Amigo pessoal de Bolsonaro é demitido pelo Dr. Serginho na ALERJ e reclama de “retaliação”

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Amigo pessoal de Bolsonaro demitido pelo Dr. Serginho na ALERJ reclama de “retaliação”Essa semana, um deputado estadual que representa Cabo Frio na Alerj, o Dr. Serginho (PSL), ocupou as manchetes pela acusação publicada pelo UOL Notícias e repercutida pela InterTV, de ter contratado em seu gabinete um policial apontado como chefe da “Máfia das Vans” na Região dos Lagos, embora segundo o deputado o agente tenha sido absolvido das acusações, pelas quais inclusive foi preso no passado. Depois disso, o deputado foi para as redes sociais acusar a imprensa de perseguição, fazendo uma ODE ao presidente Bolsonaro, a quem chamou de líder e inspiração política. E ainda disse que não tem cargos nem no Governo do Estado e nem no Governo Federal, outra mentira que estaremos desmascarando em breve.
Pois bem! Não passou nem 24 horas do “festival de baboseiras” do Dr. Serginho e sua trupe de fakes nas redes sociais, para que uma outra bomba explodisse no gabinete da liderança do PSL na Alerj. Nessa segunda-feira (02/12) o jornal Folha de Pernambuco publicou uma matéria em que mostra que o antigo motorista,  e amigo pessoal do presidente Jair Bolsonaro (agora sem partido), foi demitido da Assembleia Legislativa, justamente – vejam só – pelo Dr. Serginho. A “retaliação” como Ronald Generoso da Silva se referiu, se deve à guerra entre o Governador – de quem o deputado de Cabo Frio também é um “aliado às escondidas” – e o Presidente da República.
Sargento do Corpo de Bombeiros, que por mais de dez anos trabalhou ao lado do atual presidente, Generoso perdeu seu cargo na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) em meio à disputa no partido – e só descobriu uma semana depois, sem receber explicações. Com salário líquido de R$ 4.847, ele prestava serviço ao gabinete do deputado Rodrigo Amorim (PSL-RJ), aquele mesmo que quebrou a placa da Marielle, embora estivesse nomeado na liderança da sigla, comandada pelo Dr. Serginho. Rodrigo Amorim é próximo a Wilson Witzel e se proclama “independente”.
Dr. Serginho, por sua vez, diz que se vincula ao grupo próximo do presidente da República. Generoso foi exonerado no dia 22 de novembro segundo publicação do Diário Oficial. O bombeiro, porém, só se deu conta de que estava sem o cargo na quinta-feira da semana passada (28/11) ao tentar, sem sucesso, sacar seu salário no banco. Ao consultar a liderança, ele foi informado de sua exoneração. “Ninguém me avisou, nem deu justificativa. Simplesmente fui exonerado”, relata Generoso, informado do corte após buscar esclarecimentos na liderança do PSL.
Questionado sobre sua relação com Bolsonaro, Generoso conta que foi colaborador do presidente por muito tempo. “Tenho uma amizade muito grande dele [Bolsonaro]. Pelo menos, tinha”, afirmou ele, que se considera vítima de uma retaliação. O líder da bancada, Dr. Serginho, que também se diz muito amigo de Jair Bolsonaro (pelo menos nas redes sociais) disse que “cargo em comissão é de livre nomeação e exoneração”. “Ele foi exonerado. Já foi nomeada outra pessoa”, disse Dr. Serginho.
Para integrantes do partido, esse é mais um capítulo da disputa dos deputados, divididos entre os que pretendem seguir Bolsonaro – recém-desfiliado do PSL para criar uma nova sigla, a Aliança pelo Brasil – e os que apoiam Witzel, hoje desafeto do presidente. No dia da exoneração de Generoso, Witzel tinha requisitado de volta os policiais que estavam cedidos aos gabinetes de cinco deputados do PSL, coincidentemente os maiores opositores do governador.
Liderada por Dr. Serginho, a bancada obteve na Justiça o direito de manter os agentes em suas escoltas, inclusive o tal ex-líder da “Máfia das Vans” que é nomeado no gabinete do líder do PSL na Alerj. Os bolsonaristas prometem apresentar ao Ministério Público denúncia de que Witzel persegue seus adversários e montou um bunker no Palácio Guanabara para investigá-los. Um dos relatos a serem apresentados é a fala de Bolsonaro de que o governo do Rio teria vazado informações sigilosas na tentativa de envolver sua família no assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes. A inclusão dessa acusação levaria a denúncia à Procuradoria-Geral da República.
“Existe uma testemunha de referência que é o próprio presidente da República”, disse Dr.Serginho. Segundo ele, Witzel também expôs os parlamentares a risco ao requisitar os policiais mesmo depois de o próprio governo alertar um deles sobre ameaça de morte. O deputado recebeu um relatório da inteligência sobre o perigo que corria. Em nota, a assessoria do governador negou a existência de produção de dossiês no Palácio Guanabara. “Não existe nenhum bunker no Palácio Guanabara, local de trabalho da administração estadual, aberto permanentemente ao público e a visitantes diários interessados em temas de governo e não em teorias conspiratórias sem fundamento”, diz a nota.
O conflito entre a família Bolsonaro e Witzel começou no fim de setembro, após o governador afirmar em uma entrevista que sua eleição não se deveu ao apoio de Flávio Bolsonaro ou à sua vinculação ao atual presidente. O senador chegou a declarar que seus aliados deveriam ir para a oposição ao governador na Alerj, mas depois recuou e afirmou que seriam “independentes”. Após a revelação da menção ao nome de Bolsonaro no inquérito sobre o assassinato de Marielle e Anderson, contudo, a relação que se azedara foi rompida. O presidente atribuiu a Witzel a inclusão de seu nome no caso, o que o governador nega.
E no meio desse fogo cruzado, estamos às vésperas do ano eleitoral e a situação fica muito difícil para o Dr. Serginho, que diz ter pretensões de ser candidato à prefeito no ano que vem. No PSL, quase que certamente não terá vaga para concorrer. Se sair do partido, pode perder o cargo de deputado estadual. Se ficar, pode ser expulso e também perder o cargo. A Aliança pelo Brasil, partido pretendido por Bolsonaro, segundo especialistas, não conseguirá o registro a tempo de concorrer nas eleições de 2020 e, mesmo se conseguir não terá tempo de televisão e fundo partidário adequados para as campanhas. Ou seja: os planos do político de Cabo Frio podem ir por água abaixo e os conselheiros mais próximos já o tentam demover do delírio de ser candidato a prefeito de Cabo Frio nessas condições.
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(Fonte: Plantão dos Lagos / Folha de Pernambuco