“ELE: a história de muitos”, do diretor aldeense Ygor Germano (@ygorgermanos), mostra a realidade “nua e crua” do preconceito que jovens homossexuais sentem diante da reprovação dentro de suas próprias casas, principalmente aqueles que nasceram em famílias tradicionalmente religiosas, sobretudo ligadas às denominações pentecostais. “ELE” mostra os conflitos internos e a dor da rejeição, que muitas das vezes leva os jovens a cometrem suicídio.
“ELE representa muitos que se prendem a religiosidade e não conseguem enxergar ao próximo ou a si mesmo. Como desenvolver amor quando você se rejeita e permite que façam o mesmo contigo? Falar e ser você não é ir contra Deus, além da alta aceitação é um ato político de inclusão social. A igreja precisa repensar seus valores e se colocar no tempo em que está. A maior taxa de suicídio por pessoas LGBTQIAP+ carrega o peso da igreja em suas costas”, disse o diretor.
O curta-metragem, com pouco mais de 13 minutos de duração, filmado em preto e branco, conta a dor de muitos jovens que se escondem atrás de máscaras sociais, em sofrimento, e é inspirado em uma história real: a de Bobby Griffith, que tirou a própria vida ao pular de um viaduto sobre uma autoestrada na frente de uma carreta, aos 20 anos de idade.
A história de Bobby também virou um longa-metragem, “Orações para Bobby” em que a atriz Sigourney Weaver interpreta Mary, a mãe do rapaz. A mãe presbiteriana que se arrepende de tentar curar o filho homossexual que se mata depois de não aguentar tamanha pressão. O filme estreou na TV americana em 2009, na noite anterior ao Oscar, e mudou paradigmas. A história se passou nos anos 80, em Walnut Creek, na Califórnia, próximo a São Francisco.
Em 27 de agosto de 1983, Bobby Griffith tirou sua vida ao pular de um viaduto sobre uma autoestrada, aos 20 anos. Por quase quatro anos ele sofreu pressão de sua família para deixar sua homossexualidade. Sua mãe, religiosa fervorosa, não admitia a homossexualidade do filho, ao qual denominava de doença, ou aberração, e contra qual usava a Bíblia para respaldar seus preconceitos.
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