BC organiza mutirão para renegociação de dívidas bancárias antes do Natal, diz Campos Neto

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Presidente do Banco Central também afirmou que deve entrar em operação no fim de 2020 sistema instantâneo de pagamentos para permitir transações bancárias 24 horas por dia. Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, durante audiência pública na CMO.
Alexandro Martello / G1
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta quarta-feira (20), durante audiência pública na Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso Nacional, que a instituição está organizando um mutirão para os clientes renegociarem suas dívidas com os bancos antes do Natal e do Ano Novo.
Segundo ele, a intenção é que as instituições financeiras abram suas agências, além do horário normal de expediente, para renegociar as dívidas dos clientes. Com isso, eles poderão “limpar” o nome e realizar novas compras neste fim de ano.
“Vai estar atrelada à educação financeira”, disse Campos Neto, explicando que, no mutirão, também serão concedidos cursos de como melhor administrar os recursos e evitar linhas bancárias “emergenciais”, como cheque especial e cartão de crédito rotativo, com taxas de juros muito elevadas.
Ele afirmou que, para 2020, há outras ações de educação financeira sendo programadas pelo Banco Central.
“Queremos fazer [ações] junto com os ‘bureaus’ de crédito. Que quem faça o curso, acaba tendo uma classificação de crédito superior atrelado a ganhar pontos que gerem desconto em produtos financeiros. Porque quem tem mais educação financeira tem menos inadimplência”, disse Campos Neto.
O presidente do BC voltou a observar que as linhas de crédito emergenciais (cheque especial e cartão de crédito rotativo) tiveram queda de juros nos últimos meses, mas em patamar bem inferior ao restante das linhas bancárias.
“Para 85% da massa de crédito, os juros vêm caindo. Nos produtos emergenciais caíram menos”, declarou.
Ele disse novamente que o BC deve lançar, até o fim do ano, um plano para baixar os juros do cheque especial das pessoas físicas, atualmente acima de 300% ao ano.
“É um produto muito regressivo. Quem está pagando o custo está embaixo na pirâmide. É como se quem estivesse embaixo pagasse o luxo de quem está em cima. É um produto mais usado pela renda mais baixa e por quem tem menos educação financeira. Precisamos fazer uma reengenharia para diminuir regressividade”, disse.
Para baixar o chamado “spread” bancário, que é a diferença entre a taxa de captação (quanto os bancos pagam pelos recursos) e o que cobram do tomador final do crédito, ele afirmou que é preciso organizar melhor as garantias dadas nas operações de crédito e, também, agilizar o processo de recuperação desses bens.
“Hoje, a recuperação de crédito é um processo judicial que leva muito tempo. Precisamos aperfeiçoar”, afirmou.
Pagamentos instantâneos
Campos Neto também afirmou na Comissão Mista de Orçamento que o Banco Central quer implementar, até o fim de 2020, um sistema de pagamentos instantâneo que funcionará sete dias por semana, 24 horas por dia.
A ideia é permitir as transações a qualquer momento e torná-las mais baratas. Atualmente, os clientes têm de utilizar os DOCs e TEDs e pagar os custos envolvidos.
“Os pagamentos instantâneos devem estar funcionando no fim do ano que vem. O dinheiro vai sair de uma conta para outra, independente de quem seja, empresa ou pessoa física, 24 horas por dia, sete dias por semana. Diminui a demanda por dinheiro em espécie”, declarou.
O chamado “ecossistema” de pagamentos instantâneos brasileiro será formado pelo arranjo aberto instituído pelo BC, pelos prestadores de serviços de pagamento participantes do arranjo e pelo Sistema Pagamentos Instantâneos (SPI).
O BC será o desenvolvedor, o operador e o gestor da base de dados única e centralizada do “ecossistema”.
Essa base de dados armazenará as informações das chaves ou apelidos que servem para identificar as contas transacionais dos usuários recebedores de maneira intuitiva e simplificada, permitindo que o usuário pagador utilize informações que ele já possui sobre o usuário recebedor para iniciar o pagamento.


Fonte: G1