Comunidades quilombolas lutam pela sobrevivência diante da omissão do Estado

0
82

Comunidades quilombolas lutam pela sobrevivência diante da omissão do Estado“Não há uma política do Estado para que as comunidades possam entender esse processo que a doença utiliza. A falta de informação, educação e saúde é um gargalo. Não existe uma política efetiva para as populações do campo, os cuidados de isolamento, testagem, esse processo de aconselhamento em saúde pública”, ataca Magno Nascimento, da Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará (Malungu). Até a sexta-feira (14), o estado nortista perdeu 43 moradores de comunidades quilombolas em decorrência da covid-19.

As mortes nas comunidades paraenses representam quase um terço de todos os óbitos quilombolas no Brasil. Conforme dados coletados pelos próprios moradores e aglutinados pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) — que os cruza com informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no portal Quilombo Sem Covid-19 —, são 152 falecimentos nos quilombos brasileiros, com 4.102 infecções. Há 528 localidades no estado, sendo apenas 65 nas redondezas de algum município.

A segunda posição em óbitos quilombolas é do Rio de Janeiro. Apesar da baixa concentração de comunidades — são 116, e 36 delas nas cercanias de áreas urbanas — até a última sexta foram 37 falecimentos dentro dos quilombos por causa da pandemia.

FIM DO ISOLAMENTO

Moradora do Maria Joaquina, nas imediações de Cabo Frio, na Região dos Lagos fluminense, Rejane Oliveira critica a retomada de atividades não essenciais no município. “Abriram o comércio e permitiram jogos de futebol na cidade. Todo mundo está na rua, não tem mais isolamento”, aponta.

Membro da Conaq e coordenadora da Associação dos Quilombolas do Rio de Janeiro (Aquilerj), Oliveira mostra que, apesar da proximidade com a cidade, o percurso até o atendimento em caso de contaminação pelo novo coronavírus é grande. “Fui infectada em junho, mas já estou melhor. São 25 km até o hospital de campanha. Foi uma luta para ser atendida e comprar remédio”, relata a ativista.

Assim como o colega paraense, ela ataca a ausência do Estado durante uma crise sem precedentes. “Até o momento, não há ações do governo, apenas de ONGs [organizações não governamentais] e ação integrada da população”, queixa-se.

Ela atendeu à reportagem na volta de uma dessas iniciativas. A articulação das dez comunidades remanescenes dos quilombos presentes na Região dos Lagos identificou que a mão de obra ociosa das mulheres das redondezas seria crucial para a defesa dessas comunidades.  “Demos a ideia de costurar as máscaras e entregar nos quilombos, para promover a necessidade de proteção contra essa doença”, conta Oliveira. “Cada costureira nossa recebe 400 máscaras para distribuir e alguns metros de pano para continuar produzindo”, explica.

FALTA DE ACESSO A SERVIÇOS

A entrada das comunidades quilombolas no mapa da covid-19 foi exponencial. Em 23 de abril, o Jornal de Brasília conversou com Givânia Silva, fundadora da Conaq. À época, eram sete casos de contaminação pelo novo coronavírus, com seis mortes. Agora, são 586 vezes mais infecções e 25 vezes mais mortes, e a situação das comunidades pode piorar.

De acordo com estudo em parceria de Conaq, quipe de Conservação da Amazônia (Ecam) e outras entidades, 67% da população entrevistada vive com até um salário mínimo por mês, e 63% têm ao menos um parente trabalhando fora da comunidade.

Todas as nossas reportagens estão em constante atualização. Quem entender (pessoas físicas, jurídicas ou instituições) que tem o direito de resposta acerca de quaisquer de nossas publicações, por ter sido citado ou relacionado a qualquer tema, pode enviar e-mail a qualquer momento para plantaodoslagos@gmail.com

©Plantão dos Lagos
Fonte: Redação / Plantão
Fotos: divulgação

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui