conscientização e educação ambiental, identificação e controle do lixo marinho através de mutirões de limpeza nas praias da Região dos Lagos.

“Estamos avançando na educação ambiental das cidades da Região dos Lagos. Existe uma preocupação com isso hoje que não existia antes. O principal vilão dos oceanos é o plástico de uso único. 40% dos plásticos que estão no oceano são sacolas plásticas de supermercados, canudos, copos descartáveis, embalagens de quentinhas, copo de guaraná natural e garrafa de energético, por exemplo”, conta Roberto Ramos, fundador do Projeto Mar sem Lixo.

Em Cabo Frio, o Dia Mundial dos Oceanos, celebrado no início do mês passado, foi marcado por uma ação ambiental na Praia do Forte.

A ‘Marcha pelos Oceanos’, promovida pela ONG, reuniu cerca de 200 pessoas na orla da praia com o objetivo de chamar atenção sobre a conservação dos ambientes marinhos.

Passeata foi realizada em junho para celebrar o Dia Mundial dos Oceanos | Foto: Divulgação/ ONG Mar sem Lixo

Em abril deste ano, foi lançada em Arraial do Cabo a Campanha ‘Mares Limpos’, com o objetivo de promover a conscientização da população e dos turistas para o combate ao lixo marinho e a poluição por plásticos.

“Precisamos entender a importância dos oceanos para a nossa sobrevivência e como ele influencia em nossa economia, já que somos uma cidade turística”, destaca Jorge Oliveira, Secretário do Ambiente e Saneamento.

Em setembro do ano passado, mais de 89 kg de lixo foram recolhidos durante um mutirão de limpeza realizado pelo Projeto Albatroz, no entorno da Lagoa de Araruama.

Metade deste total foi apenas de materiais plásticos, como sacolas, embalagens, garrafas, tampas e copos. A ingestão de plástico é hoje uma das principais ameaças à sobrevivência de aves oceânicas como os albatrozes e petréis, além de mamíferos e tartarugas marinhas.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o plástico mata cerca de 100 mil espécies marinhas por ano.

O outro problema é que, com a ação das ondas, os plásticos grandes se tornam microplásticos, o que é ainda mais complicado de ser removido.

O biólogo Eduardo Pimenta explica que parte das embalagens plásticas descartadas indevidamente no solo e chegam ao mar podem parar também no organismo humano:

Os impactos são profundos e ainda estão sendo estudados de uma forma mais ampla. As embalagens plásticas lançadas indevidamente no solo pelos seres humanos chegam aos rios e lagoas e têm como destino final o oceano. Com o tempo, o plástico se decompõe em microplásticos, os animais marinhos acabam ingerindo naturalmente, gerando problemas não apenas para eles, mas também para toda a cadeia alimentar.

O biólogo finaliza com um alerta preocupante:

Hoje, diversos pescados consumidos pela humanidade possuem essas partículas em seu tecido. Esses materiais já são identificados na circulação sanguínea dos seres humanos.

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