Curso da Enel e do Sistema Firjan forma turma pioneira de mulheres eletricistas na região

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Lugar de mulher é onde ela quiser, até mesmo no alto de um poste, a 15 metros do chão, na tarefa de grande responsabilidade que é garantir o fornecimento de energia elétrica de várias cidades. Essa missão agora também é de um grupo pioneiro, que se formou nesta quinta-feira, 31 de março, na primeira turma do Projeto Escola de Mulheres Eletricistas, promovido pela Enel Distribuição Rio e pelo Sistema Firjan, por meio do Sesi e do Senai.


Ao todo, 17 mulheres foram capacitadas e receberam seus diplomas em eletricista de rede de distribuição em baixa tensão. Todas serão encaminhadas para começarem a trabalhar em uma empresa de engenharia parceira da Enel. Em clima emotivo, na presença de familiares e amigos, as formandas receberam seus certificados e capacetes, dispostas a suar o macacão e a quebrar o tabu de que o ofício com rede elétrica é exclusivamente masculino. 


Nem que para isso, seja necessário superar antigos medos, como no caso de Sharlene da Conceição de Souza, de 34 anos. Mas nem mesmo o fato de ter tomado um choque quando era criança a fez desistir. Antes desempregada, ela viu no curso a chance de conseguir uma oportunidade no mercado de trabalho.


– Entrei no curso com tudo, me joguei mesmo, mas não foi fácil. A gente pegava escada de 15 metros, igual aos homens, de sol a sol. Na parte on-line do curso, a gente ficava oito horas por dia sentado. Os homens, muitas vezes, batiam palmas pra gente, mas não é fácil por outro lado. Eu sou muito de empoderamento feminino. Tem muitos também que olham pra gente com cara feia, como se a gente estivesse entrando num lugar eu não é para entrar. Mas acho que é para todos entrarem – comentou Sharlene, sob os olhares orgulhosos da tia, que acompanhou a formatura.


O curso teve a duração de 40 dias, sendo 30 na modalidade on-line e dez na modalidade presencial, totalizando 240 horas. O treinamento contou com os módulos de Fundamentos de eletricidade básica, Qualidade, Saúde, Meio Ambiente e Segurança no Trabalho aplicados a instalação de redes de distribuição; Fundamentos de rede de distribuição; Montagem e instalação de redes de distribuição; Manutenção de redes de distribuição e Operação Serviços Comerciais. As aulas práticas, no modo presencial, foram realizadas no Centro de Excelência Operacional da Enel Rio, em Cabo Frio, respeitando todos os protocolos sanitários contra a Covid-19.


Um currículo puxado e que exigiu das alunas um grande esforço para dar conta das demais atividades cotidianas. 


– No primeiro momento, a gente vem com aquela empolgação, aí daqui a pouco a gente começa a ver as matérias, as dificuldades dentro de casa, de conciliar tudo. Aí bateu aquele desespero. Mas se a gente consegue dar conta de uma família, de filhos, de neto e tomar conta, às vezes, dos parentes, então vamos que somos fortes, somos guerreiras e vamos conseguir chegar até o final – afirmou Márcia da Silva Santos, de 40 anos.


Animada com a adesão, a Enel estuda abrir mais turmas para formar novas eletricistas ainda este ano. Para isso, as negociações com a Firjan já estão em andamento. Somente para este primeiro curso, houve cerca de cem inscrições, para as quais foi necessário fazer um processo de seleção, onde passaram 20 mulheres. 


Segundo o responsável por projetos de Sustentabilidade no Rio de Janeiro, Leonardo Soares, o projeto iniciado em 2021, em formato piloto, deve ser expandido para os demais estados da área de cobertura da Enel: Goiás, Ceará e São Paulo. O executivo explica que, se a empresa já tem uma cultura de estimular a presença feminina em cargos de liderança e decisão, a meta é ampliar o número de mulheres, também na área técnica.


– Acho que a participação de homens no setor elétrico ainda é predominante de uma forma geral e esse tipo de iniciativa tem também como função quebrar um pouco esse paradigma de que o setor elétrico é de homens engenheiros. Isso está ficando pra trás. Acho que esse tipo de iniciativa carrega um simbolismo muito grande porque representa uma mudança nesse cenário de que é     ‘uma empresa para homens’. As mulheres estão ocupando cada vez mais esse espaço. É muito importante que elas ocupem e se apropriem desse espaço porque isso se valida uma nova forma de se relacionar dentro de empresas de energia também. Isso mostra que a empresa está abrindo oportunidades – avalia.

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Fonte: Folha dos Lagos