Terremoto no Peru acende alerta: Brasil corre risco de sofrer um tremor de grande magnitude?

Terremoto no Peru acende alerta: Brasil corre risco de sofrer um tremor de grande magnitude?Forte abalo registrado no Peru voltou a chamar atenção para a atividade sísmica na América do Sul. Apesar de o Brasil estar longe das principais bordas de placas tectônicas, tremores também acontecem no território brasileiro. Entenda o risco.

Um forte terremoto registrado no Peru nesta quinta-feira, 20 de agosto, voltou a colocar a atividade sísmica da América do Sul no centro das atenções e levantou uma pergunta que rapidamente ganhou espaço entre brasileiros nas redes sociais:

um terremoto dessa magnitude poderia acontecer no Brasil?

A resposta curta é: terremotos acontecem no Brasil, mas eventos de grande magnitude são muito menos prováveis do que nos países localizados na região dos Andes.

O terremoto peruano ocorreu na região de Ayacucho. O Instituto Geofísico do Peru (IGP) calculou magnitude 7,2, com epicentro localizado a aproximadamente 35 quilômetros ao norte de Coracora.

Já o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), que utiliza sua própria rede de observações e metodologia de cálculo, estimou o mesmo terremoto em magnitude 6,7.

Diferenças desse tipo podem ocorrer porque instituições utilizam estações, modelos e métodos diferentes para determinar os parâmetros de um terremoto.

POR QUE O PERU TEM TANTOS TERREMOTOS?

A explicação está embaixo dos pés dos habitantes da costa oeste da América do Sul.

O Peru está localizado em uma das regiões tectonicamente mais ativas do planeta, onde ocorre o encontro entre a Placa de Nazca e a Placa Sul-Americana.

A Placa de Nazca avança por baixo da Placa Sul-Americana em um processo chamado subducção.

É esse gigantesco movimento geológico que está relacionado não apenas aos frequentes terremotos na região, mas também à própria formação da Cordilheira dos Andes.

O país também faz parte do chamado Anel de Fogo do Pacífico, enorme faixa ao redor do Oceano Pacífico onde se concentra grande parte da atividade sísmica e vulcânica do planeta.

Por isso, países como Peru, Chile, Equador e Colômbia convivem com um risco sísmico muito superior ao encontrado na maior parte do território brasileiro.

E O BRASIL?

É aqui que existe uma confusão bastante comum.

Durante décadas foi repetida a ideia de que “no Brasil não existem terremotos”.

Isso não é verdade.

O Brasil registra terremotos todos os anos.

Muitos deles são pequenos demais para serem percebidos pela população e somente são identificados pelos equipamentos da Rede Sismográfica Brasileira.

A diferença fundamental está na localização geológica do país.

Enquanto Peru e Chile estão próximos ao encontro de grandes placas tectônicas, o território brasileiro está localizado principalmente no interior da Placa Sul-Americana, em uma região considerada relativamente estável.

Isso reduz significativamente a probabilidade de grandes terremotos.

Mas não elimina completamente a possibilidade de tremores.

POR QUE A TERRA TREME MESMO LONGE DAS BORDAS DAS PLACAS?

As placas tectônicas estão constantemente submetidas a forças e tensões.

Mesmo regiões localizadas no interior de uma placa podem possuir falhas geológicas antigas.

Quando tensões acumuladas nas rochas são liberadas, podem ocorrer terremotos.

É por isso que pequenos e moderados tremores já foram registrados em diferentes regiões brasileiras.

Segundo informações reunidas pelo Serviço Geológico do Brasil, pequenos sismos são detectados com frequência no país e muitos sequer são sentidos pela população.

Eventos mais fortes são muito mais raros, mas já aconteceram.

UM TERREMOTO COMO O DO PERU PODERIA ACONTECER NO BRASIL?

Do ponto de vista científico, não é correto afirmar que um terremoto forte seja absolutamente impossível no Brasil.

Entretanto, a probabilidade é consideravelmente menor.

O país é considerado uma das regiões continentais tectonicamente mais estáveis do mundo.

Isso significa que um brasileiro não precisa viver esperando um terremoto devastador semelhante aos que historicamente atingem Chile ou Peru.

Ao mesmo tempo, a ocorrência de tremores no território nacional não deve ser tratada como algo impossível ou misterioso.

Eles fazem parte da dinâmica natural da crosta terrestre.

TERREMOTOS DISTANTES PODEM SER SENTIDOS NO BRASIL?

Sim.

Dependendo da magnitude, profundidade e localização, ondas sísmicas produzidas por grandes terremotos nos países vizinhos podem viajar por centenas ou até milhares de quilômetros.

Em determinadas situações, moradores de edifícios altos podem perceber leves oscilações mesmo muito longe do epicentro.

Isso não significa necessariamente que exista um terremoto acontecendo diretamente abaixo daquela cidade.

Estruturas altas podem responder de maneira perceptível às ondas sísmicas produzidas a grandes distâncias.

BRASIL POSSUI UMA REDE PARA MONITORAR TERREMOTOS

O país conta com a Rede Sismográfica Brasileira (RSBR), formada por instituições como Universidade de Brasília, Universidade de São Paulo, Universidade Federal do Rio Grande do Norte e Observatório Nacional.

São dezenas de estações capazes de registrar continuamente a movimentação sísmica.

Os equipamentos permitem identificar tremores que muitas vezes seriam impossíveis de perceber sem instrumentos.

Esse monitoramento também ajuda pesquisadores a entender melhor as falhas geológicas existentes no território brasileiro e a avaliar a atividade sísmica do país.

TERREMOTO NO PERU É UM AVISO DE QUE ALGO MAIOR ESTÁ POR VIR?

Não existe base científica para afirmar isso apenas porque ocorreu um forte terremoto.

Terremotos não funcionam como uma sequência previsível em que um evento necessariamente anuncia outro maior em uma região diferente.

Os cientistas conseguem identificar áreas de maior risco sísmico e calcular probabilidades, mas a ciência ainda não consegue prever com precisão o dia, horário e local exato de um futuro grande terremoto.

É justamente por isso que redes de monitoramento operam continuamente em vários países.

POR QUE O ASSUNTO CHAMA TANTA ATENÇÃO?

Grandes terremotos estão entre os fenômenos naturais que mais impressionam porque acontecem de forma repentina.

Diferentemente de tempestades e furacões, que atualmente podem ser acompanhados por satélites com alguma antecedência, um terremoto pode começar sem um aviso preciso.

Por isso, países altamente sísmicos investem principalmente em construções resistentes, sistemas de emergência, treinamento da população e monitoramento constante.

Para o Brasil, o cenário é diferente.

Embora o risco de grandes terremotos seja muito inferior ao observado nos países andinos, pesquisadores reforçam que a atividade sísmica brasileira existe e precisa continuar sendo estudada.

ENTENDA EM 30 SEGUNDOS

O Brasil tem terremotos?
Sim.

Eles acontecem com frequência?
Pequenos tremores são registrados regularmente.

O Brasil corre o mesmo risco do Peru ou do Chile?
Não. A situação geológica brasileira é bastante diferente.

Um grande terremoto é impossível?
Não é cientificamente correto dizer que seja impossível, mas eventos dessa dimensão são muito mais raros no território brasileiro.

Por que o Peru sofre tantos terremotos?
Principalmente pela interação entre as placas de Nazca e Sul-Americana.

Existe monitoramento no Brasil?
Sim. O território nacional é acompanhado pela Rede Sismográfica Brasileira.

O terremoto registrado no Peru, portanto, não significa que um grande abalo esteja prestes a ocorrer no Brasil.

Mas o episódio serve para lembrar algo que muitas pessoas desconhecem:

o chão brasileiro também se movimenta — apenas em uma escala e frequência muito diferentes das observadas nos países localizados nas regiões mais ativas da América do Sul.

Fontes consultadas: Instituto Geofísico do Peru (IGP), U.S. Geological Survey (USGS), Serviço Geológico do Brasil (SGB) e Rede Sismográfica Brasileira.