Vídeos atribuídos ao grupo CyberLeek mostram Jason em Vice City; em uma das gravações, personagem escreve “LEEK” na parede com tiros. Take-Two recorre à Justiça para tentar identificar responsáveis
A poucos meses do lançamento de Grand Theft Auto VI, uma nova sequência de vazamentos colocou a Rockstar Games e sua controladora, a Take-Two Interactive, diante de um novo problema de segurança. Vídeos atribuídos ao grupo ou indivíduo conhecido como CyberLeek passaram a circular nas redes sociais nesta semana, supostamente mostrando trechos inéditos de gameplay do aguardado jogo.
O episódio ganhou repercussão porque uma das gravações apresenta Jason Duval, um dos protagonistas de GTA 6, pilotando uma aeronave e sobrevoando áreas de Vice City. No final do vídeo, o personagem utiliza tiros para formar a palavra “LEEK” em uma parede, numa espécie de assinatura deixada pelo responsável pelo vazamento. O gesto é apontado como um dos principais indícios de que o autor teria acesso a uma versão executável do jogo, e não apenas a vídeos internos previamente gravados.
Ainda assim, existe uma ressalva importante: não está confirmado publicamente que o CyberLeek possua uma versão completa e finalizada de GTA 6. Especialistas e integrantes da comunidade também levantam a possibilidade de se tratar de uma build de desenvolvimento, teste ou uma versão parcial. A Rockstar não confirmou oficialmente a autenticidade dos vídeos.
Vazamentos vão além de pequenas cenas
Os materiais atribuídos ao CyberLeek incluem sequências de Jason dirigindo, enfrentando personagens, participando de confrontos e explorando diferentes áreas do universo do jogo. Também foram divulgadas imagens relacionadas ao mapa de Leonida, o estado fictício onde se passa a nova aventura.
O lançamento oficial de GTA 6 está marcado para 19 de novembro de 2026, para PlayStation 5 e Xbox Series X|S. A própria Take-Two confirmou recentemente a data e abriu a pré-venda do título.
A expectativa em torno do jogo é gigantesca. A franquia Grand Theft Auto já ultrapassou 470 milhões de unidades vendidas mundialmente, segundo dados divulgados pela própria Take-Two.
Take-Two parte para a Justiça
A reação da empresa também subiu de nível.
A Take-Two apresentou uma medida judicial nos Estados Unidos para tentar identificar os responsáveis pelos vazamentos. Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira (21), a companhia recorreu à Justiça federal e solicitou dados à Microsoft e ao Discord, utilizando mecanismos previstos na legislação de direitos autorais americana.
O objetivo é obter informações que possam ajudar a identificar os responsáveis pelas contas utilizadas para divulgar e distribuir o material. Entre os alvos estão usuários de servidores do Discord relacionados à circulação e análise dos conteúdos vazados.
Paralelamente, vídeos atribuídos ao CyberLeek vêm sendo removidos das plataformas por meio de reivindicações de direitos autorais.
Rockstar já sofreu ataque semelhante
O episódio também remete ao enorme vazamento sofrido pela Rockstar em setembro de 2022, quando um invasor conseguiu acessar sistemas da empresa e extrair dezenas de vídeos de uma versão ainda em desenvolvimento de GTA 6.
Na ocasião, a própria Take-Two reconheceu que uma invasão havia permitido o acesso ilegal a informações confidenciais da Rockstar, incluindo imagens de desenvolvimento do próximo Grand Theft Auto.
A diferença agora está justamente na possibilidade de o responsável ter acesso a uma build aparentemente interativa, capaz de ser executada e manipulada para produzir novas gravações sob demanda.
Se essa hipótese for confirmada, o risco para a Rockstar aumenta consideravelmente: em vez de depender de um conjunto limitado de arquivos roubados, o responsável poderia potencialmente explorar diferentes partes da versão acessada e divulgar novos conteúdos.
Motivação também levanta suspeitas
O caso apresenta ainda um elemento financeiro.
Os canais associados ao CyberLeek não estariam apenas divulgando imagens de GTA 6. Os vazamentos também foram utilizados para promover uma criptomoeda própria, a $CYBERLEEK, lançada na rede Solana.
Segundo levantamento publicado pelo Voxel, a movimentação do token chegou a aproximadamente US$ 20 milhões desde o início dos vazamentos, embora isso represente volume de negociação e não necessariamente dinheiro arrecadado diretamente pelos responsáveis. A associação entre os vazamentos e a promoção da criptomoeda levanta dúvidas sobre as reais motivações por trás da campanha.
O grupo afirma que os vazamentos seriam uma forma de protesto contra determinadas estratégias comerciais da Rockstar, especialmente a política de pré-venda e a discussão sobre versões físicas do jogo. Entretanto, a promoção do ativo digital acrescenta uma possível motivação econômica à operação.
O que está em jogo para a Rockstar
O momento não poderia ser mais delicado.
GTA 6 é o principal lançamento da Rockstar para 2026 e representa uma das maiores apostas comerciais da Take-Two. A empresa mantém a expectativa de que o título impulsione seus resultados financeiros e, em agosto, reiterou projeções de US$ 8 bilhões a US$ 8,2 bilhões em Net Bookings para o ano fiscal de 2027.
Qualquer divulgação antecipada de partes importantes da história, missões ou personagens pode comprometer não apenas a estratégia de marketing, mas também a experiência planejada para milhões de jogadores.
A preocupação é ainda maior porque os vazamentos acontecem às vésperas de uma nova apresentação oficial do jogo, aumentando a disputa entre o conteúdo controlado pela Rockstar e aquilo que chega antecipadamente à internet.
A Rockstar corre contra o relógio
Até o momento, permanece sem resposta a principal pergunta: como o CyberLeek teria conseguido acesso a uma versão aparentemente jogável de GTA 6?
A resposta poderá estar justamente nas informações que a Take-Two tenta obter por meio da Justiça americana.
Enquanto isso, a comunidade de jogadores acompanha uma guerra cada vez mais intensa entre a Rockstar, que tenta preservar o sigilo do maior lançamento de sua história, e os responsáveis pelos vazamentos, que prometem continuar divulgando material.
E há um agravante: quanto maior o número de pessoas procurando pelas supostas versões vazadas, maior também o risco de golpes e arquivos maliciosos disfarçados de GTA 6. Já circulam na internet falsas “builds” do jogo utilizadas como isca para malware.
O que começou como uma sequência de vídeos clandestinos pode, portanto, transformar-se em uma das maiores crises de segurança e comunicação enfrentadas pela Rockstar desde o primeiro grande vazamento de GTA 6, em 2022.







