Honda Civic Si 2020: primeiras impressões

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Esportivo reina quase que sozinho entre os modelos desse tipo com câmbio manual. Preço de R$ 180 mil é elevado, apesar do prazer ao dirigir. Honda Civic Si muda pouco e continua sendo esportivo para quem gosta de dirigir
Agosto marca a chegada da nova nota de R$ 200. É também neste mês que o Honda Civic Si começa a ser vendido pelas concessionárias da marca japonesa. Pode não parecer, mas eles têm suas semelhanças.
Mesmo sem ter entrado em circulação, não é preciso ser nenhum guru para saber que a cédula do lobo-guará será presença rara na carteira de grande parte dos brasileiros. Da mesma forma, o Civic Si habitará pouquíssimas e seletas garagens.
São necessárias 900 notas de R$ 200, ou R$ 179.900, para levar o esportivo para casa. Há 2 anos, quando o Si anterior foi lançado, seu preço era R$ 20 mil mais em conta.
Espécies em extinção
Honda Civic Si
Divulgação/Caio Mattos
Além disso, o lote importado do Canadá é composto por apenas 30 exemplares. Quando eles acabarem, só ano que vem. Mas, além de serem sonhos distantes para muita gente, tanto o esportivo como a nova nota do real já podem ser considerados espécies em extinção.
Notas de dinheiro têm sido cada vez menos utilizadas mundo afora. A Suécia, por exemplo, primeiro país a ter papel-moeda, decidiu que só aceitará meios eletrônicos de pagamento a partir de 2023.
No universo dos carros, exemplares com câmbio manual, assim como o do Civis Si, também têm se tornado mais raros, mesmo entre os esportivos.
É exatamente essa resistência que faz do Honda encantador. Ele é o único carro com carroceria cupê de 2 portas com transmissão manual à venda no Brasil.
Motor 1.5 turbo do Civic Si entrega 208 cv
Divulgação/Caio Mattos
Outra parcela do encanto é proporcionada pelo 1.5 turbo que habita o cofre dianteiro. Esse motor usa a mesma base do propulsor do próprio Civic Touring e também do HR-V Touring. Só que ele é preparado para entregar doses extras de potência e torque.
São 208 cavalos, disponíveis a 5.700 rotações por minuto e 26,5 kgfm de torque, entregues integralmente entre 2.100 e 5.000 rpm. Nesse aspecto, o Si segue exatamente igual ao modelo anterior.
Isso posto, qualquer oportunidade para dirigir um Si deve ser aproveitada. Foi o que o G1 fez ao aceitar o convite da Honda para conhecer a linha 2020 do cupê em sua pista de testes, ao lado da fábrica de Sumaré (SP).
Tabela de concorrentes do Honda Civic Si
Arte/G1
Na ocasião, além de algumas voltas em uma pista com asfalto liso, a empresa promoveu três exercícios para avaliar a dinâmica de condução do Si 2020.
Encurtou o que já era curto
Honda Civic Si acelera de 0 a 100 km/h em menos de 8 segundos
Divulgação/Caio Mattos
No primeiro ensaio, uma aceleração de 0 a 100 km/h, já foi possível perceber a principal novidade mecânica do modelo: o câmbio com relação encurtada em 6%. Se você já dirigiu um Civic Si, sabe que a transmissão já é curta. Agora, ficou ainda mais.
Com isso, o motorista troca as marchas antes, o que garante maior agilidade. Nessa prova, o cupê alcançou os 100 km/h depois de 7,7 segundos na melhor das passagens. A Honda não divulga os números oficiais.
Na prova seguinte, um slalom entre cones, não foi preciso trocar as marchas, mas outra virtude do Civic Si se mostrou bem presente: a estabilidade. Mesmo com trocas de direção repentinas a em velocidades acima dos 60 km/h, o cupê se mostra obediente e “colado” no chão.
A resposta rápida e certeira da direção também agrada quem está no controle. Ao final da prova, o melhor tempo foi de 14,6 segundos, já considerando a penalidade de 1 segundo pelo cone derrubado na hora da frenagem.
Honda Civic Si é um esportivo que ‘dá sinais’ quando está prestes a perder aderência
Divulgação/Caio Mattos
A última prova na pista da Honda foi um circuito desenhado com cones, que misturava curvas abertas e fechadas. Assim como no slalom, qualquer cone derrubado adicionava 1 ou 2 segundos ao tempo final.
Desta vez, porém, todos os cones permaneceram de pé, e o tempo foi de 40,5 segundos, entre os 5 melhores registrados pelos jornalistas convidados pela Honda para a prova.
Honda Civic Si
Divulgação/Caio Mattos
No estreito circuito, o Si mostrou outra qualidade: ser tolerante a exageros. Sempre que o aspirante a piloto tem ânsia por buscar tempos melhores, está sujeito a ultrapassar os limites do veículo.
Quando isso acontece, e mesmo com os auxílios eletrônicos desligados, o cupê é capaz de demonstrar com clareza que a busca pela volta mais rápida está prestes a ir por água abaixo. A partir desses sinais, é fácil corrigir a trajetória e trazer o carro de volta para o curso aliviando o pé do acelerador.
Nessa atividade deu para conhecer uma outra novidade no Civic Si: quando o modo Sport está acionado, entra em ação um amplificador do som do motor. Mas isso só pode ser notado por quem está dentro do carro. Mesmo assim, o “reforço” no ronco não é tão presente como em outros modelos que possuem tal recurso.
Para quem está do lado de fora, nada muda, e o Si continua cantando baixo.
Encontre as mudanças
Aletas plásticas na cor da carroceria são as maiores novidades no visual do Honda Civic Si 2020
Divulgação/Caio Mattos
Aliás, quem vê o Civic de fora vai precisar de muita atenção para perceber o que mudou no visual do Si. Na dianteira, há uma nova aleta plástica no nicho do farol de neblina, ali na parte inferior do para-choque.
Ela é pintada na cor do carro. Ou seja, pode ser branca, preta ou vermelha. O belo tom de azul do modelo anterior deixou de ser oferecido.
Logo abaixo desse aparato, o próprio farol de neblina também está diferente. Não no formato, mas na forma de iluminação. Sua lâmpada agora é de LED.
Rodas de 18 polegadas receberam novo desenho e pintura preta no Honda Civic Si 2020
Divulgação/Caio Mattos
Visto de lado, o Si traz novas rodas. Elas ainda são de 18 polegadas, mas têm um novo desenho e um acabamento escurecido.
E é só isso. Por dentro, a Honda segue a mesma pegada de mudar pouco. Agora, há novos detalhes em vermelho no estofamento dos bancos e no aplique plástico acima das saídas de ventilação.
A lista de equipamentos foi engrossada com sensor de chuva e carregamento de celular por indução.
Fora isso, o Civic Si é vendido sem opcionais, com teto solar, ar-condicionado digital, acendimento automático dos faróis, acesso e partida por chave presencial, faróis de LED, controles de tração e estabilidade, freio de estacionamento eletrônico, 6 airbags, câmera de ré, quadro de instrumentos digital, central multimídia de 7 polegadas e controle de velocidade de cruzeiro.
Honda Civic Si
Divulgação/Honda
Salvem os esportivos manuais
Ao menos o generoso pacote de itens de série ajuda a justificar o preço de venda salgado. Mesmo assim, as 30 unidades do Si devem se esgotar em poucos meses por uma razão bem simples: praticamente não há carros esportivos para satisfazer amantes da transmissão manual.
A exceção é o Subaru Impreza WRX, o único outro carro do tipo com opção de câmbio desse tipo, que custa R$ 192.900.
Os dois, na verdade, são de escolas bem diferentes. O Subaru é um sedã de quatro portas com tração integral. E tem motor 2.0 boxer de 270 cv. Sua tabela de preços ainda é R$ 13 mil cara.
Seja qual for a escolha do comprador, a diversão estará garantida. E essa espécie em extinção, que é a dos carros esportivos de câmbio manual, estará preservada por mais algum tempo.
Honda Civic Si
Divulgação/Caio Mattos


Fonte: Auto Esporte

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