Cabo Frio aparece entre os piores resultados do Ideb 2025 no Rio de Janeiro, aponta Sepe Lagos

Cabo Frio aparece entre os piores resultados do Ideb 2025 no Rio de Janeiro, aponta Sepe LagosMunicípio ficou na 73ª posição nos anos iniciais e na 77ª nos anos finais; sindicato relaciona resultado à falta de professores, problemas de infraestrutura e ausência de diálogo com a Prefeitura

Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025 colocaram Cabo Frio entre os municípios com pior desempenho da educação pública no Estado do Rio de Janeiro, segundo análise divulgada pelo Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação, o Sepe Lagos.

Cabo Frio obteve nota 5,3 nos anos iniciais do Ensino Fundamental e ficou na 73ª posição entre as redes municipais avaliadas. Nos anos finais, a nota foi 4,0, colocando o município na 77ª colocação. Os dados oficiais do Ideb são produzidos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

O Ideb combina o desempenho dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática, medido pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), com as taxas de aprovação registradas no Censo Escolar. O indicador é utilizado pelo poder público para acompanhar metas, comparar redes de ensino e orientar políticas educacionais.

Cabo Frio fica atrás de Búzios e Arraial do Cabo

Na comparação com outros municípios da Região dos Lagos, Cabo Frio também aparece em desvantagem nos dois segmentos avaliados.

MunicípioAnos iniciaisPosiçãoAnos finaisPosição
Búzios5,851º4,265º
Arraial do Cabo5,662º4,836º
Cabo Frio5,373º4,077º

A diferença é mais expressiva nos anos finais. Enquanto Arraial do Cabo alcançou nota 4,8 e ficou na 36ª posição, Cabo Frio registrou 4,0 e apareceu na 77ª colocação. Para o Sepe Lagos, o resultado acende um alerta sobre as condições de funcionamento da rede municipal. O sindicato afirma que existem escolas sem professores para determinadas disciplinas, problemas estruturais que provocam a suspensão de aulas e dificuldades que afetam diretamente a continuidade do processo pedagógico.

Sindicato critica modelo de avaliação

Apesar de utilizar os dados do Ideb para cobrar providências, o Sepe Lagos afirma que o índice não pode ser usado para responsabilizar professores, funcionários, estudantes ou famílias.

Segundo o sindicato, o indicador reduz a avaliação da educação às taxas de aprovação e ao desempenho em testes padronizados, sem considerar adequadamente fatores como as condições socioeconômicas dos alunos, a infraestrutura das escolas, a falta de profissionais, os salários, o tamanho das turmas e o tempo destinado ao planejamento.

O Inep reconhece que o Ideb é um indicador formado por dois componentes principais: aprendizagem e fluxo escolar. Para o Sepe, entretanto, esses dados não são suficientes para retratar toda a realidade da educação municipal. “Não responsabilizamos professores, funcionários, estudantes ou famílias. A cobrança deve recair sobre quem administra o orçamento e define as condições da rede”, afirma o sindicato em nota.

Cobrança é direcionada à Prefeitura

Na avaliação do Sepe Lagos, a responsabilidade pelas condições da rede deve ser atribuída ao prefeito Sérgio Azevedo, o Dr. Serginho, ao vereador Alfredo Gonçalves e ao secretário municipal de Educação, Alessandro Teixeira.

O sindicato afirma que pedidos de audiência e ofícios encaminhados à Prefeitura não teriam resultado em uma negociação efetiva com a categoria. A entidade também sustenta que a mudança no comando da Secretaria de Educação não teria alterado a falta de diálogo com os profissionais.

Alfredo Gonçalves exerce atualmente o mandato de vereador pelo Republicanos e integra a legislatura municipal de Cabo Frio no período de 2025 a 2028. Alessandro Teixeira é o atual secretário municipal de Educação, conforme publicação oficial da Prefeitura.

Prefeitura já prometeu fortalecer a rede

Em janeiro, durante a posse das equipes diretivas das escolas municipais para a gestão 2026–2028, a Prefeitura informou que a rede municipal possui 89 unidades educacionais.

Na ocasião, o prefeito Dr. Serginho afirmou que pretendia visitar as escolas, ampliar os investimentos em infraestrutura e fortalecer a rede municipal. O secretário Alessandro Teixeira declarou que o objetivo da gestão era reposicionar a educação de Cabo Frio entre as referências da Região dos Lagos e do Estado.

As declarações, porém, ainda são confrontadas pelo resultado do Ideb e pelas denúncias apresentadas pelo Sepe Lagos sobre falta de profissionais, problemas estruturais e ausência de negociação com a categoria.

Resultado amplia pressão por medidas concretas

O resultado do Ideb não permite, isoladamente, explicar todos os problemas da educação municipal. Porém, a posição de Cabo Frio no ranking aumenta a pressão sobre o governo municipal para apresentar medidas concretas.

Entre as reivindicações apontadas pelo Sepe estão a convocação de profissionais aprovados em concurso público, a recomposição das equipes escolares, a melhoria da infraestrutura, o cumprimento do Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração, a valorização salarial e a abertura de uma mesa permanente de negociação.

Mais do que uma disputa por números, o resultado coloca em debate as condições oferecidas diariamente a estudantes, professores e funcionários. A expectativa da comunidade escolar é que os dados sejam utilizados para construir um plano de recuperação da rede, com metas transparentes, prazos definidos e participação dos profissionais da educação.

O espaço permanece aberto para que a Prefeitura de Cabo Frio e a Secretaria Municipal de Educação apresentem esclarecimentos sobre os resultados do Ideb e as medidas previstas para melhorar o desempenho da rede.