CABO FRIO: você pagaria R$ 2.500,00 para ir a uma praia que sequer oferece banheiro publico?

A recente publicação de um decreto pela Prefeitura de Cabo Frio, sob a gestão do prefeito Dr. Serginho (PL), que eleva drasticamente as tarifas de acesso para veículos de turismo, escancara uma série de problemas que vêm corroendo a experiência de visitantes e a qualidade de vida dos moradores. Enquanto a administração municipal alega buscar melhorias no setor, a realidade aponta para um turismo elitizado, negligência com a infraestrutura básica e perseguição ao trabalhador informal.

O novo decreto estabelece valores exorbitantes para a entrada de turistas na cidade, com ônibus taxados em R$ 2.500,00 e vans em R$ 625,00 por até 24 horas. A justificativa da prefeitura é direcionar a arrecadação para o transporte e turismo local. No entanto, essa medida surge em um contexto de abandono das praias, que clamam por infraestrutura básica. Relatos de turistas e moradores denunciam a ausência de banheiros públicos nas orlas, um transtorno higiênico inaceitável em um destino turístico. A segurança precária também é uma constante, com banhistas expostos à criminalidade sem o devido policiamento.

Não bastasse a falta de estrutura, os turistas que se aventuram a consumir nas barracas à beira-mar são frequentemente surpreendidos com consumações mínimas abusivas, que ultrapassam os R$ 200,00. Essa prática, que afasta famílias e visitantes com menor poder aquisitivo, levanta questionamentos sobre a política de turismo implementada pela gestão de Dr. Serginho: um turismo para poucos, em detrimento da democratização do acesso às belezas naturais da região?

A situação se agrava com o surgimento de denúncias de esquemas de corrupção envolvendo agentes de posturas. Há relatos de favorecimento a empresários da praia, especialmente aqueles com um grande número de vendedores atuando em suas áreas. Essa alegada seletividade no cumprimento da lei gera revolta entre os comerciantes menores e levanta suspeitas sobre a lisura da fiscalização municipal.

O descaso com o meio ambiente é outro ponto crítico da gestão de Dr. Serginho. O acúmulo de lixo em todas as áreas de restinga da cidade é visível e alarmante. A falta de coleta eficiente e de conscientização ambiental transforma cartões postais em depósitos de resíduos, impactando negativamente a fauna e a flora local, além de afastar turistas preocupados com a preservação ambiental.

As novas regras para veículos de turismo, que restringem a circulação de ônibus e micro-ônibus e impõem o desembarque em um único terminal, podem até ter o objetivo de organizar o fluxo na cidade. No entanto, quando analisadas em conjunto com os demais problemas, soam como medidas isoladas e insuficientes para resolver a crise que assola o turismo em Cabo Frio.

A população e os setores ligados ao turismo clamam por ações urgentes e eficazes por parte da prefeitura. É fundamental que a gestão de Dr. Serginho priorize a melhoria da infraestrutura das praias, combata a exploração dos turistas com consumações abusivas, investigue e puna os casos de corrupção envolvendo agentes públicos e implemente políticas efetivas de coleta de lixo e preservação ambiental.

Caso contrário, Cabo Frio corre o risco de perder sua reputação como um dos principais destinos turísticos do Brasil, afugentando visitantes e prejudicando a economia local. As belas paisagens naturais da cidade não podem ser ofuscadas pela negligência e por práticas que parecem priorizar o lucro de poucos em detrimento do bem-estar de todos. O futuro do turismo em Cabo Frio está em xeque, e a responsabilidade de reverter essa situação recai sobre a administração municipal.