OPINIÃO – Cristiane Fernandes: “12 de Maio – Dia do Enfermeiro. Uma categoria em colapso!”

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EMPRESÁRIA, ADMINISTRADORA, GERONTÓLOGA E GESTORA PÚBLICA

“Juro dedicar minha vida profissional a serviço da humanidade, respeitando a dignidade e os direitos da pessoa humana, exercendo a Enfermagem com consciência e dedicação, guardando sem desfalecimento os segredos que me forem confiados”.

Sim. Essa é a primeira parte do JURAMENTO DO ENFERMEIRO, quando aquelas pessoas que vão iniciar a sua jornada, cheias de sonhos e de esperanças, vibram ao entonar cada uma dessas palavras. Os olhos fixos no futuro. A mão direita levantada. O coração acelerado! Daí vem a realidade da rotina das enfermarias: cenários de desolação e desesperança, especialmente na rede pública de saúde em Cabo Frio. Mas, mesmo assim elas (e eles) não hesitam em seguir em frente, confiantes em dias melhores (e principalmente quem trabalha no serviço público, que a população escolha políticos melhores).

Os últimos anos em Cabo Frio, para a enfermagem do serviço público – e para todas as demais categorias que trabalham nas unidades de saúde da cidade – têm sido DESESPERADORES. Todos os dias, recebemos dezenas de chamadas, de mensagens no whatsapp, de e-mails de profissionais desesperados, desmotivados, estressados, DOENTES. As denúncias são sempre as mesmas: perseguição, assédio moral, coação, ameaças, isso sem contar as reclamações de salários atrasados, incompletos, os cortes de direitos e de garantias constitucionais.

Reduziram em 48 horas as jornadas de descanso do pessoal da enfermagem, atropelando todos os acordos coletivos de trabalho, as leis e a decência no serviço público. Isso é IMORAL, mesmo que não seja ILEGAL (o que eu tenho minhas dúvidas). Falando em imoralidade, a marca registrada desse desgoverno de Cabo Frio, não se paga insalubridade há anos para os servidores da saúde. Não há isonomia salarial, muito menos agora. Não há adicional noturno, não há esperança de mudança, nem equipamentos de proteção individual, nem insumos. Muitas das vezes, os servidores trazem de casa ou compram itens necessários para minimamente poderem trabalhar.

Mas mesmo assim, eles seguem de cabeça erguida, como diz a segunda parte do juramento: “respeitando a vida desde a concepção até a morte, não participando voluntariamente de atos que coloquem em risco a integridade física e psíquica do ser humano, mantendo elevados os ideais da profissão, obedecendo os preceitos da ética e da moral, preservando sua honra, seu prestígio e suas tradições”. Por isso, eu deixo aqui o meu MUITO OBRIGADO e renovamos a promessa de que dias melhores virão, porque depende de cada um de nós NOS JUNTARMOS para que essa transformação seja real. SALVE O 12 DE MAIO. Hoje e sempre!

©Plantão dos Lagos
ACESSE: Cristiane Fernandes
Fotos: divulgação