Honda Accord e:HEV não é mais o mesmo, mas isso é bom

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O povo brasileiro é cheio de manias. Gosta de SUVs mesmo que sejam caros e prefere comprar um sedã pequeno de uma marca de luxo do que um três volumes gigantesco de uma fabricante generalista. É por isso que por aqui o único sedã grande à venda e que não pertence a uma marca premium é o Honda Accord e:HEV.

Em questão de porte, o Accord tem medidas semelhantes a modelos como BMW Série 5, Volvo S90, Mercedes-Benz Classe E e Audi A6. Entretanto, o preço de R$ 299.990 o coloca no mesmo patamar de valores de modelos como Série 3, A4, Classe C e S60. E com um importantíssimo diferencial: é híbrido de um jeito totalmente diferente.

Confusão mais do que clara

Confesso que quando a Honda apresentou o sistema e:HEV no Brasil, eu não fui o único jornalista a ficar extremamente confuso com seu funcionamento. Nosso cérebro está acostumado ao funcionamento dos híbridos tradicionais, como os da dupla Toyota Corolla e Corolla Cross. Mas o e:HEV da Honda é a ainda mais simples.

Honda Accord e:HEV [Auto+ / João Brigato]
Honda Accord e:HEV [Auto+ / João Brigato]

Ele conta com motor 2.0 aspirado de 145 cv e 17,8 kgfm de torque que não trabalha junto do elétrico de 184 cv e 32,1 kgfm. O sistema da Honda faz com que o motor a combustão funcione como gerador de energia para o motor elétrico. Contudo, o 2.0 entra em ação em velocidades constantes de estrada ou em momentos em que o elétrico seria pouco eficiente.

Ou seja, o sistema permite que o Accord rode com eletricidade nos momentos em que o motor a combustão seria pouco eficiente. E nas situações em que o elétrico gastaria bateria em excesso, o motor a combustão entra para gastar o mínimo possível. O resultado é consumo declarado de 17,4 km/l, mas conseguimos chegar a 21,9 km/l durante o teste com o sedã.

Honda Accord e:HEV [Auto+ / João Brigato]
Honda Accord e:HEV [Auto+ / João Brigato]

Disse me disse

O funcionamento do sistema híbrido do Honda Accord faz com que o ronco do motor não necessariamente acompanhe o andar do carro. O 2.0 pode estar a plenos pulmões e o sedã não andar tão rápido assim. Ou o pé afundado no pedal do acelerador e ele disparado com o motor ronronando apenas.

É interessante que isso provoca um efeito bastante curioso: o Accord anda muito melhor do que aparenta. Ele não tem mais o empurrão bruto do motor 2.0 turbo de antes, nem o soco que carros elétricos provocam. Sua aceleração é sempre linear, constante e sem solavancos. É de uma elegância e calmaria impressionantes.

Honda Accord e:HEV [Auto+ / João Brigato]
Honda Accord e:HEV [Auto+ / João Brigato]

Basta piscar o olho e ele já está a 120 km/h em silencio absoluto – ou com o motor 2.0 roncando para carregar as baterias do sistema elétrico. Ao atingir velocidade de cruzeiro, a gasolina começa a ser usada para manter o sedã na trajetória sem gastar nada da bateria. Contudo, nesse momento, o motor elétrico não é carregado.

É preciso destacar, no entanto, que o Accord e:HEV é menos emocionante de dirigir e mais fraco que o antigo modelo 2.0 turbo. Contudo, ele está longe de ser um carro manco ou lento. Agora tem performance suficiente para sua proposta e para não passar vergonha – antes, sobrava. Mas o instigante agora é fazer bons números de consumo.

Honda Accord e:HEV [Auto+ / João Brigato]
Honda Accord e:HEV [Auto+ / João Brigato]

This is america

Apesar de agora ter uma pegada totalmente diferente quanto a sensação de dirigir, o Accord continua a se comportar como um Civicão. E isso não é nem um pouco ruim. O Civic é conhecido por ser um dos melhores carros de tração dianteira que existem no mundo no quesito prazer ao dirigir. E o Accord também segue nessa tocada.

Ele é muito estável, plantado no chão e bom de curva. A posição de dirigir é bem mais baixa que em um outro sedã, numa pegada parecida com a do Audi A6. As pernas ficam esticadas, o painel é alto e o seu traseiro fica bem próximo ao chão. Além disso, a direção é pesadinha, bastante direta e pequena, o que ajuda na condução mais esportiva.

Honda Accord e:HEV [Auto+ / João Brigato]
Honda Accord e:HEV [Auto+ / João Brigato]

Suspensão mais firme faz com que o Accord deslize suavemente por estradas e vias de velocidade constante. Na cidade, a frente tende a ameaçar raspar em diversos momentos, especialmente por ser bastante longa. Mas também, com 4,90 m de comprimento, 1,86 m de largura e 1,46 m de altura ele tem porte de Fiat Toro.

Isso se traduz em um interior generosamente espaçoso. Mesmo com o motorista mais esticado, os passageiros atrás são bem servidos. Há muito material macio ao toque nas portas e painel, apesar de algumas inserções em plástico duro de qualidade apenas ok. O visual é elegante, mas um pouco datado.

Ele traz imitação de madeira na parte superior e uma enorme tampa de plástico para cobrir o local destinado ao carregador por indução. Central multimídia elevada com tela grande faz par ao painel de instrumentos parcialmente digital. Destaque ainda para a manopla de câmbio formada por vários botões e que é surpreendentemente de fácil uso.

Na parte tecnológica, destaque para a presença de piloto automático adaptativo com sistema de manutenção em faixa, faróis full-LED e frenagem autônoma de emergência.

 [Auto+ / João Brigato]
[Auto+ / João Brigato]

Veredicto

O Honda Accord não é o mesmo de antes. Em um mercado em que boa performance já é provida por modelos de luxo, ele precisava encontrar algum diferencial para se destacar. A versão híbrida foi a solução. Ele entrega números melhores que modelos como BMW 330e ou Volvo S60 com direito a preço um pouco mais baixo.

É recheado de equipamentos, gostoso de dirigir e com porte de sedã grande de verdade. Custar R$ 300 mil praticamente pode ser seu grande problema, visto que essa faixa os compradores procuram status. E um Honda, por mais que seja um ótimo carro, como é o caso do Accord, não provém esse nível de fator impressionar vizinho.

 [Auto+ / João Brigato]
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Fonte: Revista Carro