Jovem carioca reúne experiências afetivas e sexuais em livro de poesia

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Uma viagem alucinante sob o caos constante. É assim que o jovem autor Bento Verboto define sua primeira e tão sonhada obra, tão intensa quanto transparente, “Odisseia erótica” (Sophia Editora), que terá lançamento oficial neste sábado, dia 14, das 18h às 21h, na Casa Naara, no bairro das Laranjeiras, no Rio.

Hoje Bento, o autor é nascido como Lucas, tem 23 anos, é carioca, gay, estudante de Publicidade, artista e muito bem resolvido. As experiências amorosas e sexuais vivenciadas ao longo da sua vida foram transformadas em poemas no livro, uma verdadeira mala afetiva carregada de desejos e obscenidades.

O gosto pela escrita começou na infância, quando convertia sentimentos ainda desconhecidos em rabiscos. “Comecei a escrever desde muito pequeno quando me sentavam na igreja e, na Bíblia, como um sacrilégio despercebido, eu rabiscava o que hoje chamo de ilustrações e dava palavras que aprendia a sentimentos que não entendia, que hoje condenso em poesia.”

Sem medo de experimentar os prazeres da vida e se arriscando constantemente pela poesia, Bento também mostra no livro que não tem qualquer temor, e porque não pudor, de compartilhar as alucinações amorosas que o construíram ou o destruíram por algum momento.

A ideia é que o leitor sinta o êxtase de cada relação vivenciada por ele. Não é à toa que Bento, inclusive, sugere trilhas sonoras em muitas das poesias contidas no livro. As recomendações passam por Chico Buarque (Essa Moça Tá Diferente), Baden Powell (Tristeza), August Eve (You Already Know) e The Cranberries (Linger).

Bento explica que o livro tomou forma durante a pandemia, combinando sua paixão pela escrita ao vício em fazer playlists – ele criou mais de 290 somente em 2021, cada playlist com um objetivo diferente.

“A Odisseia ganhou forma, traços, nomes e estilos a partir do início da pandemia. Naquele caos sem direção, precisava escrever e ilustrar cada dia mais para sentir que podia dizer o que sentia tanto por mim quanto para confortar outros. Quando comecei, meus leitores gostaram da ideia de cada poema ter uma música, porque cada música para mim é uma história, assim como um poema. E misturados, tornam a criação mais palpável, quase como se estivéssemos dentro de uma nova realidade e uma imagética construída pela experiência textual e sonora.”

E não é só a conexão entre a escrita e o som que faz a obra ser inovadora. Livre de regras, o livro também pode ser lido de trás para frente, desde que o espectador esteja aberto a compreender novos horizontes, sair da rotina e mergulhar em poesias repletas de desejo, vida e sexualidade.

O design ousado é outro ponto de destaque da obra. De criação do designer gráfico Julio Matos, a arte foi desenvolvida com base na desconstrução dos conceitos, seguindo a essência do tema e do autor.

“Existe uma linha muito tênue entre fazer um livro a gosto do designer e fazer um livro que faça sentido com a obra. Aqui na Sophia a gente tem o princípio muito forte do trabalho co-criado. O livro ‘Odisseia erótica’ é isto, um trabalho da Sophia em conjunto com o Bento. Fomos resgatando os conceitos primordiais de um livro e quebrando eles aos poucos. Trazendo, realmente, o livro como um alvo de intervenções, experiências e possibilidades. Ao longo do livro tem vários trivias, por exemplo, você pode começar a ler ele de dois pontos de partida que conversam entre si e terminam num manifesto. Os outros trivias eu deixo em segredo pro leitor”, disse o designer.

A obra de estreia de Bento tem um peso especial para ele, que a define como “um tapa na cara”, mostrando que conseguiu se tornar o que sempre sonhou, mas nunca achou que seria possível por conta das desigualdades e dificuldades da vida. Agora, se sentindo de fato um escritor, Bento deixa uma recomendação aos que almejam se expressar e abordar temas considerados tabus, mas a falta de coragem os impede de ir adiante.

“Se eu pudesse dar um conselho para a galera que está vindo por aí cheia de energia, sonhos e talentos: sério, faça o que você quer com muita dedicação e ao mesmo tempo se dê tempo de descansar e viver o ócio desse processo de se construir. Você é enorme, mas também precisa de tempo e experiências, tijolos e muita força para crescer.”

O evento

A noite de lançamento oficial do livro “Odisseia erótica” será de muita poesia e arte, na Casa Naara, no Rio, que está num processo de reabertura depois de um período maior de restrições imposto pela pandemia. O fundador Fernando Cespe não esconde a expectativa de receber o evento, já que a casa é conhecida pelos movimentos de resistência e de ativismo.

“Estou muito empolgado. Desde o início, quando o Bento me procurou, eu tive grandes conexões emocionais com o trabalho dele, com as poesias em si. Fiz algumas leituras prévias de textos compartilhados, e eles acessaram meu coração; é tudo o que vivencio. O livro me passou uma linha do tempo dos acontecimentos da pandemia, da Casa Naara e das minhas emoções Então acho que vai ser uma noite muito potente em que a gente vai celebrar a literatura num lugar de muita potência, carinho, afeto e muita poesia”, destacou Fernando.

O evento, que acontecerá das 18h às 21h, também terá uma apresentação performática da artista multimídia Peko e do músico e cantor Rafael Kadashi. Haverá ainda a cozinha vegana da Quentinha Colorida; as cervejas artesanais Milhitante e Rock n’Brau e a arte bordada da olucas.art.

A Casa Naara fica na Rua Ipiranga, 51 (sobrado) Laranjeiras, Rio de Janeiro.



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