O abismo social de Cabo Frio em que mais de 10 mil famílias têm renda menor que R$ 0,89

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Enquanto as famílias cabofrienses se acotovelam e se aglomeram na esperança de conseguir uma minguada cesta básica oferecida pela Prefeitura de Cabo Frio, segundo as denúncias entregues sem nenhum critério em que muitas pessoas que realmente precisam ficam sem oi benefício (como mostrou essa semana a reportagem do Plantão dos Lagos – CLIQUE AQUI PRA VER), o dinheiro da Assistência Social continua entrando nas contas da Prefeitura da cidade, como mostra o portal da transparência do Ministério da Cidadania.

O site revela dados sobre a organização do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) na cidade e mostra os valores que já foram depositados nas contas de Cabo Frio (CLIQUE AQUI PARA ACESSAR O RELATÓRIO), embora o prefeito Adriano Moreno adore negar essas informações e chamar de Fake News. Só nesse mês de maio, por conta das ações referentes ao combate ao novo coronavírus, a Assistência Social do município recebeu R$ 816.156,73, sendo mais de R$ 154 mil para ações de acolhimento; R$ 153.870,00 para alimentos e mais de R$ 151 para equipamentos de segurança (EPI).

Acolhimento é o que não vemos em Cabo Frio nos últimos meses. Como o Plantão dos Lagos já denunciou por várias vezes, um grupo de cerca de 10 pessoas em situação de rua, que por mais de 20 dias moraram embaixo de uma árvore na Praia do Forte, no início da pandemia, agora, por mais de duas semanas, moram na calçada (com direito a sofá, fogão no chão, colchões e outros acessórios que ficam o dia inteiro no local) na parede lateral da obra abandona da quadra da Escola de Samba Antiga Abissínia, na Vila Nova (VEJA O VÍDEO NO FIM DESSA MATÉRIA)

DADOS SOCIAIS DE CABO FRIO SÃO ESTARRECEDORES

Os índices sociais de Cabo Frio são alarmantes e preocupantes, levando-se em consideração que há décadas o município nadou nos royalties do petróleo, recursos que viu minguar de 2016 para cá, e ainda mais agora na pandemia do novo coronavírus. E a cidade não se modernizou, não achou a sua vocação, não atraiu indústrias e investimentos e só viu crescer o número de pessoas na miséria, entregues à própria sorte e à sórdida política coronelista da compra de votos com cestas básicas, subempregos, “rachadinhas” etc.

As mesmas castas políticas que governam a cidade há mais de 40 anos, apenas se locupletando e revezando no poder, são principais responsáveis por esses índices. Hoje, por conta da falta de seriedade em pensar a Cabo Frio que queremos para o futuro, acumula-se na cidade 22.513 FAMÍLIAS que vivem em risco social, inscritas pelo município no CadÚnico do Governo Federal. Isso sem contar aqueles que não aparecem nessa lista, como o pessoal que mora ali naquela esquina do Braga, na calçada.

Ainda de acordo com o Ministério da Cidadania, conforme os dados informados pela Prefeitura de Cabo Frio, quase 18 MIL FAMÍLIAS na cidade tem ganhos médios inferiores a meio salário mínimo. Desse total, são mais de 10 MIL E QUINHENTAS FAMÍLIAS (10.539) em extremo risco social, com ganhos que não chegam a R$ 0,89. Depois, 2.865 famílias com ganhos médios de R$ 0,89 a R$ 178,00 e 4.580 famílias com ganhos de R$ 178,00 até meio salário mínimo mensais.

E mesmo assim, do total de cadastrados no CadÚnico, apenas metade recebe os benefícios do governo (11.199 FAMÍLIAS), com benefício médio mensal de R$ 161,12. De acordo com o ministério da Cidadania, desse total, em número de indivíduos são 32.756 pessoas (12,59% da população), sendo 5.865 pessoas em superação da extrema pobreza; 1.554 jovens, além de 186 nutrizes e 202 gestantes, conforme os dados do mês de maio/2020.

E ONDE FOI PARAR O DINHEIRO DO RESTAURANTE POPULAR?

No Jardim Esperança, foi montada uma unidade do Restaurante Popular. A previsão da inauguração era março de 2013, mas a obra nunca foi concluída, nunca foi inaugurada, nunca atendeu a população, e virou manchete das páginas policiais recentemente quando foi relatado um caso de estupro que aconteceu dentro do prédio abandonado. Não há fiscalização desses valores que entram nos cofres do município, fiscalização essa que caberia à Câmara de Vereadores que parece mais preocupada com FAKE NEWS do que com exercer o seu papel fundamental na estrutura democrática.

No mesmo portal onde constam todos os repasses para a Prefeitura de Cabo Frio para serem aplicados na assistência social – só do Bolsa Família R$ 21,4 milhões em 2019 e R$ 8,9 milhões em 2020 – consta também o repasse de R$ 1,4 milhão para a obra do Restaurante Popular de Cabo Frio, em que ainda consta-se que a unidade está “em instalação”. De acordo com o Sistema de Convênios do Governo Federal (SICONV) o dia 26 de junho de 2016 – ou seja há praticamente quatro anos – seria a “data fim da execução” conforme o cronograma do convênio n° 705747/2009 celebrado com pela Prefeitura de Cabo Frio com o Governo Federal,

De acordo com o SICONV, o valor para a construção da unidade foi de R$ 2.310.920,17 (dois milhões, trezentos e dez mil, novecentos e vinte reais e dezessete centavos) sendo R$ 1.400.000,00 (um milhão e quatrocentos mil reais) da União e R$ 812.620,17 (oitocentos e doze mil, seiscentos e vinte reais e dezessete centavos) provenientes da Prefeitura de Cabo Frio, além de mais R$ 98.300,00 (noventa e oito mil e trezentos reais) referente ao valor de rendimentos da aplicação. Todos os valores já foram quitados por ambas as partes. Agora, quase quatro anos depois, o prédio já totalmente deteriorado continua abandonado. Até o fechamento dessa reportagem a Prefeitura de Cabo Frio não havia se manifestado sobre o assunto. Continuamos aguardando pelo plantaodoslagos@gmail.com.

MORADORES DE RUA TÊM APARTAMENTO MONTADO NA CALÇADA EM CABO FRIO: QUARTO, SALA, COZINHA E BANHEIRO. VEJA NO VÍDEO A SEGUIR!

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©Plantão dos Lagos
Fonte: Redação / Plantão
Fotos: divulgação