Mulher sofre assédio sexual dentro de ônibus e passageiro expulsa suspeito do coletivo no RJ | Região dos Lagos

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Uma jovem de 25 anos denunciou que foi vítima de assédio sexual dentro de um ônibus da linha B460, que faz o trajeto Bacaxá x Saquarema na segunda-feira (20) em Araruama, na Região dos Lagos do Rio.

Após o abuso, um passageiro expulsou o suspeito do coletivo. Uma passageira que não quis se identificar registrou em um vídeo curto o momento em que o passageiro, que aparece de casaco branco, chuta o suspeito para fora do veículo. (assista no vídeo acima).

A vítima do abuso, Laryssa Costa, é microempresária no ramo de confeitaria e professora. Ela contou ao g1 que estava sonolenta e o homem sentou ao lado dela. Segundo a vítima, ele passou a mão na parte interna da coxa dela. Então ela acordou assustada e o homem disfarçou.

“Eu fingi que nada aconteceu e fingi que tinha voltado a dormir para ver se era coisa da minha cabeça e se ele faria de novo. Ele foi lá e fez, mais intenso ainda. Foi quando gritei com ele”, relata.

Ela disse que a única reação que teve foi gritar bastante e que a reação dos outros passageiros foi assistir. Com exceção de apenas um homem que estava no ônibus, se preocupou e expulsou o suspeito do coletivo.

“Ele quis saber como eu estava e tentou me acalmar enquanto todos apenas olhavam. Após o ocorrido, o motorista seguiu, os passageiros fingiram que nada aconteceu e pronto”, disse Laryssa em uma rede social.

Homem é expulso de ônibus por passageiros após assédio a mulher

Ao g1, Laryssa contou nunca tinha passado por isso e foi muito difícil ver que tinha mulheres dentro do ônibus fingindo que nada aconteceu.

“Eu fui abusada em um ônibus e de 50 passageiros, apenas um realmente me ajudou. Os outros 49 só seguiram o caminho sem nem sequer me perguntar se eu estava bem”, disse.

A empresa responsável pela linha, a Viação Montes Brancos, informou que foi notificada sobre a ocorrência do assédio no interior de um dos coletivos e efetuou todo o protocolo exigido pela legislação vigente.

Em nota, a empresa disse que lamenta profundamente o ocorrido e repudia toda e qualquer forma de assédio, importunação ou desrespeito à mulher. A empresa disse, ainda, que se solidariza com a cliente e informa que as imagens de monitoramento do veículo estão à disposição da vítima e das autoridades para colaborar com a investigação.

No dia seguinte ao ocorrido, Laryssa foi até a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Cabo Frio, mas foi orientada a procurar a delegacia de Araruama, cidade onde o crime aconteceu.

Ao procurar a delegacia de Araruama para registrar o crime, a jovem disse que não havia nenhuma policial mulher para atendê-la e reclamou do caso ter sido tratado pelos policiais como algo corriqueiro.

Imagens foram enviadas pela vítima a familiares em um aplicativo de mensagem — Foto: Arquivo Pessoal

Ela diz ainda que tinha provas do ocorrido, como mensagens e fotos que mandou para família e o vídeo do homem sendo expulso do ônibus e que os policiais pediram para que ela comprasse um pendrive para anexar as provas e entregar para a polícia.

Em um vídeo nas redes sociais, Laryssa relata, indignada, que teve que pagar R$ 45 para provar o abuso.

“Eu fui tão destratada. Hoje eu entendo porque tem mulheres que não denunciam abuso. E quem não tem dinheiro pra comprar um pendrive? Simplesmente não entregar as provas?”, diz a jovem.

O g1 também entrou em contato com a Polícia Civil a respeito das investigações e alegações da jovem e ainda não teve um retorno.

Fonte: G1