Fiat Toro turbo flex 2022 não é rainha à toa, mas segue bebum

0
46


Assim como é o caso da Chevrolet Spin, a Fiat Toro está sozinha em um segmento. Tudo bem que a Renault Oroch até tentou, mas ela é menor e nunca fez sobra à italiana. Mesmo isolada, a Stellantis decidiu que era hora de mudar e o acerto foi tremendo.

A Fiat Toro sempre foi um carro muito bom e acima da média da marca no Brasil. Vende horrores não por ser a única picape com porte verdadeiramente intermediário entre as compactas (Strada e Saveiro) e as médias (S10, Ranger e Hilux). Mas por ser um produto bem acertado, apesar de seus defeitos. Mas será que eles foram sanados na linha 2022?

Colocamos a maior novidade da linha para o teste, a versão topo de linha Volcano com motor turbo flex de R$ 144.990. É a primeira vez que a Fiat faz a aplicação da versão Volcano na Toro com motor sem ser diesel. Ela chegou a ser oferecida no motor 2.4 Tigershark flex, mas vendeu tão pouco que nem faz lembrar.

Fiat Toro Volcano [Auto+ / João Brigato]
Fiat Toro Volcano [Auto+ / João Brigato]

Sentimentos fortes

A grande crítica que a Fiat Toro sempre teve era em relação ao motor 1.8 E.Torq. Com ele, a picape bebia demais e andava de menos. Ele ainda permanece como opção mais barata na versão de entrada Endurance, mas as demais variantes (incluindo a própria Endurance) são equipadas com o novíssimo 1.3 GSE Turbo.

Com 185 cv e 27,5 kgfm de torque, esse motor tem vantagem de 46 cv e 8,2 kgfm de torque frente ao antigo 1.8 aspirado (139 cv e 19,3 kgfm). E na hora de acelerar, de fato a Toro é outro carro. Se antes ela se arrastava para acelerar até na cidade, agora tem pegada mais forte e condizente com seu porte e proposta.

Fiat Toro Volcano [Auto+ / João Brigato]
Fiat Toro Volcano [Auto+ / João Brigato]

Não chega a ser um carro com pegada esportiva, mas a Fiat Toro tem força suficiente para fazer uma retomada forte na estrada sem comer poeira para carros pequenos. Além disso, ganha velocidade sem muito esforço e sem parecer ser um mamute de várias toneladas, como o modelo antigo parecia.

A conversa entre o motor 1.3 turbo e o câmbio automático de seis marchas é melhor do que a que acontecia com o 1.8 aspirado. Mas ainda assim falta intimidade entre eles. A Toro turbo reduz menos marcha que a antiga, além de ter a rotação mais baixa na estrada (1.700 giros a 100 km/h contra 2.500 rpm da antiga).

Fiat Toro Volcano [Auto+ / João Brigato]
Fiat Toro Volcano [Auto+ / João Brigato]

Todavia, ela constantemente segura mais marcha que o necessário ou reduz para quinta marcha na estrada no momento em que não há necessidade. Parece que o câmbio ainda acha que trabalha com um motor aspirado, não aproveitando a força em baixa resultante da turbina.

Sede ao pote

Mas a grande questão sobre a Fiat Toro é seu consumo. Afinal, um motor de menor litragem e turbo, deveria consumir menos que o 1.8 aspirado antigo. Certo? Mas não é tão assim na prática. Durante nossos testes, a picape turbinada registrou média de 7,5 km/l na cidade e estrada com etanol

Fiat Toro Volcano e Fiat Toro Freedom 1.8 [Auto+ / João Brigato]
Fiat Toro Volcano e Fiat Toro Freedom 1.8 [Auto+ / João Brigato]

Contudo, produzimos um teste prático em parceria com o Falando de Carro para colocar o consumo da nova Toro à prova com o modelo antigo. O resultado não foi tão animador assim e está no vídeo no final da matéria. Em um trajeto de 90 km com troca de condutores e condições iguais de rodagem, a Toro turbo bebeu apenas 400 ml a menos de combustível.

Na prática, isso significa que a Toro 1.3 e a 1.8 gastam o mesmo praticamente, não resolvendo a fama de bebum da picape. Contudo, a diferença na hora de rodar é brutal. A performance do modelo antigo deixava muito a desejar, enquanto do modelo renovado, supera expectativas e a aproxima muito do rendimento da diesel.

Fiat Toro Volcano [Auto+ / João Brigato]
Fiat Toro Volcano [Auto+ / João Brigato]

Bons predicados

Ainda assim, a Fiat Toro 2022 manteve algumas das boas qualidades do modelo antigo na nova variante. A suspensão, por exemplo, continua a ser seu grande trunfo. Ela é macia e confortável a todo momento, a ponto de fazer com que buracos, valetas e imperfeições sejam ignorados com prazer pela italiana.

Por outro lado, basta fazer uma curva para que ela surpreenda pelo comportamento irrepreensível e até surpreendente para um carro desse porte. Ela não sai de trajetória fácil ou titubeia como seria de se esperar por culpa de sua altura. Há ainda a vantagem de ser construção monobloco.

Fiat Toro Volcano [Auto+ / João Brigato]
Fiat Toro Volcano [Auto+ / João Brigato]

Ao oferecer uma carroceria mais sólida e sem a junção de coxins do chassi sob carroceria, como nas picapes maiores, a Toro evita o chato pula-pula dos modelos maiores. Ela não chacoalha atoa, não joga carroceria para os lados com vento lateral e não é excessivamente molenga como as médias.

Outro ponto em que a Fiat Toro é um exemplo, é na direção. Extremamente leve e confortável, ela faz das manobras no dia-a-dia algo fácil. É possível rodar de batente a batente somente com a força do dedinho. Na estrada, ganha um pouco mais de peso, sem ficar dura. Além disso, filtra o que acontece no asfalto, o que condiz com sua proposta confortável.

Fiat Toro Volcano [Auto+ / João Brigato]
Fiat Toro Volcano [Auto+ / João Brigato]

Evolução

Além da melhora mecânica, a Fiat Toro finalmente teve acesso a algumas tecnologias presentes no Jeep Compass, seu primo com plataforma idêntica. A versão Volcano adiciona sistema de manutenção em faixa e frenagem autônoma de emergência por R$ 3.000 extras. Mas os sistemas ainda requerem uma calibração um pouco mais precisa.

A frenagem autônoma de emergência é sensível demais. Em situações em que o motorista está sob controle e fará a frenagem corretamente do carro, a Toro faz escândalo, acende alertas no painel e emite bipes para alertar o condutor. Contudo, é um pouco exagerado quanto a necessidade dos avisos.

Fiat Toro Volcano [Auto+ / João Brigato]
Fiat Toro Volcano [Auto+ / João Brigato]

Já o sistema de manutenção em faixa é pouco tolerável. Ele obriga a Toro a se manter no centro perfeito da faixa. Caso o motorista precise ficar um pouco mais a direita, por conta de um corredor de motos, por exemplo, o volante fica duro e empurra a picape para o centro novamente. Falta um pouquinho de tolerância do sistema.

O pacote também traz a central multimídia vertical com tela de 10,1 polegadas que por si só já vale o investimento extra. A tela gigante tem suporte a Android Auto e Apple CarPlay sem fio e que toma toda extensão da tela. Facilita e muito o uso de mapas e também torna os menus maiores e mais legíveis.

Fiat Toro Volcano [Auto+ / João Brigato]
Fiat Toro Volcano [Auto+ / João Brigato]

A tela tem excelente definição e é rápida – é um sistema fácil de usar, intuitivo e de qualidade. Se não tivesse o logotipo da Fiat no canto superior, seria fácil pensar que essa central multimídia pertence a um carro de marca premium. Esse foi um dos grandes acertos da marca.

Passo além

Ainda sobre telas, a Fiat deu à Toro um novo painel de instrumentos totalmente digital. Ele conta com uma pequena tela ao centro e é ladeado por indicadores de combustível e temperatura do motor, além de duas faixas com luzes que mudam de cor. É um layout fácil de ler e com bastante qualidade.

[Auto+ / João Brigato]
[Auto+ / João Brigato]

O painel tem diversos recursos, incluindo um econômetro que substitui o conta-giros e cria um jogo de luzes nas laterais do painel. Há opção de criar vários percursos de consumo, personalizar alguns elementos e até ocultar outros. Em modo Sport, a tela ganha fundo vermelho e os números são destacados.

Isso faz parte da evolução da cabine da Fiat Toro, que já era boa e ficou melhor. Não há materiais macios ao toque, mas os plásticos usados são de qualidade. O visual horizontalizado com barra cinza cortando o painel ajuda a dar sofisticação. Além disso, os comandos do ar-condicionado e do rádio na parte inferior tem rotores emborrachados e belo visual.

[Auto+ / João Brigato]
[Auto+ / João Brigato]

Destaque para o uso de couro no volante e nos bancos da versão Volcano com qualidade. O volante mantém boa empunhadura e botões de uso fácil. Mas bem que poderia ter tido seu miolo trocado para abrigar melhor o logotipo modificado da Fiat. Destaque também vai para a presença, finalmente, de espaços para colocar objetos e o celular.

A Toro ainda conta com um alçapão debaixo do banco do passageiro para abrigar tranqueiras variadas. Atrás, o espaço para dois passageiros é suficiente, enquanto um terceiro ocupante começa a se apertar. Como toda picape, não há muita área para as pernas, mas a Toro abriga melhor que muito hatch compacto.

Veredicto

Não é à toa que a Fiat Toro é a segunda picape mais vendida do Brasil. Além disso, mesmo sendo vendida somente no Brasil e em alguns países da América Latina, ela criou um segmento agora disputado também pela Ford Maverick e Hyundai Santa Cruz nos EUA. É, sem dúvida, uma das melhores ideias automotivas dos últimos tempos.

Poderia ter se acomodado na liderança sem mudanças? Sim, mas a Fiat fez as alterações necessárias para manter a picape na liderança. O motor agora é suficiente para ela, ainda que a picape continue bêbada como antes. Continua uma das melhores picapes para rodar na cidade e na estrada, além de ter um visual chamativo.

[Auto+ / João Brigato]
[Auto+ / João Brigato]

A coroa na caçamba da Fiat Toro pode até parecer pesada, mas ela a carrega sem a menor dificuldade e prova que um produto bem acertado e bem pensado pode mudar um mercado. E, mais importante de tudo, não se acomodar à fácil liderança que teve até agora. Porque a concorrência está vindo com tudo.

>>Ford Maverick vai brigar com a Fiat Toro fazendo 17 km/l na cidade

>>Fiat Argo S-Design democratiza tecnologia de versões caras – Avaliação

>>Moab é o Jeep Renegade definitivo? | Avaliação



Fonte: Revista Carro