Crimes de motivação racial aumentam 20% na Região dos Lagos em um ano

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Crimes de motivação racial aumentam 20% na Região dos Lagos em um anoO número de crimes com motivação racial aumentou 20% na Região dos Lagos no período de um ano, de acordo com o Dossiê Crimes Raciais, estudo inédito sobre o assunto que acaba de ser divulgado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) ligado ao Governo do Estado. Em 2019, as delegacias dos sete municípios registraram 36 ocorrências feitas por vítimas de discriminação racial, contra 30 no ano anterior.

À exceção de Cabo Frio e Arraial, em todas as cidades houve aumento na quantidade de casos de injúria racial ou de preconceito com motivação racial. Araruama é o município com o maior número de vítimas, com 13. Em 2018, foram nove. Búzios passou de três para cinco e São Pedro da Aldeia, de dois para três, entre um ano e outro.

Em Saquarema, as ocorrências dobraram, passando de quatro para oito. Em Iguaba Grande, onde não houve registros em 2018, o número passou a quatro, no ano passado. Em Arraial do Cabo, houve uma anotação de crime racial tanto em 2018 como no ano seguinte. Apenas em Cabo Frio, os casos caíram, passando de 11 para dois. A presidente do Instituto de Segurança Pública do Rio (ISP-RJ), Marcela Ortiz, afirma que os números poderiam ser maiores, pois há subnotificação.

“Nós acreditamos que há sim uma grande subnotificação a respeito desse crime justamente por conta do racismo ser algo tão estrutural na nossa sociedade”, disse Ortiz. O Dossiê Crimes Raciais mostra que, em 2019, 844 pessoas foram vítimas de discriminação racial no estado do Rio de Janeiro, sendo 766 delas negras. Isso quer dizer que duas pessoas sofreram racismo por dia. Na análise do perfil das vítimas, constatou-se que a maioria é mulher, com idades entre 40 e 59 anos. Em 42,9% dos casos, as vítimas não possuíam nenhuma relação com os autores dos crimes.

Estas são as primeiras estatísticas oficiais sobre o tema usando como fonte de dados quase três mil registros de ocorrência confeccionados em 2018 e 2019 nas delegacias da Secretaria de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro. No estado do Rio de Janeiro, em 2019, foram 1.706 vítimas de crimes praticados contra a honra como, injúria por preconceito, injúria real e preconceito de raça e de cor. Destas, 844 sofreram discriminação por motivação racial, sendo que 766 destas vítimas eram negras.

PERFIS DAS VÍTIMAS E DOS AUTORES

Mais da metade das vítimas de racismo no ano passado eram mulheres (58,2%). Os homens representaram 39,7% do total. Ao analisar a idade, quase 1/3 tinha entre 40 e 59 anos (262) e 8,7% tinha até 17 anos (73). Segundo o Dossiê, 46,3% dos autores eram conhecidos das vítimas e 42,9% eram pessoas com as quais as vítimas não possuíam nenhuma relação. É importante ressaltar que cerca de metade dos autores desses delitos (45,8%) eram mulheres. Os ambientes não residenciais foram locais com a maior incidência de ofensas (43,3%), seguido pela residência (27,1%) e pelo ambiente virtual (5,5%), ou seja, a internet.

PERFIL DAS OFENSAS

Durante a análise dos dados, os analistas do ISP realizaram a leitura de cerca de 3 mil registros de ocorrência e constaram as ofensas verbais proferidas com mais frequência contra as vítimas de racismo no estado. Palavras como “macaca”, “macaco”, “negra”, “preto”, “preta” e “cabelo duro” foram as mais usadas pelos agressores. O que se observa nas palavras em destaque é que os aspectos que constroem o fenótipo negro (cor da pele, formato do nariz, textura do cabelo), as religiões de matriz africana e a própria herança histórica da escravização foram os elementos utilizados para a depreciação das vítimas.

Todas as nossas reportagens estão em constante atualização. Quem entender (pessoas físicas, jurídicas ou instituições) que tem o direito de resposta acerca de quaisquer de nossas publicações, por ter sido citado ou relacionado a qualquer tema, pode enviar e-mail a qualquer momento para plantaodoslagos@gmail.com

©Plantão dos Lagos
Fonte: Folha dos Lagos
Fotos: divulgação

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