Galpões do Sal de Cabo Frio desabam misteriosamente em meio à crise do coronavírus

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    Os Galpões do Sal de Cabo Frio, localizados no bairro da Passagem, e que teriam sido – segundo consta na história – o primeiro bastião de liberdade dos escravos libertos no século XIX, simplesmente desabaram na última segunda-feira (30/03). O local era alvo de um conflito de interesses entre o Governo Municipal e o proprietário. O imóvel havia sido tombado como patrimônio cultural imaterial histórico da cidade, com tombamento estadual, de acordo com a Lei 8606/2019, que entrou em vigor no dia 1º de novembro do ano passado. Conforme uma denúncia anônima, o galpão foi demolido propositalmente durante o período da quarentena, quando há circulação menor de pessoas pelo local. Na manhã desta quarta-feira (01/04), uma vistoria foi realizada pela Defesa Civil e outros órgãos competentes. O que se espera é que a área seja desapropriada e que o proprietário seja condenado a reconstruir os galpões históricos.

    Houve várias discussões acaloradas nos últimos tempos – chegando inclusive às vias de fato – durante as reuniões do Conselho Municipal do Patrimônio Artístico e Cultural (CMUPAC), desde o início do ano passado. No dia 22 de fevereiro de 2019, a Secretaria de Cultura de Cabo Frio emitiu um comunicado oficial informando que devido aos últimos acontecimentos, as reuniões do Conselho – a partir da próxima segunda-feira (25/02/2019) seriam filmadas e contarão com a presença de integrantes da Guarda Municipal para garantir a segurança.

    “No dia 06 de fevereiro de 2019 (…) Durante a exposição de motivos e teses a favor e contra à demolição da área retro citada, ocorreu fato lamentável e grave, inclusive com pretensão de agressão entre participantes que lá estavam, o que causou transtornos e constrangimentos para todos os presentes, em flagrante desrespeito ao Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Cabo Frio, na pessoa dos seus membros (…) As próximas reuniões a serem realizadas serão, todas, gravadas, fotografadas e filmadas, com a regular presença da Guarda Municipal. (…) O Conselho encontra-se ainda em fase de análise dos autos e que, tão logo apto para emitir julgamento do pedido de demolição, irá fazê-lo com toda transparência, eficiência, honestidade e independência, comunicando, como sempre faz, a data da respectiva reunião”, dizem trechos da nota oficial do CMUPAC.

    ©Plantão dos Lagos
    Fonte: Redação / Plantão
    Fotos: divulgação