Porsche 718 Boxster GTS: primeiras impressões

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Para os mais conservadores, um esportivo que se preze deve ter motor grande e, de preferência, câmbio manual. Este Porsche contraria tudo isso. Porsche 718 Boxster GTS
Celso Tavares/G1
Para os mais conservadores, um esportivo que se preze deve ter motor grande e, de preferência, câmbio manual. O 718 Boxster GTS contraria tudo isso e carrega ainda o peso de ser um Porsche, uma das fabricantes de esportivos mais tradicionais do planeta.
O G1 andou no modelo, que parte de R$ 485 mil, para tirar a prova se o esportivo de Stuttgart também pode ocupar a garagem dos puristas.
Em sua nova geração, ele ganhou motor turbinado de apenas 4 cilindros. No Brasil, ele é oferecido ainda somente com câmbio automático – o eficiente PDK de 7 marchas, que fique claro.
Principais concorrentes do Porsche 718 Boxster GTS
Arte G1
(Quase) nada é de graça
Não tem como falar de um carro tão chamativo sem começar por valores. Além de custar R$ 485 mil, a unidade avaliada pelo G1 era dotada de inúmeros opcionais.
A Porsche não divulga o valor final do exemplar. Uma configuração feita no site da marca com a maioria dos itens da unidade testada alcança os R$ 553.210, sendo R$ 68.210 só de opcionais (alguns dos selecionados acrescentam outros automaticamente). Veja a lista:
Carroceria pintada no azul Miami Blue: R$ 13.587;
Bancos com inscrições GTS contrastantes: R$ 10.173;
Faróis full-LED: R$ 6.415;
Lavadores dos faróis pintados na cor do veículo: R$ 1.171;
Barras anticapotagem pintadas de preto brilhante: R$ 2.931;
Aerofólio móvel pintado em preto brilhante: R$ 2.001;
Pacote de iluminação ambiente: R$ 1.725;
Câmera de ré e sensores de estacionamento dianteiros e traseiros: R$ 3.793;
Sistema de som Bose: R$ 6.827.
Vale dizer que as opções de personalização são muito detalhadas e podem escapar aos nossos olhos. Ou seja, a conta deve ser ainda maior.
Porsche 718 Boxster GTS
Celso Tavares/G1
‘Só’ 4 cilindros?
Cuidado ao subestimar o motor 2.5 de quatro cilindros do 718 Boxster GTS. São 365 cavalos de potência e 43,9 kgfm de torque combinados ao câmbio automático PDK de 7 marchas e a tração traseira.
Indo além dos números, também é sempre válido lembrar que se trata de um legítimo Porsche. Ou seja, nem se passa pela cabeça de quem está ao volante que logo atrás (o motor é central-traseiro) não há um “motorzão” de ao menos seis ou oito cilindros.
O resultado disso é um 0 a 100 km/h em 4,1 segundos e uma velocidade máxima de 290 km/h.
Porsche 718 Boxster GTS
Celso Tavares/G1
As acelerações são prazerosas, tanto pela força entregue, quanto pelo ronco grave – um botão pode tornar o som ainda mais encorpado. As reduções de marcha dão direito até a “pipocos” no escapamento.
A direção obedece ao motorista de forma milimetricamente precisa e a suspensão não passa tantas “pancadas” aos ocupantes, apesar de sua natural rigidez. Assim como no escape, a suspensão também tem um botão dedicado para ficar mais firme ou macia.
Há 4 modos diferentes de condução: individual, normal, sport e sport+. O último é indicado para situações de pista por tornar o carro extremamente arisco, enquanto o individual pode reunir o melhor do que o motorista deseja entre ajustes de suspensão, câmbio, motor e direção.
Porsche 718 Boxster GTS
Celso Tavares/G1
Fácil convivência
Apesar de ser um esportivo de quase R$ 500 mil e 400 cv, o 718 Boxster GTS também pode oferecer uma convivência amigável no dia a dia.
A suspensão, que pode ser confortável, a direção leve e o porte do modelo o tornam fácil de dirigir.
Com 4,38 metros de comprimento e 1,80 m de largura, ele tem dimensões próximas de um Volkswagen Golf GTI.
O consumo também é um fator que facilita o convívio. De acordo com o Inmetro, o GTS alcança médias de 7,9 km/l na cidade e 10,3 na rodovia. Os números são muito melhores do que de uma Fiat Toro 1.8 automática, por exemplo, que faz 6,4 e 7,8 km/l, respectivamente, com etanol.
Interior mescla acabamentos de fibra de carbono, alcantara e couro
Celso Tavares/G1
Tudo isso pode ser aproveitado de um jeito mais intimista, com o carro todo fechado, ou ainda com os cabelos ao vento, abrindo a capota. Ela leva 9 segundos para se abrir ou fechar.
Talvez o único “perrengue chique” para quem nunca teve contato com um Porsche será ligar o carro. Como tradição da marca em competições, a partida sempre é dada do lado esquerdo do volante.
Equipamentos ‘básicos’
A lista de itens de série não é o principal chamariz do modelo, que tem equipamentos “básicos” como ar-condicionado digital de duas zonas, sistema start-stop, mostrador digital no quadro de instrumentos, monitoramento de pressão dos pneus e freio de estacionamento eletrônico.
Volante do esportivo reúne comandos como o seletor de modos de condução, à direita
Celso Tavares/G1
Apesar do sistema de som Bose (opcional) com 505 watts, 10 alto-falantes e subwoofer, a central multimídia não conta com as plataformas Android Auto e Apple CarPlay. Porém, há bluetooth para chamadas e streaming de áudio, com uma complicada operação de pareamento.
Os sensores de estacionamento e a câmera de ré também são opcionais, assim como os faróis full-LED. Apesar da bela chave, que replica o formato e a cor do carro, ela não é presencial para partida do motor.
No console central, comandos de ESP, ajuste de suspensão, nível do ronco, subida/descida do aerofólio e, ao centro, de abertura/fechamento da capota
Celso Tavares/G1
Tem, mas acabou
Em janeiro deste ano, a Porsche atendeu aos pedidos dos mais puristas e passou a equipar o 718 GTS com motor 4.0 aspirado de seis cilindros com 400 cv de potência (35 a mais do que o turbo). Com o “coração” novo e câmbio manual, o modelo passa a ir de 0 a 100 km/h em 4,5 segundos.
A nova motorização ainda não chegou ao Brasil, o que deve acontecer até o final de 2020, assim que a versão com câmbio automático PDK for lançada.
Ainda que em um número mais limitado de unidades, o modelo também deverá ser vendido com câmbio manual por aqui.
Sobre os exemplares do 718 GTS equipados com o 2.5 turbo, a Porsche diz que todos destinados ao mercado brasileiro já foram vendidos. Mesmo assim, ele ainda aparece no site da marca.
Como é tradição entre os modelos da marca, chave repete o desenho e a cor da unidade
Celso Tavares/G1
Conclusão
Fácil de guiar, com ótimo desempenho, excelente dirigibilidade e ainda com o status de um Porsche, o 718 Boxster GTS pode até não ser o mais potente em sua faixa de preço, mas é o melhor entre eles. Além disso, ele prova que sim, um esportivo de verdade também pode ter só quatro cilindros.
Porém, se a sua intenção era a de comprar um zero quilômetro, há duas opções: buscar por um seminovo logo mais ou esperar pelo 4.0.


Fonte: Auto Esporte