
O Ibovespa devolveu parte dos fortes ganhos da véspera e encerrou esta terça-feira (6) em queda de 0,52%, aos 205.835 pontos. Apesar da correção, o principal índice da B3 permaneceu em patamar elevado depois de registrar, na segunda-feira (5), sua maior valorização diária em seis anos.
Ao longo do pregão, o indicador oscilou entre 204.725 e 209.522 pontos. O volume financeiro negociado somou R$ 43,5 bilhões.
A queda ocorreu após o Ibovespa disparar 7,70% na sessão anterior, quando a reação dos investidores ao resultado do primeiro turno da eleição presidencial levou o índice a superar pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos.
Para Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, o comportamento desta terça-feira refletiu principalmente uma acomodação depois do movimento excepcional da véspera.
“Acredito que o movimento do Ibovespa de hoje seja uma realização de lucro do dia de ontem. Normalmente, após um movimento muito forte de alta, o mercado tende a embolsar parte do lucro e isso é bem saudável”, afirmou.
Segundo Magno, a atenção dos investidores deve permanecer concentrada no cenário político e nos possíveis movimentos mais intensos dos preços dos ativos nos próximos dias.
“Como a negociação foi a maior na história do Ibovespa, quase R$ 80 bilhões de reais, é normal alguns ativos caírem sem nenhuma notícia aparente, apenas realização de lucros mesmo”.
Entre as maiores valorizações do dia, a Minerva avançou 7,40%, enquanto Cogna ganhou 4,83%. Vamos subiu 4,52%, Totvs teve alta de 4,45% e Fleury avançou 4,41%.
Na direção contrária, Banco do Brasil caiu 6,42% depois de ter sua recomendação rebaixada pelo JP Morgan. Rumo perdeu 3,49%, Prio recuou 3,27%, Axia Energia caiu 3,10% e BTG Pactual terminou o pregão em baixa de 2,81%.
O Bradesco destoou do desempenho do Banco do Brasil e avançou 4,40%, beneficiado pela elevação da recomendação de suas ações pelo JP Morgan.
Dólar abaixo de R$ 5
No mercado de câmbio, o dólar à vista prolongou o movimento de desvalorização e fechou em queda de 0,47%, cotado a R$ 4,978. Durante o dia, a moeda americana variou entre R$ 4,944 e R$ 4,986.
O câmbio continuou refletindo a percepção mais favorável dos investidores após o primeiro turno das eleições, além do enfraquecimento da moeda americana no exterior.
Na avaliação de Magno, a entrada de recursos estrangeiros no país também contribui para fortalecer o real.
“O mercado começa a colocar a moeda abaixo dos R$ 5,00 nas projeções. Além disso, conforme o capital estrangeiro entra no mercado brasileiro, seja via título público, seja via bolsa, o investidor de fora precisa trocar seus dólares por reais, o que, sem dúvidas, pesa contra a moeda americana em relação ao real”.
No mercado internacional, os contratos de petróleo encerraram o dia próximos da estabilidade, mas em terreno positivo. Os investidores seguem atentos aos riscos para a oferta no Golfo Pérsico e às negociações envolvendo um possível cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã.
O Brent para dezembro avançou 0,26%, para US$ 100,58 por barril. Já o WTI com vencimento em novembro registrou leve alta de 0,01%, negociado a US$ 89,44.
As bolsas americanas também terminaram a sessão no campo positivo. O Dow Jones avançou 0,49%, enquanto o S&P 500 ganhou 0,58% e o Nasdaq subiu 0,45%.
Fiscal no radar
Depois da forte reprecificação dos ativos brasileiros, o cenário fiscal deve ganhar peso nas decisões dos investidores. Magno avalia que há espaço para novas altas do Ibovespa caso o próximo governo apresente medidas consideradas consistentes para as contas públicas.
“Conforme o mercado for digerindo as decisões econômicas e com a possibilidade do Flávio Bolsonaro ser realmente o presidente, ele tomando as medidas necessárias para entregar um país mais saudável com relação às questões fiscais, é bem factível que o Ibov passe os 220 mil pontos.”
Segundo o especialista, a política fiscal deverá ser um dos principais fatores para determinar a trajetória da Bolsa nos próximos meses.
“Com o Flavio como presidente, o mercado tem essa expectativa e acredito que esse será o principal driver para o Ibovespa nos próximos meses.”
O analista também vê riscos caso as expectativas de ajuste das contas públicas não sejam atendidas.
“Caso não seja apresentado um plano contundente, o mercado pode se frustrar e os investidores globais perderem a confiança no país, o que faria com que quase tudo que entrou nos últimos meses saísse do Brasil de uma forma rápida, impactando Ibovespa, dólar e juros.”






