A presença feminina vai crescer na Câmara dos Deputados a partir de 2027. Nas eleições deste ano, 109 mulheres foram eleitas para a Casa, 19 a mais que as 90 que integram a atual legislatura. O aumento é de 21,1% e leva a bancada feminina ao maior número já registrado no Legislativo federal.
No Rio de Janeiro, a representação feminina também seguirá abaixo de um quarto das cadeiras da Assembleia Legislativa. A próxima composição da Alerj terá 16 mulheres entre os 70 deputados estaduais, o equivalente a aproximadamente 22,9% da Casa.
Apesar do avanço, a diferença em relação aos homens ainda é significativa. As mulheres ocuparão 21,2% das 513 cadeiras da Câmara Federal, enquanto os homens serão 404 deputados, ou 79% da nova composição. Das 109 eleitas, 59 conseguiram a reeleição.
A lista reúne Anielle Franco (PT), Soraya Santos (PL), Talíria Petrone (PSOL), Manoela Peres (PL), Dani Cunha (PL), Julia de Castro (PL), Chris Tonietto (PL), Jandira Feghali (PCdoB), Nísia Trindade (PT) e Talita Galhardo (PSDB). Metade da representação feminina fluminense na Câmara será do PL.
O contraste é ainda maior quando o resultado é comparado ao eleitorado brasileiro. As mulheres são maioria entre os brasileiros aptos a votar em 2026: 83,8 milhões de eleitoras, o equivalente a 52,84% do total. Ou seja, apesar de representarem mais da metade de quem vai às urnas, ocuparão pouco mais de um quinto das cadeiras da Câmara.
O crescimento ocorreu mesmo com uma redução no número de mulheres que disputaram vaga de deputada federal. Em 2022, foram 3.317 candidatas. Neste ano, 2.820 entraram na disputa, uma queda de 24%. Ainda assim, o número de eleitas avançou.
No Rio, Alerj terá 16 mulheres
O número mantém a presença feminina próxima do patamar atual. Em 2026, a Alerj já contava com 16 deputadas em exercício, considerada pela própria Assembleia a maior bancada feminina de sua história.
Se o crescimento no número de cadeiras foi limitado, as urnas mostraram um peso político maior das candidaturas femininas. Mulheres apareceram entre as maiores votações da disputa estadual, reforçando um cenário em que a força eleitoral nem sempre se traduz na mesma proporção em representação parlamentar.
Índia Armelau (PL) terminou a eleição na primeira colocação geral, com 248.504 votos. Renata Souza (PSOL) apareceu em terceiro, com 176.871, seguida por Dani Balbi (PCdoB), com 169.474 votos. Elika Takimoto (PT), com 135.271, também ficou entre os dez primeiros colocados.
A nova bancada feminina terá Verônica Lima (PT), Fernanda Neves (PDT), Marina do MST (PT), Dani Monteiro (PSOL), Tia Ju (Republicanos), Luciana Boiteux (PSOL), Giselle Monteiro (PL), , Zeidan (PT), Carla Machado (PSD) e Joyce Trindade (PSD).
O resultado também leva duas representantes da Região dos Lagos para a bancada feminina estadual: Dra. Gabriela (PL), de Cabo Frio, eleita com 96.267 votos, e Ana Paula Mendes (PSD), também com forte base eleitoral no município. Gabriela aparece, inclusive, entre as cinco mulheres mais votadas para a Alerj.
Avanço ainda distante da paridade
O cenário de 2026 reforça um movimento de crescimento da participação das mulheres na política institucional, mas mostra que a distância para uma composição equilibrada permanece grande.
Na Câmara, mesmo com o acréscimo de 19 cadeiras, quase oito em cada dez deputados continuarão sendo homens. Na Alerj, a proporção também ficará próxima de uma mulher para cada três parlamentares homens.
Além de ampliar o número de eleitas, o desafio da próxima legislatura estará na participação feminina nos espaços de maior poder dentro das próprias Casas, como mesas diretoras, presidências de comissões, relatorias e lideranças partidárias
Fonte: Fonte Certa






