Renault Captur turbo 2022 quase faz esquecer do passado

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Desde que a segunda geração do Renault Duster estreou no Brasil, a vida do Captur ficou complicadíssima. Afinal, seu irmão mais barato era evidentemente bem superior a ele em todos os quesitos. Mais refinado, mais robusto e com melhor dirigibilidade, cabia ao Captur cativar apenas pelo visual. Mas e agora que o Renault Captur ganhou motor turbo?

Para criar um diferencial em relação ao Duster, a Renault deu ao Captur 2022 um novo motor turbo, mais equipamentos e até um interior mais refinado. Tudo com o objetivo de sanar as maiores críticas ao SUV compacto e abrir caminho no andar superior da categoria. Lugar onde estão modelos como Jeep Renegade, Volkswagen T-Cross e Honda HR-V.

Sem rodinhas

Antigamente, o Renault Captur era equipado com motor 1.6 SCe quatro cilindros aspirado de 120 cv e 16,2 kgfm de torque. Apesar de ser exatamente o mesmo conjunto mecânico do Duster, no modelo mais caro ele não se comportava igual. O Captur parecia amarrado, lento e sem vida. Enquanto o Duster entrega performance a contento.

Renault Captur Iconic 2022 [Auto+ / João Brigato]
Renault Captur Iconic 2022 [Auto+ / João Brigato]

A troca de coração pelo 1.3 TCe quatro cilindros turbo deu um novo sopro de vida ao SUV francês. Agora são 170 cv e 27,5 kgfm de torque – exatos 50 cv e 11,3 kgfm de torque a mais que o antigo 1.6 SCe. Na prática, o que faltava ao Captur, agora sobra.

O motor enche rápido e tem uma notável elasticidade. Entrega bom torque já em baixa rotação e consegue fazer o Captur embalar mesmo em regimes mais altos. O mais interessante é que a Renault soube muito bem fazer o casamento entre o motor turbo e a transmissão automática CVT, que agora simula oito marchas.

Renault Captur Iconic 2022 [Auto+ / João Brigato]
Renault Captur Iconic 2022 [Auto+ / João Brigato]

Motor e câmbio se entendem bem e não há aquela confusão entre o que um quer fazer e o que o outro deseja – algo comum em carros CVT. Basta pisar forte no acelerador, que instantaneamente o câmbio joga a rotação lá para cima e começa a simular marchas. Isso ajuda a evitar o efeito enceradeira típico desse tipo de transmissão.

O SUV embala com facilidade e quase faz o corpo grudar no banco. Mesmo em subidas bem íngremes e com o pé lá em baixo, o Captur turbo não faz sentir força ou que está sem fôlego. Um comportamento totalmente contrário ao que acontecia com o antigo modelo.

Renault Captur Iconic 2022 [Auto+ / João Brigato]
Renault Captur Iconic 2022 [Auto+ / João Brigato]

Pegada urbana

Ainda que o Duster transmita mais robustez e uma melhor sensação de solidez que o Captur, o novo modelo está mais refinado que antes. A suspensão ficou menos barulhenta e consegue absorver bem as imperfeições do solo. Já em curvas mais fortes, o Renault se comporta bem e de maneira neutra, sem balançar excessivamente sua alta e corpulenta carroceria.

A direção agora é elétrica, muito mais leve e de melhor funcionamento que a eletro-hidráulica de antes. Bastante suave e leve, ela tem bom comportamento em pistas sinuosas, sem ser lenta ou anestesiada em demasia. Não é um Sandero RS, mas faz curvas melhor do que se esperava de um modelo com seu porte sem nenhuma pretensão esportiva.

Renault Captur Iconic 2022 [Auto+ / João Brigato]
Renault Captur Iconic 2022 [Auto+ / João Brigato]

Meio lá, meio cá

Outra área em que o Renault Captur ficava devendo era em acabamento. Esse também era um defeito do Duster, resolvido na nova geração. Mas aqui no novo SUV compacto, ainda há algumas arestas a serem aparadas.

A Renault deu a ele um novo painel, com parte superior revestida em material macio ao toque. Há novos elementos em preto piano que dão um aspecto geral mais elegante. Aos olhos, tudo parece bem melhor. E de fato houve uma evolução. Contudo, onde ainda há plástico, a qualidade deixa a desejar e lembra até a do Kwid.

Renault Captur Iconic 2022 [Auto+ / João Brigato]
Renault Captur Iconic 2022 [Auto+ / João Brigato]

O SUV ainda ganhou volante do Sandero, que tem ótima empunhadura e materiais de revestimento de qualidade. A central multimídia, herdada do Duster, tem tela levemente opaca, mas menus de fácil uso e velocidade rápida na utilização. Outro elemento do Sandero é o ar-condicionado automático, que não é digital como o do irmão mais barato.

Entre os mimos eletrônicos estão sistema de câmeras nas laterais, dianteira e traseira. Não formam uma imagem em 360° como no Nissan Kicks, mas ajudam (e muito) na hora da manobra. Já o leitor de ponto cego atua com uma discreta luz nos retrovisores externos e não é excessivamente alerta como alguns modelos. Mas isso só na versão Iconic de R$ 138.490.

Espaço interno, entretanto, continua a ser um grande trunfo do modelo. A posição de dirigir excessivamente alta (mas condizente com um SUV) faz com que haja mais espaço para as pernas de quem se senta atrás. Além disso, tem porta-malas de 437 litros, um dos maiores da categoria.

Veredicto

Antes o Renault Captur não era uma opção atrativa dentro da gama de SUVs. Mas isso não era tão demérito dele, afinal, o Duster estava lá na mesma concessionária e era melhor que ele em todos os quesitos. Além de ter passado a ser mais equipado quando ganhou a segunda geração.

[Auto+ / João Brigato]
[Auto+ / João Brigato]

Agora com motor turbo, mais refinamento e com seus bons atributos mantidos, o Renault Captur finalmente passa a ter um importante diferencial de mercado. O casamento entre o 1.3 compartilhado com a Mercedes-Benz e o câmbio CVT é um dos mais bem acertados do mercado.

Finalmente o Captur deixou de ser só um SUV bonito e se tornou uma alternativa viável em um concorridíssimo segmento. Só poderia ter melhorado de acabamento tanto quanto o Duster, pois aquela faixa macia ao toque e o novo volante só serviram para disfarçar sua simplicidade interna. E nessa faixa de preço em que ele atua, o público é mais exigente.

[Auto+ / João Brigato]
[Auto+ / João Brigato]

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Fonte: Revista Carro