Em Cabo Frio, grávida recebe no café da manhã garrafa com feto abortado

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No dia 18 de dezembro, o vereador Rafael Peçanha (PDT) publicou um vídeo em seu perfil do Facebook em que fala com Thyanne Teles, acompanhante de Mayara Vasconcellos que havia passado por um processo de aborto, dias antes, no Hospital da Mulher de Cabo Frio. No vídeo, Thayanne relata que encontraram péssimas condições nas enfermarias da unidade: macas enferrujadas, banheiros com vazamentos, sujeira, falta de roupas de cama e poucas roupas de uso hospitalar para as pacientes.

Ela disse ainda que as duas chegaram ao hospital e Mayara apresentava um quadro de febre. Após os exames, segundo Thayanne, não foi constatada nenhuma infecção, porém a gestante reclamou de sangramento no segundo dia de internação e a equipe de plantão afirmou que era fruto do estresse, apenas no dia seguinte é que foi constatado a morte do feto, com 15 semanas e houve a indução do aborto.

No dia seguinte, segundo Thayanne, o café da manhã foi posto à mesa e junto havia uma garrafa pet com o nome da paciente. Mayara chegou a perguntar se tratava-se do medicamento para fazer o processo de curetagem e só depois que perceberam que se tratava do feto abortado, porém, nenhuma informação foi dada pela equipe do Hospital do que era aquilo e porque estava sendo entregue daquele jeito.

A garrafa com o feto abortado foi “servida” junto com o café da manhã da paciente e sua acompanhante

Depois, Thayanne disse que a paciente acabou contraindo uma infecção e teve que ficar mais uma semana internada à base de antibióticos. Segundo ela, a infecção só pode ter sido contraída no Hospital da Mulher, já que o primeiro exame feito na gestante, assim que elas chegaram, não revelou nenhum processo infeccioso. Gestante e acompanhante ressaltaram o zelo e carinho da equipe médica e de enfermagem da unidade, porém revelaram que havia plantonista cumprindo mais de 26 horas de trabalho na unidade.

Dias depois, em entrevista ao jornal Folha dos Lagos, o prefeito de Cabo Frio, que é médico, Dr. Adriano Moreno, descaracterizou a denúncia e disse que aquela foi uma “situação armada e mentirosa. Nenhum hospital entrega feto morto para uma mãe. Essa paciente chegou com feto morto por um processo infeccioso, foi feito o processo de curetagem para fazer a raspagem do útero”. Porém, o prefeito não explicou porquê o material de curetagem foi entregue para Mayara, o que é mais incomum que entregar um feto morto.

Acontece que o caso teve outra reviravolta, e Mayara Vasconcellos resolveu também ir às redes sociais para “desmascarar o prefeito”. Ela escreveu o seguinte: “Não Dr. Adriano não foi armado e nem é mentira. Isso aconteceu sim e foi comigo. E eu não cheguei com feto morto. Perdi nessa porcaria de Hospital. E foi entregue junto com o café da manhã sim, e eu não tenho motivos nenhum para inventar um absurdo desse. Eu fiz uma ultrassom no posto ao lado do hospital, onde as pacientes tem que andar um bom pedaço passando mal para fazer um exame. E eu ouvi o coração do meu bebê batendo então não venha de mentiras. Que as mulheres tenham mais coragem e abra a boca, fale o que se passa dentro desse Hospital Municipal da Mulher. Revoltante”, diz o texto.

Diante da gravidade das denúncias, os depoimentos servirão como base para processos judiciais contra a Prefeitura de Cabo Frio, a Secretaria Municipal de Saúde e a Direção do Hospital da Mulher. Além disso, estuda-se a possibilidade de encaminhar denúncias ao Ministério da Saúde e ao CREMERJ. Até o fechamento dessa reportagem, ninguém na Prefeitura de Cabo Frio foi localizado para responder as denúncias. Continuamos aguardando o posicionamento oficial do município e, assim que recebermos, incluiremos nessa matéria.

A resposta contundente ao prefeito da grávida que perdeu o bebê no Hospital da Mulher de Cabo Frio

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