Novo aumento do diesel pode deixar Região dos Lagos sem transporte

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Quem depende de ônibus para se locomover, deve ligar o alerta. É que nesta terça-feira (10) a Petrobras reajustou o preço do óleo diesel pela terceira vez somente este ano. À Folha, o Sindicato das Empresas de Transporte da Costa do Sol e Região Serrana (Setransol) informou que esse novo aumento agrava ainda mais a crise que assola o setor do transporte coletivo de passageiros. Em 1º de janeiro, o preço do litro do diesel comum nas refinarias era de R$ 3,34. No dia 12 do mesmo mês, passou para R$ 3,61. Em março o valor subiu para R$ 4,51, e agora chegou a R$ 4,91. Em quase cinco meses, o aumento nas refinarias chega a 47%. Nas bombas, o valor do diesel comum, em janeiro, era em média de R$ 5,77. Neste mês de maio, segundo um levantamento divulgado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) antes deste novo reajuste, o valor médio já era de R$ 6,63/litro.


A Setransol é a entidade que representa nove empresas que atendem cerca de 16 municípios no interior do Estado do Rio de Janeiro. Em nota à Folha, eles informaram que o anúncio e a efetivação de mais um aumento do óleo diesel em 8,9% “esgotam alternativas e provocam o grave risco de racionamento de combustível através da redução de ônibus nas áreas atendidas pelas empresas”. O sindicato destacou, também, que os operadores já consideram reduzir a quantidade de ônibus “para adaptá-la à difícil realidade financeira que engloba o sistema de transporte coletivo”. 


– As empresas se veem obrigadas a promover uma redução de frota em horários de menor movimento durante a manhã, tarde e noite, e também nos finais de semana para priorizar a manutenção do serviço. A medida visa impedir o colapso dos sistemas de transporte a curto prazo, estes que são responsáveis pelo deslocamento diário de milhares de pessoas que dependem diretamente dos ônibus e os têm em muitos casos como único meio de transporte – informou a Setransol.


Na nota, o sindicato também criticou o que chama de “inércia dos governos municipais, estadual e federal” que, segundo a entidade, tem provocado o acúmulo de prejuízos nas contas das concessionárias, “pois os custos operacionais estão em constante crescimento, tendo o diesel como principal custo das empresas de ônibus, representando uma fatia de cerca de 33% do total”. 


O Setransol ressaltou que a ausência de medidas efetivas também gera impacto na segurança pública, denunciando que “milícias têm se instalado em áreas que o sistema de transporte já tem demonstrado deficiência no atendimento, ameaçando a população que se vê obrigada a utilizar um serviço clandestino, sem regulamentação e operado por grupos criminosos”.


– De forma emergencial, é de extrema necessidade que o poder público adote medidas que garantam a continuidade de um serviço essencial para o desenvolvimento e a economia do interior do Estado do Rio de Janeiro – concluiu a nota enviada à Folha.


Assim como o Setransol, os sindicatos Setrerj, Setransduc e Transônibus, que representam as empresas de ônibus que circulam em dez municípios da Baixada Fluminense e em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá e Tanguá, também afirmam que há um risco iminente de falta de transporte público coletivo para a Região Metropolitana do Rio. Eles alegam que este terceiro aumento em tão pouco tempo obrigará as empresas a fazerem reduções na operação e adaptar a frota em circulação à capacidade financeira, com racionamento de combustível e priorização de serviços e linhas de ônibus em horários de maior movimento.

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Fonte: Folha dos Lagos