Sobram reclamações de falta de fiscalização nas praias de Cabo Frio

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Um mês depois do hasteamento da “Bandeira Azul” na Praia do Peró, em Cabo Frio/RJ, os problemas já começam a aparecer, depois que caiu o “véu da empolgação” e visitantes, moradores e comerciantes começam a mudar de cor, ficando “vermelhos de raiva” com o descaso da Prefeitura com a fiscalização de posturas, principalmente para evitar abusos que acontecem geralmente nessa época de alta temporada. Um dos principais deles é a famigerada cobrança para o uso de mesas e cadeiras pelos barraqueiros da praia, conduta que é proibida de acordo com a própria Prefeitura.

Em alguns casos, essa cobrança chega a R$ 100,00 por conjuntos de mesa com quatro cadeiras e mais guarda-sol, valor que segundo os barraqueiros pode ser revertido em consumação, mas que na prática é uma irregularidade, já que não é permitido a ninguém, nem mesmo às Prefeituras, cobrar pelo uso do espaço público sem licitação. Por isso que é tão polêmica a instalação de banheiros na orla, o que já causou dores de cabeça ao prefeito Adriano Moreno (Rede) no início de seu mandato. Dessa vez, os turistas invadem as redes sociais para denunciar a cobrança irregular da consumação e outras irregularidades.

No Grupo do Facebook “Amigos do Peró”, a moradora Daizy Fonseca denunciou que há motoqueiros usando as calçadas da Praia do Peró para trafegar e até cães da raça pitbull andando na praia sem coleira, o que coloca em risco banhistas, principalmente as crianças. A denúncia foi confirmada na mesma publicação por Maria Flor. Em uma postagem do dia 17 de dezembro, Marcia Lorga disse o seguinte: “hj encontrei um grupo andando na praia do Peró com um cachorro. Comentei que era proibido e sugeri que ela colocasse o bichinho no colo. Sorrindo, ela me respondeu: “hj já é o 4° dia e não vejo problema nenhum”. Fazer o quê?!”.

Nessa mesma postagem, no Grupo “Amigos do Peró”, Marcelo Berregon fez o seguinte comentário: “Eu vi pelo menos 3 carros e 2 motos no calçadão, no sábado, em frente ao Paradiso Hotel, por volta das 19hs. Abaixaram a corrente, entraram, pararam e foram andando até à beira da água. E as motos, entraram onde fizeram os bancos de cimento e os pergolados, ao lado do Flat Âncora e ficavam indo e voltando, no calçadão. Infelizmente depois das 17/18 hs, as pessoas sabem que não tem mais fiscalização e a bagunça impera”.

COBRANÇA DE CONSUMAÇÃO

Vizinha da praia do Peró, a Praia das Conchas em Cabo Frio também é alvo de polêmica. Lá, os moradores e turistas estão reclamando da cobrança de Taxa de Consumação que está sendo cobrada pelos quiosqueiros. Mimi Morenah publicou no grupo “Mercado Livre Cabo Frio” a foto de uma placa de valores supostamente tirada no local, em que aponta os valores de R$ 50,00 por um kit (mesa, quatro cadeiras e guarda-sol), R$ 80 por dois kits e R$ 100,00 por três kits, prática que é considerada abusiva e fere o Código de Defesa do Consumidor, mas que é contra argumentada pelos barraqueiros porque segundo eles pode ser revertida em consumação.

Esse, aliás é o tema mais polêmico, porque divide as opiniões entre os que concordam e os que são contra. Na verdade, o que falta é uma política de conscientização e fiscalização para evitar que os turistas carreguem tudo de casa para a praia e, inclusive ocupem os espaços de famílias que vão à praia para consumir e se divertir. Não há repressão, por exemplo, contra o uso deliberado de garrafas de bebida alcoólica, som alto e comidas em palitos. A fiscalização deve servir para os comerciantes e também para os turistas, mas pelo visto não funciona pra ninguém.

O barraqueiro Diney Porto deixou a sua opinião na mesma postagem sobre a cobrança da famigerada taxa de consumação: “sou barraqueiro, acordamos 5 horas da manhã para montarmos a barraca e deixar tudo organizado para o turista que vem visitar a nossa cidade, para o público local que quer ter um conforto e um atendimento bacana, passamos mais tempo trabalhando do que em casa com nossas famílias, nosso trabalho é cansativo, e árduo, o material que colocamos para servir os clientes não são baratos cada guarda sol custa 250 reais, cada cadeira custa 60 reais e a mesa 70, então se vc não acha justo pagar por isso que leve suas coisas de casa ou senta com a bunda na areia quente, saiba valorizar o serviço dos outros ao invés de vim na rede social falar besteira de uma coisa que não existe proibição, por que o que diz na foto que vc postou o que é cobrado é o aluguel do ombrelone com as cadeiras, podendo ser convertido em consumo se a pessoa quiser, vc tem 2 opções ou paga o valor do aluguel e leva sua bebido e comida de casa ou converte esse valor em consumo no que a barraca oferece, simples assim não tem nada fora da lei!”, argumenta

NA PRAIA DO FORTE A COISA PIORA AINDA MAIS

Mais procurada pelos turistas e com expectativa de receber quase um milhão de pessoas, somente no réveillon, a Praia do Forte em Cabo Frio é a que acumula o maior número de reclamações. A começar pela quantidade excessiva de concessões de barracas autorizadas pela Prefeitura, que praticamente “dominam” quase 100% do espaço destinado aos banhistas no trecho considerado o melhor da praia, nas imediações do Hotel Malibu até o final da nova Orla dos Quiosques. Isso significa que ou você paga a taxa imposta pelos barraqueiros ou fica isolado nos extremos da praia – praticamente no Canto do Forte ou na região das Dunas.

O músico cabofriense Marcos Senna mandou um áudio para o Plantão dos Lagos em que desabafa toda a sua indignação pelo que considera a “falta de zelo da administração municipal com a ordem pública em Cabo Frio”. Segundo o músico, no local há flanelinhas brigando por vagas de estacionamento na orla da Praia do Forte, às vistas grossas da Secretaria de Postura e do setor que cuida da Ordem Pública no município, bem como da Guarda Civil. “Se eu sou turista, eu não viria para Cabo Frio nem que me pagasse, pela desordem que essa cidade está. Está uma vergonha. Isso aqui virou uma terra de ninguém. Violência, desordem (…) fazem o que querem. Coisa vergonhosa”, atesta.

RESPOSTA OFICIAL

Até o início da noite dessa quarta-feira (26/12) a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Cabo Frio ainda não havia respondido os questionamentos feitos pela equipe do Plantão dos Lagos, via Messenger, na página oficial do Facebook da administração municipal, porém, fomos surpreendidos com uma publicação no site da Prefeitura que, ainda na tarde dessa quinta-feira os fiscais do PROCON estiveram no local, notificando os proprietários de quiosques da Praia das Conchas. O importante é que o serviço foi realizado como se espera, aliás, o que poderia ter sido evitado se a fiscalização fosse realmente eficaz e permanente. A prática de não responder à imprensa livre e independente é corrente em cidades do interior, mas isso não nos incomoda. O importante é que as coisas aconteçam e que as denúncias sejam apuradas, de uma forma ou de outra. Estaremos de olho durante todo o verão, assim como esperamos que o governo municipal também fique. Se você também flagrou irregularidades ou quer dar a sua opinião sobre o assunto, envie mensagem para o nosso ZAP (22) 97400-9056.

Veja a matéria sobre a fiscalização da Prefeitura realizada nessa quarta-feira

https://plantaodoslagos.com.br/noticia/60/apos-denuncias-de-moradores-e-turistas-prefeitura.html

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