O Estado do Rio de Janeiro deve enfrentar um cenário de temperaturas acima da média nos próximos meses com o fortalecimento do El Niño. O aumento do calor favorece períodos prolongados de baixa umidade e eleva o risco de incêndios florestais, um dos principais impactos esperados do fenômeno no território fluminense. Diante desse cenário, a Defesa Civil Estadual e o Corpo de Bombeiros intensificaram o monitoramento e reforçaram as ações de prevenção para reduzir possíveis danos.
O alerta ganhou ainda mais força após uma nova projeção divulgada nesta quinta-feira (9) pelo Centro de Previsão Climática (CPC), dos Estados Unidos, vinculado à NOAA. O órgão elevou para 81% a probabilidade de o El Niño atingir a categoria de “muito forte” entre outubro e dezembro, indicando um cenário mais intenso do que o previsto nos primeiros boletins deste ano.
A atualização representa uma mudança importante. Em maio, ainda havia incertezas sobre a intensidade do fenômeno. Agora, o El Niño já está estabelecido, com o aquecimento das águas do Oceano Pacífico e uma interação mais evidente entre oceano e atmosfera, condição que favorece eventos climáticos mais intensos.
Embora seja um fenômeno natural, especialistas destacam que seus impactos podem ser reduzidos quando há planejamento e preparação.
Calor, seca e risco de fogo
No Rio de Janeiro, os efeitos mais comuns do El Niño são as ondas de calor, temperaturas elevadas e períodos de estiagem, principalmente durante a primavera e o verão. Essas condições favorecem a propagação de incêndios em áreas de vegetação, sobretudo durante os meses mais secos do ano.
As chuvas, no entanto, não desaparecem completamente. Dependendo da atuação de outros sistemas meteorológicos, o calor acumulado na atmosfera pode favorecer temporais intensos e concentrados em curto período, aumentando o risco de alagamentos e outros transtornos.
Especialistas lembram que cada episódio de El Niño apresenta características próprias, e seus impactos variam conforme a intensidade do fenômeno e a época do ano.
Plano para reduzir impactos
Como parte da preparação, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro apresentou o Plano de Contingência Estadual para Seca, Estiagem e Incêndios Florestais, elaborado para ampliar a capacidade de prevenção, monitoramento e resposta diante dos efeitos do El Niño.
O documento estabelece protocolos para atuação integrada entre Estado e municípios, definindo responsabilidades e procedimentos antes, durante e após ocorrências relacionadas à seca, estiagem e incêndios florestais.
O plano prevê seis níveis de resposta, classificados de acordo com a gravidade do cenário. A avaliação leva em consideração dados produzidos pelo Centro Estadual de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden-RJ), registros operacionais de incêndios, análises de impacto e a capacidade de resposta dos municípios.
Além disso, a Defesa Civil mantém acompanhamento diário das condições meteorológicas, dos focos de calor e de outros indicadores utilizados para antecipar situações de risco. Também estão previstos treinamentos, simulados e ações de capacitação para as equipes envolvidas na prevenção e resposta aos desastres.
Como a população pode colaborar
A Defesa Civil orienta que a população também adote medidas preventivas para reduzir os impactos do período mais seco. Entre as recomendações estão evitar queimadas, não colocar fogo em terrenos ou áreas de vegetação, manter a hidratação durante as ondas de calor, economizar água e acompanhar os alertas emitidos pelos órgãos oficiais.
Segundo o órgão, a combinação entre planejamento, monitoramento constante e participação da população é fundamental para minimizar os efeitos do El Niño e proteger vidas diante de um cenário que tende a ser mais severo nos próximos meses.
Fonte: Fonte Certa







