Avaliação: Fiat Mobi Trekking muda, mas segue o mesmo

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Fiat Mobi Treeking
Foto: Roberto Assunção

Menor que um Fiat 147, o primeiro carro do fabricante produzido no Brasil, o Mobi Trekking aposta no visual robusto inaugurado pela perua Palio Weekend Adventure, em 1999, e depois ampliado aos modelos Doblò, Idea e Strada.  

Antes conhecido por Way/Way On, o aventureiro da família utiliza a mesma nomenclatura aplicada tanto no Argo quanto na “picapinha” Fiorino, com a linha 2022 exibindo novidades pontuais. Entre elas, destaque para os logotipos da Fiat escurecidos na dianteira/na traseira, o adesivo preto fosco no capô e os retrovisores trazendo luzes indicadoras de direção.

Renovado externamente, a cabine debutou console de teto com porta-objetos/espelho auxiliar, volante multifuncional, áudio composto por quatro alto-falantes e dois tweeters (falante de agudos), além do multimídia de 7” com interface amigável de operar e conectividade Android Auto/Apple CarPlay sem fio.

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Dimensões compactas 

Medindo 3,566 m de comprimento (o Fiat 147 L 1977 tinha 3,627 m), 1,666 m de largura, 1,552 m de altura e 2,304 m de entre-eixos, o Fiat Mobi Trekking, comparado ao “irmão” descontinuado Uno Way é menor 25,4 cm no comprimento e 7,2 cm no entre-eixos, mas oferece 10 cm extras na largura e 4 cm na altura.

Quem viaja na frente encontra bom espaço, comandos bem posicionados à mão, vidros elétricos e banco do motorista/coluna de direção reguláveis em altura. Este último, um opcional do Pack One (R$ 1.548), que ainda inclui a abertura interna do porta-malas/bocal do tanque de combustível, os espelhos retrovisores com função Tilt Down, os cintos frontais ajustáveis em altura e os sensores de estacionamento. Outro item cobrado à parte é o Pack Style (R$ 2.374), o qual adiciona as rodas de liga leve de 14” e os faróis de neblina.

O acesso ao banco traseiro é facilitado pelas portas com ângulo de abertura de 75º e lá atrás o espaço para as pernas/joelhos é restrito, enquanto o porta-malas de apenas 200 litros tem capacidade inferior ao do Renault Kwid (290), do Uno Way (280) e até do antigo smart fortwo coupé (220). A Cargo Box não é mais ofertada e essa prática caixa plástica com divisórias podia ser retirada do veículo facilitando a organização e o transporte das compras.

Cadê o motor Firefly?

O propulsor de quatro cilindros Fire Evo Flex 1.0 naturalmente aspirado está associado ao câmbio manual de cinco marchas para produzir até 75 cv a 6.250 rpm de potência e 9,9 kgfm a 3.850 rpm de torque, quando abastecido com etanol.

O Fiat Mobi Trekking assegura agilidade nos deslocamentos urbanos por conta das dimensões e do peso de 967 kg, porém, o motor “mil” tem apetite por giros mais altos para deslanchar e é inegável que o bloco de três cilindros Firefly de 77 cv e 10,9 kgfm (etanol) contribuiria nas reações do subcompacto. Já os engates da transmissão poderiam ser mais curtos e precisos – anos atrás, havia a opção do câmbio automatizado GSR (sigla para Gear Smart Ride), para lembrar.

As suspensões aguentam a buraqueira do nosso asfalto e a altura livre do solo de 190 mm ajudam na hora de enfrentar as valetas/lombadas ou uma estradinha de terra batida. Tendo proposta urbana, o Fiat Mobi Trekking exige planejar as ultrapassagens na estrada e rodando a 120 km/h o ponteiro do conta-giros repousa quase nas 4.000 rpm transferindo o ruído do motor e outros aerodinâmicos para dentro da cabine.

Fiat Mobi Treeking
A altura livre em relação ao solo é de 190 mm (Foto: Roberto Assunção)

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As rodas de liga leve de 14″ calçam pneus Dunlop Enasave EC300+ e eles rodam quietos no asfalto, mas a direção assistida hidraulicamente é pesada ao esterço e o desenho dos bancos cansam após horas e horas ao volante. Outro detalhe está na ausência dos controles eletrônicos de tração e de estabilidade, porém, os freios com discos ventilados de 257 mm no eixo dianteiro e tambor atrás possuem um acionamento progressivo ao contrário do que acontecia em modelos da Fiat do passado.

O Fiat Mobi Trekking é uma opção para quem quer desfilar por aí esbanjando um estilo despojado. Mas… ele “completásso” igual ao das fotos na cor cinza Silvestone com o teto preto Volcano sai por R$ 64.340. Um preço maior que do Hyundai HB20 Sense (parte de R$ 60.390), do Renault Kwid Outsider (R$ 61.740 na cor laranja Ocre) e cobra quase a quantia de um Fiat Argo 1.0 básico (a partir de R$ 65.690).


FICHA TÉCNICA 

FIAT MOBI TREKKING 2022
Preço básico: R$ 58.940 (preço São Paulo de R$ 60.833)
Carro avaliado: R$ 64.340 (preço São Paulo de R$ 66.406)

Fiat Mobi Trekking 2022
Motor: quatro cilindros em linha 1.0, 8V,
Cilindrada: 999,1 cm³
Combustível: flex
Potência: 73 cv (g) e 75 cv (e) a 6.250 rpm
Torque: 9,5 kgfm (g) e 9,9 kgfm (e) a 3.850 rpm
Câmbio: manual, cinco marchas
Direção: hidráulica
Suspensão: McPherson (d) e eixo de torção (t)
Freios: disco ventilado (d) e tambor (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 3,566 m (c), 1,666 m (l), 1,552 m (a)
Entre-eixos: 2,304 m
Pneus: 175/65 R14
Porta-malas: 200 litros
Tanque: 47 litros
Peso: 967 kg
0-100 km/h: 14s4 (g) e 13s8 s (e)
Velocidade máxima: 151 km/h (g) e 152,2 km/h (e)
Consumo cidade: 13 km/l (g) e 8,9 km/l (e)
Consumo estrada: 14,1 km/l (g) e 10 km/l (e)
Emissão de CO2: 98 g/km*
Nota no Inmetro: B
Classificação na categoria: B (subcompacto)





Fonte: Motor Show