Teste de consumo: Corolla Cross Hybrid vs. Corolla Cross 2.0

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Corolla Cross

Toyota Corolla Cross Hybrid ou 2.0? Qual é a melhor versão? Nós avaliamos as duas opções flex na ocasião do lançamento do SUV (leia aqui). Na época, já tinha ficado claro que, para quem prioriza desempenho, o Corolla Cross 2.0 flex de até 177 cv leva boa vantagem sobre o Hybrid, que tem motor 1.8 de até 101 cv, chegando a 123 cv com a ajuda elétrica. A diferença mecânica resulta em um 0-100 km/h de 9,7 segundos no 2.0 e 11,8 no Hybrid, no modo Power (no “normal” são quase 15). Nas retomadas 80-120 km/h, o 2.0 também levou vantagem, embora menor: marcamos 4 segundos, contra pouco mais de 5 no híbrido (de novo, no modo Power; no normal, foram quase 8). Mas e para quem se preocupa mais com o consumo do Corolla Cross do que co seu desempenho?

Apesar de a marca não ter ainda opções com o mesmo pacote de equipamentos e mecânicas diferentes, obrigando quem quer mais equipamentos a levar o Corolla Cross Hybrid, queríamos descobrir a diferença de gastos, na prática, no posto de combustível. Pensando em uma utilização mais comum e cotidiana na cidade e em viagens com a família, fizemos um teste de consumo comparando as duas versões.

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LABORATÓRIO VS. REALIDADE

Os números oficiais de consumo do Toyota Corolla Cross registrados no Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) são aferidos em laboratório, por meio de um rigoroso método científico, usando padrões de testes NBR e depois aplicando uma fórmula com redutores para adequá-los ao uso real.

Segundo o PBEV-Inmetro, os testes de consumo do Corolla Cross Hybrid resultaram em 17 km/l na cidade e 13,9 km/l na estrada com gasolina, e, com etanol, 11,8 e 9,6 km/l, respectivamente. Já o Corolla Cross 2.0 registra 11,5 km/l na cidade e 12,8 km/l na estrada com gasolina, ou, 8 e 9 km/l, respectivamente, com etanol.

Muitos questionam se estes números correspondem à realidade. Alguns donos não conseguem repetir as marcas, outros as superam. E não há nada de errado nisso – o PBEV usa um padrão de testes para comparar os carros em situações iguais, por uma questão de justiça. Mas, na prática, o consumo depende de onde você costuma circular – vias planas ou sinuosas, estradas de pista única ou dupla, regiões com muito trânsito ou pouco, etc.

E, obviamente, o consumo também depende de como você dirige. Ainda mais no caso dos carros híbridos, que requerem um certo “aprendizado” do motorista – que deve sempre observar os indicadores do painel, evitando acionar o motor a combustão.

O TESTE

Rodamos 300 quilômetros com cada uma das versões – um Corolla Cross XRE 2.0 e um Corolla Cross XRX Hybrid. Eles seguiram exatamente o mesmo percurso, com a mesma carga a bordo: eu, esposa, dois filhos e um exagero de bagagem. Circulamos pela cidade de São Paulo, depois seguimos pelas rodovias Ayrton Senna e Dutra até São José dos Campos, atravessamos a cidade e seguimos para a Serra da Mantiqueira, por estradas de asfalto, e, finalmente, por um trecho de terra. Depois voltamos. No fim, tivemos mais ou menos metade do percurso urbano e a outra metade, no rodoviário.

Os dois modelos foram abastecidos com etanol e dirigidos de modo econômico na maior parte do tempo, mas sem exageros para bater recordes – como dirijo normalmente com esposa e crianças a bordo, sem pressa, curtindo a paisagem. Ambos os Corolla Cross foram abastecidos com etanol e tiveram os pneus calibrados de acordo com especificações do fabricante antes da saída. Então, vamos aos resultados.

OS RESULTADOS

O uso urbano é sempre o que mostra mais vantagens de um carro híbrido. Isso porque, em situações de anda e para, ele tem mais oportunidades de reaproveitar a energia cinética que seria desperdiçada nas reduções e frenagens – a atuação do motor-gerador elétrico garante que essa energia abasteça a bateria e seja utilizada logo na sequência. Isso resulta no uso, em quase 50% do tempo, apenas do motor elétrico.

Em São Paulo, circulamos primeiro pelos bairros da Vila Pompeia e Vila Madalena, cheios de subidas, semáforos e cruzamentos. Depois, seguimos pela Marginal Tietê, via totalmente plana e com trânsito levemente carregado. No total de 36 quilômetros rodados, chegamos a médias de bons 9,7 km/l no Corolla Cross 2.0 e impressionantes 18,6 km/l no Hybrid. A diferença foi bem maior que a apontada pelo PBEV, e o híbrido rodou 91,8% mais que o 2,0 com cada litro de etanol.

Já no primeiro trecho de estrada, sem o anda e para para recarregar sua bateria, a vantagem do Corolla Cross Hybrid diminuiu – tanto no conforto, pois não se roda em tantos  momentos com o motor a combustão desligado, quanto no consumo. Andando no limite da lei, 120 km/h, as médias durante os 78 quilômetros foram de 11,5 km/l no Corolla Cross 2.0 e 14 km/l no Hybrid. Uma diferença menor, mais ainda de significativos 21,7%.

Chega a hora de cruzar São José dos Campos. Seguimos pelo anel viário, sem paradas e com limites variando entre 60 e 80 km/l, e, depois, por alguns quilômetros de avenidas e ruas sem movimento e com poucas paradas. Neste segundo cenário urbano, o Corolla Cross Hybrid de novo mostrou vantagem. Em um total de 20 quilômetros rodados, a média foi de 13 km/l no modelo convencional contra 22,2 km/l no com a mecânica híbrida – um rendimento por litro 70,8% maior.

Enfim, falamos de SUVs, e embora este seja um modelo mais adequado ao asfalto, como a maioria dos SUVs hoje, queríamos ver como se saía na estradinha de terra para o sítio/casa de campo. Foram 25 quilômetros de estradas sem asfalto, mas em boa condição. Enquanto o Corolla Cross 2.0 fez uma média de 9 km/l, a versão híbrida fez 13,2 km/l. Ou seja, 46,7% mais quilômetros rodados com o mesmo tanto de combustível.

Depois de 159 quilômetros rodados, chegamos enfim ao destino. No total, o Toyota Corolla Cross 2.0 consumiu 14,8 litros, com média de 10,7 km/l, enquanto o Corolla Cross Hybrid gastou 10,3 litros, com média de 15,4 km/l. Ou seja, a versão com a ajuda elétrica representou um rendimento extra por litro de combustível de quase 40%. Na volta, os números foram discretamente melhores, por ter mais descidas, e rodamos um pouco menos na cidade de São Paulo. Veja os dados completos na tabela abaixo:

2.0 Hybrid DIFERENÇA
trecho km média km/l litros consumidos média km/l litros consumidos rendimento extra por litro
São Paulo 36 9,7 3,7 18,6 1,9 91,75%
Ayrton Senna e Dutra 78 11,5 6,8 14 5,6 21,74%
S.J. Campos 20 13 1,5 22,2 0,9 70,77%
Terra 25 9 2,8 13,2 1,9 46,67%
TOTAL IDA 159 10,7 14,8 15,4 10,3 43,76%
Volta 142 11 12,9 14,7 9,7 33,64%
TOTAL GERAL 301 10,9 27,7 15,1 20,0 38,64%


Usando como base os resultados deste teste e o preço do etanol em São Paulo hoje – média de R$ 4,17 o litro, chegamos aos gastos abaixo – na viagem e anual, considerando uma média de 13.000 quilômetros rodados a cada 12 meses.

2.0 HYBRID ECONOMIA
CUSTO VIAGEM R$ 115,76 R$ 83,36 R$ 32,40 (28%)
CUSTO ANUAL R$ 4.999,42 R$ 3.600,25 R$ 1.399,16 (28%)

 

CONCLUSÃO

O Corolla Cross Hybrid mostrou uma vantagem bastante significativa no consumo – principalmente na cidade, como esperado. Os números foram melhores que no PBEV para os dois modelos — mas principalmente no caso do híbrido, que parece ser prejudicado pelo ciclo padrão de testes, tendo se saído muito mais econômico neste nosso teste em situações reais. Mas vale lembrar que dirigimos sem pressa. O modo Power do Toyota Corolla Cross Hybrid é para ser usado só em situações muito específicas. Porque, se for usar sempre, em busca de melhor desempenho, é melhor comprar logo o 2.0, pois a vantagem de consumo vai praticamente sumir.

Portanto, pensando no consumo de combustível, a melhor versão do Toyota Corolla Cross vai depender de como e onde você costuma circular mais. O Corolla Cross Hybrid é vantajoso para quem costuma dirigir sem muita pressa – e, quanto mais rodar dentro da cidade, maior será sua vantagem. Já para quem usa o carro principalmente na estrada, embora a versão híbrida apresente um consumo menor, ela já não é tão atrativa assim.

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Fonte: Motor Show