Repressão aos abusos em Cabo Frio deixou muito a desejar

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A Prefeitura de Cabo Frio divulgou um balanço das ações realizadas nesse Réveillon em Cabo Frio. A Coordenadoria Geral de Ordem Pública fechou as estatísticas referentes ao fim de semana prolongado da passagem de ano em Cabo Frio. O aumento no fluxo de pessoas na cidade, nesta época do ano, causou também uma maior incidência de irregularidades, que foram devidamente reprimidas pela equipe da coordenadoria, segundo release divulgado pela Assessoria de Imprensa da Prefeitura.

Porém, a realidade é bem diferente do que os números apontam. Em um dos casos mais graves registrados pela nossa reportagem na Praia do Forte, está a INVASÃO da Duna Boa Vista (Duna Preta), que transformaram aquele santuário ecológico em um mirante para apreciar a vista. Acontece que a Duna Boa Vista é um patrimônio cultural e histórico e pode ser considerado CRIME FEDERAL a sua violação, já que se trata de um “Sambaqui” – Cemitério Arqueológico Indígena.

A “Duna Boa Vista” virou atração turística e não teve repressão da Coordenadoria de Ordem Pública

Além do trabalho de rotina no ordenamento do trânsito do primeiro e segundo distritos, entre 29 de dezembro e 2 de janeiro, a Guarda Civil Municipal notificou 446 motoristas que estacionaram os veículos em locais proibidos. Os agentes também apreenderam 53 veículos e autuaram 50 flanelinhas por exercício ilegal da profissão, levando-os para a delegacia da cidade. Houve ainda a apreensão de seis caixas de som, entre outras ocorrências menores, continuou a nota de divulgação feita pela Prefeitura de Cabo Frio. Porém, a equipe do Plantão dos Lagos flagrou o próprio carro da ROMU da Guarda Municipal estacionado em cima do canteiro central da Praia do Forte e outros carros que passaram todo o dia estacionados nas areias do Parque Estadual da Costa do Sol (Região das Dunas), alguns deles quase dentro da água (quadriciclos)
Carro da Ronda Ostensiva Municipal (ROMU) da GM estacionado em cima do canteiro central da Avenida Litorânea (acima).
Carros estacionados irregularmente em área demarcada pelo Parque Estadual da Costa do Sol (abaixo)
    
Ocorre que, em nenhum momento durante todo o fim de semana foi percebida a presença ostensiva de agentes da coordenadoria e guardas municipais – por exemplo – nos bairros do Braga e da Vila Nova, por exemplo (esse último, onde aliás mora o prefeito Dr. Adriano Moreno) local que concentra grande parte das pessoas que vêm passar as festas de fim de ano na cidade. Comerciantes ocupavam as calçadas com mercadorias e mesas “a bel prazer”, inclusive na Alex Novellino, rua em que mora o prefeito Dr. Adriano Moreno; motos transitavam livremente na contramão e sobre as calçadas e a repressão aos flanelinhas foi bastante tímida, tanto que na esquina das ruas Raul Veiga com Miguel Couto, os rapazes já são até conhecidos de moradores e comerciantes locais e trabalham normalmente até hoje.
Motos trafegando sobre as calçadas, no bairro Vila Nova, comerciantes que se acham os donos da rua, por toda a cidade, e ambulantes que se multiplicam em cada esquina são outros problemas crônicos flagrados nesse fim de ano em Cabo Frio, que não tiveram a repressão devida dos agentes de segurança pública. A reportagem do Plantão dos Lagos recebeu pelo WhatsApp um vídeo que ilustra bem a falta de organização e planejamento operacional para conter os abusos no município.
O vídeo amador mostra uma confusão que aconteceu na Praia do Forte. Segundo informações, a briga começou no meio da madrugada, quando o teor alcoólico das pessoas já era bem elevado. Nos primeiros segundos do vídeo, a filmagem mostra a presença de um Guarda Municipal, que se retira logo depois – não se sabe ao certo se para buscar reforços. Ocorre que a briga continua e algumas pessoas tentam acalmar os ânimos. O vídeo tem mais de um minuto de duração e, nesse intervalo, não se percebe o retorno de agentes da Guarda Municipal e nem de policiais. 
A constatação de todos esses episódios, que mostraram deficiências no quantitativo de pessoal, despreparo na capacitação dos agentes e falta de planejamento para um evento de grande porte como é o Réveillon causa muita preocupação, já que dentro de menos de 60 dias vai acontecer o carnaval (que começa no dia 1º de março – sexta-feira). E o que se espera é que tantos erros não se repitam. Estamos aguardando que a Prefeitura de Cabo Frio se posicione com sinceridade sobre o balanço das festas de fim de ano e que divulgue como pretende se organizar para o próximo grande evento.

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