Tem uma pré-candidatura a deputado estadual na Região dos Lagos que está dando o que falar, porque chega ostentando opulência de “patrão” e volume de “rolo compressor”. De quem estamos falando? Chiquinho da Educação. Ex-prefeito de Araruama, condenado zilhões de vezes por improbidade administrativa, mas que se coloca no páreo na disputa por uma das 70 cadeiras da Alerj. A disposição de Chiquinho vem atravessando as divisas de Araruama e começa atrapalhar candidatos “ficha limpa” dos municípios vizinhos.
Mas a verdade é que é preciso uma dose extra de “cara de pau” para entrar em campanha. Enquanto ele costura alianças de um lado, do outro, roda nas listas de transmissão da região um dossiê de processos e condenações dele que impressiona. Muitas transitadas em julgada. Além disso, na última semana, ele apareceu na lista dos maiores devedores do Estado do Rio de Janeiro, ocupando a 22º lugar, e está na primeiríssima colocação de Araruama, ou seja, é o “maior caloteiro” da cidade, segundo Procuradoria Geral do Estado.
CASOS DE FAMÍLIA
Uma das condenações de Chiquinho, a mais escandalosa, é um acinte ao contribuinte de Araruama. Quando prefeito, ele deslocou uma equipe inteira (de operários a arquiteto e engenheiro) da Secretaria de Obras do município para trabalhar na construção de uma mansão dele em Búzios. Foi condenado pela justiça e desde então, teve direitos políticos cassados, de tal forma, que nem podia votar. Com isso, sua moral ficou bem fragilizada e esgarçada pelas bandas da Costa do Sol. O que dizer de um prefeito que manda servidores da prefeitura trabalhar na obra de sua própria casa na cidade vizinha?
Nem o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda poderia imaginar tamanho patrimonialismo. Coisa assim se via só no tempo do coronelismo. Mas a dúvida que fica é se Araruama saiu desse tempo. A cara de pau ofende tanto, que já virou até caso de família. Tanto é assim, que o filho de Chiquinho, Thiago Pimentel Ribeiro não consegue engolir. Passa os dias na internet e nos grupos políticos da cidade tentando despertar as pessoas de um sono profundo que as acometeu recentemente, levando uma parcela da população a amnésia repentina. Essa semana mesmo ele lembrou nas redes sociais que seu “papito” tem mais de 195 processos. Só de improbidade são 10 condenações. Oxente! Se o filho fala, quem somos nós para duvidar? “Casos de Família” purinho…
CULPA DE QUEM?
Mas o que todos se perguntam é: “Que país é esse?” (parafraseando Renato Russo). É o Brasil de Bolsonaro. Depois que o presidente sancionou alteração na Lei de Improbidade Administrativa, ano passado, dando uma amansada nas punições a agentes públicos e políticos em práticas de enriquecimento ilícito, dano ao erário ou outras irregularidades contra a administração pública, um pano enorme, de 638.086 km² (tamanho de Araruama), foi passado na biografia de Chiquinho.
Com a mudança, os atos de improbidade dependem de condutas dolosas, ou seja, quando houver a vontade livre e consciente do gestor na prática do ilícito. Entenda-se que, com um bom advogado, não há mal que não se perdoe. Desta forma, abre-se uma porta dupla para impunidade que permite que políticos especializados em misturar suas vidas públicas com a privada, possam voltar ao cenário sem “rachar a cara”, como se diz no popular, no Rio de Janeiro.
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- Fonte: Jornal O Dia
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