Avaliação: Audi RS 6 Avant, a perua milionária que nos faz perder o juízo

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Audi RS 6 Avant 2021

Os SUVs dominaram o mercado, tornando as peruas cada vez mais raras. Restam pouquíssimas opções e, entre elas, estão as tradicionalíssimas e exclusivíssimas peruas esportivas da Audi — como a Audi RS4 e esta Audi RS 6 Avant, cuja quarta geração chegou no ano passado e, agora, passou uma semana na redação.

O preço “básico” desta Audi RS 6 Avant é de quase R$ 929.990, mas, somando a pintura fosca de R$ 75.000 e os freios de cerâmica/aumento do limitador eletrônico de velocidade, de R$ 95.000, chega a R$ 1.099.990. Uma perua milionária que nos faz perder o juízo.

Sem concorrentes no mercado, a Audi RS 6 Avant tem um visual indiscutivelmente belo. Durante a semana com a perua, não houve uma crítica sequer. Só elogios. Particularmente não gosto da pintura fosca e achei as rodas aro 22 e meio exageradas. Mas, fora isso, a Audi acertou em cheio no design, caprichando na agressividade em detalhes como as caixas de roda alargadas, as duas saídas de escape gigantescas e os generosos extratores aerodinâmicos dianteiro e traseiro.

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Contenha-se!

Quanto autocontrole é preciso ter para respeitar os limites de velocidade ao volante desta máquina com motor 4.0 biturbo com 600 cavalos e mais de 80 kgfm, de origem Lamborghini? Muito.

O Brasil não é a Alemanha, e ao volante de um carro desses, faz falta uma estrada sem limites de velocidade. Manter-se dentro deles é uma dura tarefa mesmo quando você não tem a intenção de superá-los.

Audi RS 6 Avant 2021
O seletor dos modos de condução. Ainda há os modos RS1 e RS2, do lado direito, personalizáveis

Há vários modos de condução, e mesmo no Efficiency, que ajusta direção, suspensões, conjunto motriz e toda a parafernália eletrônica para máxima economia e suavidade é fácil chegar a 140 ou 160 km por hora sem nem ao menos perceber. As oito marchas da transmissão automática se sucedem com muita descrição e o silêncio a bordo é absoluto com apenas um leve ruído aerodinâmico vindo dos retrovisores e do teto a partir de 150 km por hora.

Mude para o modo Dynamic, porém, o mais nervoso deles, e tem-se a fórmula perfeita para imprudência, multas e palpitações. O ronco do motor se faz presente as trocas de marcha são acompanhadas de estouros e leves trancos, a suspensão se torna extremamente rígida copiando perfeitamente a estrada — que você passa a considerar uma pista — e, nas curvas fechadas feitas com máxima imprudência dá até para experimentar um pouco de drift, proporcionando eletronicamente pela sofisticadíssima tração quattro.

Audi RS 6 Avant 2021
Com tanto poder, é preciso ficar de olho nas temperaturas — ela indica tudo na tela central. No quadro de instrumentos, ainda se vê a temperatura e pressão dos pneus
Sem noção

Afundar o pé direito a 120 km por hora é uma experiência surpreendente: parece que até antes disso você estava estacionado tamanha o vigor da aceleração que vem como resposta. Olho na estrada, você bate os olhos no painel novamente e já está acima de 200, e, acredite, não demora muito para chegar aos 305 km/h, máxima limitada eletronicamente (desde que se adquira os freios de cerâmica).

Na verdade, olhar para o painel é muita distração: melhor acompanhar pelo head-up display, que projeta as informações no para-brisas. Nos modos personalizáveis RS1 RS2, acionados por um botão no volante, a projeção inclui também o conta-giros, que traz indicações para os melhores momentos de troca de marcha caso você opte por fazê-las manualmente, usando as aletas junto ao volante.

Audi RS 6 Avant 2021
Nos modos RS, o cluster prioriza RPM (com indicador de troca de marcha, a shift-light) e mostra a força G. Mas melhor manter os olhos na estrada e no head-up display, no máximo

Em estradas mais sinuosas, Audi RS 6 Avant nos faz lembrar porque as peruas agradam tão mais ao volante do que os suvs que agora também têm versões superesportivas. A inclinação da carroceria é nula, e a direção, ajustada no modo mais esportivo, tem peso extremamente correto e respostas tão precisas e diretas que o carro parece adivinhar suas intenções. Assim, os limites de velocidade para as curvas às quais você está acostumado parecem se tornar inalcançáveis – e o fato de ter eixo traseiro esterçante ajuda tanto nelas (quando viram para o mesmo lado que as dianteiras) quanto nas manobras (quando viram na direção oposta). É até difícil acreditar que você está ao volante de uma perua de quase cinco metros de comprimento e três de entre-eixos, medidas similares às do SUV Audi Q7 (leia avaliação).

Detalhes insignificantes

Em um carro com tal desempenho, parece que todo o resto não é importante. Mas, caso você ligue para isso, ela também é absolutamente perfeita em todo o resto. O porta-malas é gigantesco, com 565 litros. A tampa traseira tem abertura e fechamento motorizados, assim como a cobertura sobre a bagagem — que se abre e se fecha junto com a tampa, sutil e delicadamente.

A cabine tem os acabamentos mais nobres com aço escovado, fibra de carbono e Alcântara por toda parte. Além do quadro de instrumentos digital, há também uma tela central repleta de ajustes informações — incluindo todo o sistema mecânico do carro, medidores de força G, etc — e os bancos tem o couro bege mais nobre e são perfurados, com ventilação e aquecimento, além de assento com comprimento ajustável. O sistema de som, obviamente, é impecável. Mais detalhes dos equipamentos no monte seu carro da marca.

Quem viaja no banco traseiro, além de muito espaço, graças aos 2,93 metros de entre-eixos, tem um teto solar próprio, separado do dianteiro, e cortinas para privacidade ou para quebrar o sol tanto nas janelas quanto na divisão entre cabine e porta-malas. Pra completar, pode ajustar o ar condicionado no painel traseiro (são quatro zonas)

Caçando defeitos

Se há do que reclamar, é do quadro de instrumentos, que é totalmente digital e configurável, mas tem um desenho que já está meio datado e algumas limitações de configuração. E não há Android Auto sem fio; para conectar sem cabo apenas com um iPhone.

Além disso, para quem curte as últimas tecnologias de assistência ao motorista, a piloto automático adaptativo, sistema de manutenção em faixa e frenagem automática de emergência. Mas falta um assistente de direção que dirija sozinho — o que de fato não faz muito sentido para quem compra um esportivo desse naipe, mais poderia até ser útil em situações de trânsito intenso.

Consumo?

Ah, e obviamente não dá para esperar que o carro seja econômico. Quer dizer, com tamanha brutalidade, dá até para considerá-la econômica, pois atinge marcas perto de 10 KM por litro na estrada. Mas isso quando você dirige com a família a bordo, com pé leve, na máxima prudência e cautela. Nestas situações, a Audi RS 6 Avant faz banguela, inclusive desligando o motor em altas velocidades, para beber menos.

Agora, a capacidade de andar rápido e com conforto é surpreendente, e muitas vezes passei bem dos limites sem que ninguém a bordo percebesse — e a média logo caiu para faixa de 7 Km por litro.

Sem a família a bordo, no entanto, como disse, fica difícil manter o controle. A média de consumo, em alguns trechos, ficou abaixo dos 4 Km por litro. Mas quem liga para isso diante de tamanho prazer ao volante — e depois de pagar mais de um milhão em um carro?


FICHA TÉCNICA

AUDI RS 6 Avant

Preço básico: R$ 929.990
Carro avaliado: R$ 1.099.990

Motor: oito cilindros em V 4.0, 32V, duplo comando continuamente variável, injeção direta, turbo, start-stop
Cilindrada: 3996 cm3
Combustível: gasolina, híbrido leve 48V
Potência: 600 cv de 6.000 a 6.250 rpm
Torque: 81,6 kgfm de 2.050 a 4.500 rpm
Câmbio: automático sequencial, oito marchas, modo roda-livre
Direção: elétrica
Suspensão: multilink (d/t)
Freios: disco ventilado (opcional de cerâmica)
Tração: integral, diferencial central autoblocante
Dimensões: 4,995 m (c), 1,951 m (l), 1,487 m (a)
Entre-eixos: 2,930 m
Pneus: 285/30 R22
Porta-malas: 565 litros (1.680 com bancos rebatidos)
Tanque: 73 litros
Peso: 2.150 kg
0-100 km/h: 3s6
Vel. máxima: 280 km/h (opcional 305 km/h)
Consumo cidade: 6,3 km/l*
Consumo estrada: 8,9 km/l*
Emissão de CO2: 192 g/km*
Nota do Inmetro: D*
Classificação na categoria: E (Esportivo)*
*dados do modelo anterior, sem sistema híbrido leve

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Fonte: Motor Show