Dos fanzines ao livro: escritor cabo-friense lança ‘Um Ruído Quase Imperceptível’De onde nasce um poema? No caso do escritor cabo-friense Frederico Tavares, que lança seu primeiro livro, ‘Um Ruído Quase Imperceptível’ (Sophia Ed., R$ 35, 124 págs.), a inspiração vem de uma “angústia” ou do que denomina como “vertigem existencial”, o que abrange desde pequenas epifanias do cotidiano até o despertar atordoante frente a certas percepções. “Uma metáfora imprópria / me define com dúbia certeza / tal como ao fitar-me em um espelho estilhaçado”, escreve, por exemplo, em Lirismo Inconfesso, num tom intimista que também cede espaço para observações atentas sobre a vida em sociedade.

“A verdade é que nunca tive a intenção de escrever um livro de poesia. Mas há uma inquietude, um desarranjo, que me conduz a expressão poética. Escrevo versos sobre coisas que não compreendo totalmente. Expresso de forma estética parte do que não saberia como dizer de maneira objetiva. A princípio enxergava os meus versos como excessivamente pessoais. Contudo, com o tempo, passei a perceber o caráter mais amplo dos temas abordados. É claro que existe o aspecto individual, mas acredito que o âmago, a essência do que busco expressar são questões associadas à nossa cultura e estrutura social, ou inquietações inerentes à condição de vida autoconsciente. E essa compreensão de que os meus versos não são tão íntimos quanto inicialmente supus me levou  a considerar pela primeira vez a possibilidade publicá-los”, explica Frederico.

O livro está à venda no site da editora: https://www.sophiaeditora.com.br/um-ruido-quase-imperceptivel

O autor explica que, durante o processo de escrita, tenta se desvencilhar de qualquer referência que possa guiá-lo de forma consciente em sua forma de se expressar. No entanto, no poema Balada do Lirismo Marginal, faz menção ao romance  ‘Fome’ do escritor norueguês Knut Hamsun. “Não por tê-lo como ideal de estilo literário a ser seguido, mas pelos sentimentos expostos através do protagonista da narrativa: uma necessidade pungente, quase irracional, de se expressar através da escrita”. No prefácio, Iasmim Martins define desta forma o estilo do autor: “A poesia de Frederico Tavares não faz concessões ao academicismo e suas exigências estilísticas, que pretendem homogeneizar aquilo que por si só é heterogêneo, isto é, a voz do poeta, o timbre que engendra através da metafísica das rochas o ser das coisas”.

O conteúdo de ‘Um Ruído Quase Imperceptível’ fez parte de fanzines, que são produções independentes produzidas de forma artesanal, com xerox, impressoras caseiras e colagens. Foram seis livretos lançados pelo selo Subverso, idealizado pelo autor para dar vida às suas produções e de outros autores. Com o material em mãos, Frederico decidiu reunir tudo em um livro, mas sem perder a estética de um fanzine. A obra é ilustrada por Guilherme Tavares, irmão do autor.

“Eu já venho fazendo esse trabalho de diagramação por causa do selo e da montagem dos zines. Faço isso tanto com autopublicação quanto com os zines que publico de outros autores. Diagramo, imprimo e monto os zines em casa, de forma totalmente artesanal. No geral os autores me deixam livre para criar, então eu que escolho a fonte, o tipo de papel e tudo mais. Por isso foi importante poder participar desse processo com o livro também. Transpor para ele a estética que desenvolvi nos zines. A equipe da editora foi muito atenciosa quanto a isso. Sinto que esses seis zines encerram um ciclo e publica-los em um livro é para mim um ato simbólico”.

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©Plantão dos Lagos
Fonte: Redação / Plantão
Fotos: divulgação

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