Fardos de borracha que seriam da época da Segunda Guerra são encontrados em Arraial do Cabo

Imagina você estar de férias, aproveitando um dia de praia, e de repente dá de cara com um achado histórico. Foi exatamente o que aconteceu nesta terça-feira (19) com o turista mineiro João Antonio Barbosa. Ele estava caminhando na praia, próximo a Monte Alto, em Arraial do Cabo, quando encontrou um fardo de borracha encalhado. Segundo o pesquisador Leandro Miranda, o Léo do Blimp, o material parece ser de um dos navios alemães que afundaram na costa brasileira, próximo à Fernando de Noronha, na época da Segunda Guerra Mundial.


— Fui pessoalmente com o João Antonio no local e pude constatar que se trata do mesmo fardo de borracha que anda encalhando no Nordeste. Entrei em contato com a Fundação do Meio Ambiente e agora estou aguardando o retorno para retirar o material da praia e levar para o Museu Castorina (Casa de Vidro) aqui, em Arraial — contou Léo.


Em agosto do ano passado, objetos semelhantes foram encontrados encalhados em praias da Bahia e de Alagoas. Antes disso, em 2018, também já haviam sido localizados em outros pontos do litoral do Nordeste. Na época, pesquisadores descobriram que esses fardos de borracha eram transportados por três navios alemães que foram afundados no Atlântico Sul pela marinha americana: Burgenland, Weserland e Rio Grande. Segundo Léo, as embarcações seguiam para portos do extremo oriente em poder dos japoneses. Além desses fardos de borracha, que segundo Léo, seriam usados para fazer pneus dos aviões na guerra, registros históricos revelam que os porões também estavam carregados de graxa e minerais estratégicos.


— Acredito que o navio que carregava essa carga é o cruzador alemão Rio Grande, o mesmo que foi sobrevoado por mais de 20 horas pelo dirigível K-36, até que todos os náufragos fossem resgatados. Ele afundou perto de Fernando de Noronha. Foi depois dessa operação de resgate que o K-36 veio para o Rio de Janeiro fazer uma revisão e caiu na Ilha do Farol, em Arraial do Cabo – conta o pesquisador, que registrou toda a história do dirigível em 168 páginas do livro “K-36: o Zepelin que caiu no Cabo”, lançado em 2017 pela Sophia Editora. A queda aconteceu em 17 de janeiro de 1944.


Apesar de ser pesquisador e estar cursando faculdade de História, Léo contou que ficou bastante surpreso com a descoberta do material.


— Depois de tanto tempo, e tão longe, vir parar aqui em Arraial… E segundo que é mais um objeto histórico, já que pertenceu a um navio alemão afundado na nossa costa durante a Segunda Guerra e que precisa ser posto em exposição para mostrar um período em que o país esteve envolvido — revelou.

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Fonte: Folha dos Lagos